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sábado, 28 de agosto de 2010

Liszt-Poema sinfónico nº02 Tasso


Em 1849 a 28 de Agosto, Liszt estreia em Weimar no Festival do Centenario de Goethe o seu poema sinfónico nº2 Tasso

O Poema Sinfónico nº 2 de Franz Liszt, Tasso, Lamento e Trionfo, é uma das obras mais representativas do projeto lisztiano de transformar a música orquestral em narrativa poética.

  • Data e contexto: A primeira versão foi escrita em 1849, em Weimar, como música incidental para a peça Torquato Tasso de Goethe, mas Liszt reviu profundamente a partitura em 1851 e depois em 1856, resultando no que conhecemos como o segundo de seus treze poemas sinfónicos.

  • Inspiração: O protagonista é Torquato Tasso (1544–1595), poeta italiano marcado pela genialidade e pelo sofrimento, cuja vida oscilou entre o brilho da corte e a alienação mental. Liszt viu nele um símbolo romântico do artista incompreendido.

  • Estrutura:

    • A obra tem dois grandes eixos contrastantes:

      1. Lamento – em tom menor, sombrio, melancólico, com uma melodia de caráter quase vocal, expressando a dor de Tasso.

      2. Trionfo – em tom maior, grandioso, transformando o tema inicial numa marcha triunfal, que representa a consagração póstuma do poeta.

    • O processo musical é essencialmente transformacional: Liszt pega um motivo inicial e o metamorfoseia, como se mostrasse o destino de Tasso através da própria música.

  • Estilo: O caráter é marcadamente romântico, com contrastes fortes de dinâmica, orquestração rica (Liszt usa madeiras e metais para colorir os momentos de dor e triunfo) e um lirismo que por vezes lembra a escrita pianística transposta para a orquestra.

  • Receção: Apesar de não ser o mais popular dos poemas sinfónicos de Liszt (como Les Préludes), Tasso é admirado pela profundidade expressiva e pela forma como condensa a figura romântica do “gênio sofredor” que encontra redenção na memória da posteridade.


Aqui a interpretação é da Philharmonia Orchestra dirigida porConstantin Silvestre

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Richard Strauss-Horn Concerto nº 2 em mi bemol maior


Em 1943 a 11 de Agosto, Richard Strauss estreia no Festival de Salzburgo a o seu Horn Concerto nº 2 em mi bemol maior, tocado pela Vienna Philharmonic conduzida por Karl Böhm, com Gottfried von Freiburg como solista

O Concerto para Trompa nº 2 em Mi bemol maior, de Richard Strauss, é uma das obras tardias do compositor, escrita em 1942, quando ele já tinha 78 anos. É curioso porque, apesar de ter sido criado no auge da Segunda Guerra Mundial, a música soa luminosa, serena e quase clássica na sua forma — como se Strauss estivesse a dialogar com Mozart e o período vienense, e não com o mundo caótico à sua volta.

Alguns pontos marcantes:

  • Estilo – É mais contido e transparente do que as obras orquestrais grandiosas da juventude de Strauss (como Don Juan ou Uma Vida de Herói). Aqui ele adota uma escrita mais clara, com texturas leves, mas sempre com sua assinatura melódica.

  • Estrutura – Segue o formato tradicional em três movimentos:

    1. Allegro – brilhante, ágil, com passagens virtuosísticas para trompa, lembrando o espírito mozartiano.

    2. Andante con moto – lírico e contemplativo, com momentos de grande calor expressivo.

    3. Rondo (Allegro molto) – alegre e saltitante, com certo humor e vitalidade surpreendentes para um compositor tão idoso.

  • Técnica da trompa – É uma verdadeira prova de resistência e agilidade para o trompista. A escrita pede precisão nas notas agudas e clareza nas rápidas articulações, algo que combina com a afinidade de Strauss com o instrumento (o pai dele, Franz Strauss, era um renomado trompista).

  • Caráter emocional – Não é uma obra dramática; soa mais como um gesto de paz interior, quase uma despedida elegante e otimista.

Se quisermos resumir, o Horn Concerto nº 2 é uma espécie de homenagem de Strauss à tradição clássica, escrita com a sabedoria e simplicidade que só um compositor veterano poderia alcançar.


Aqui a interpretação é de Dennis Brain como solista sob direcção da Philharmonia Orchestra conduzida por Wolfgang Sawallisch