sábado, 6 de janeiro de 2024
Poulenc-Concerto para 2 pianos em ré meno
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Max Bruch-Kol Nidrei
- Em 1885 nasceu no Porto a violoncelista Guilhermina Suggia, faleceria em 30 de Julho de 1950 vitima de cancro
Com 15 anos apenas, Guilhermina respondeu a uma interpelação da rainha Dona Amélia sobre qual seria o sonho da sua vida, dizendo que gostaria de aperfeiçoar os seus conhecimentos musicais no estrangeiro.
Uns meses depois a coroa portuguesa concedeu-lhe uma bolsa para estudar no local da sua eleição, o que possibilitou a ida, acompanhada pelo pai, para o conservatório de Leipzig, Alemanha, onde iria aprender com Julius Klengel, violoncelista da famosa Gewandhaus Orquestra
Ouçamos aqui a sua interpretação da Kol Nidrei de Max Bruch
Kol Nidrei", Op. 47, de Max Bruch, é uma das obras mais célebres para violoncelo e orquestra, composta em 1880. Apesar de Bruch ser protestante, ele se inspirou profundamente na música e nas tradições judaicas, e "Kol Nidrei" é um exemplo sublime disso.
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"Kol Nidrei" é baseado em duas melodias hebraicas. A principal é a prece Kol Nidrei, tradicionalmente cantada no início do Yom Kippur, o Dia do Perdão.
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A segunda melodia é derivada de um hino hebraico do século XIX, "O Weep for Those That Wept on Babel’s Stream", com texto de Lord Byron.
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A obra é escrita como um Adagio, com um caráter introspectivo, solene e profundamente lírico.
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O violoncelo assume o papel de uma voz quase humana, recitando a oração com lirismo e melancolia.
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É uma obra de profunda espiritualidade, mesmo para ouvintes sem qualquer vínculo religioso. Transmite uma sensação de arrependimento e redenção.
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A orquestra acompanha com respeito e discrição, sustentando o solista em um pano de fundo etéreo.
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Apesar do uso explícito de temas judaicos, Bruch não era judeu — o que causou confusão mais tarde, especialmente durante o regime nazi, que proibiu a execução de sua música erroneamente acreditando que ele era judeu.
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"Kol Nidrei" se tornou uma obra muito querida pelos violoncelistas, ao lado de concertos como os de Dvořák, Elgar e Haydn.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Karl Amadeus Hartmann-Sinfonia nº2
Karl Amadeus Hartmann (1905–1963) foi um compositor alemão que se destacou por ser uma voz de resistência ao nazismo. Ele recusou-se a colaborar com o regime e, durante o Terceiro Reich, entrou em uma espécie de “exílio interno”: não teve suas obras executadas oficialmente, mas continuou compondo em silêncio. Depois da guerra, tornou-se uma das figuras centrais da música contemporânea alemã, fundador do festival Musica Viva em Munique.
A Sinfonia nº 2
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Composição: 1942 (durante a guerra), revisada em 1945–46.
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Estreia: 1947, em Viena, sob regência de Ferenc Fricsay.
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Duração: cerca de 15–18 minutos.
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Instrumentação: Orquestra de cordas.
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Caráter: É uma sinfonia curta, em um só movimento contínuo, mas estruturada em seções contrastantes.
Estilo e linguagem
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Escrita apenas para cordas, a obra é densa, expressiva e fortemente marcada pela tensão histórica de sua época.
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Hartmann mescla elementos neoclássicos, contraponto rigoroso e influências de Mahler, Hindemith e até Bartók.
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Apesar da concisão, a música transmite uma carga emocional intensa, com passagens líricas e dramáticas que lembram um lamento.
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O clima é de resistência, dor e esperança, refletindo o espírito de oposição ao nazismo.
Estrutura (visão geral)
Embora não siga a forma tradicional de sinfonia em quatro movimentos, pode-se perceber:
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Abertura sombria, quase elegíaca.
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Seção central mais rítmica e agitada, com energia e tensão acumulada.
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Retorno ao lirismo, com um final mais sereno, que sugere resignação ou esperança contida.
Importância
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É considerada a obra que lançou Hartmann internacionalmente após a guerra.
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Marca sua consolidação como sinfonista: ele acabaria escrevendo 8 sinfonias no total.
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A Sinfonia nº 2 já apresenta aquela dualidade típica dele: um lamento pelo sofrimento humano e, ao mesmo tempo, um gesto de resistência espiritual.