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sábado, 6 de janeiro de 2024

Poulenc-Concerto para 2 pianos em ré meno

Em 1950 a 6 de janeiro em Boston estreia o Piano Concerto para dois pianos e orquestra em ré menor de Francis Poulenc com o compositor como solista 

 O Concerto para Dois Pianos em Ré menor, FP 61, de Francis Poulenc, é uma obra fascinante e única dentro do repertório para piano, escrita em 1932 e uma das mais representativas do compositor francês. 

Este concerto destaca-se não apenas pela sua combinação vibrante e desconcertante de estilos, mas também pela maneira como Poulenc consegue fundir a sensibilidade do séc. XX com a tradição clássica, criando uma obra com grande expressividade e um toque de humor. 

 Contexto Histórico e Composicional Poulenc compôs este concerto em um período de grande maturidade e experimentação musical. A década de 1930 foi um momento significativo na vida do compositor, em que ele estava imerso no movimento francês do Neoclassicismo, misturando influências da música barroca, clássica e moderna.

 O Concerto para Dois Pianos é um exemplo claro da capacidade de Poulenc de brincar com formas clássicas enquanto imprime uma sonoridade contemporânea e ousada. 
 O concerto foi composto para ser tocado por dois pianistas, uma configuração que era relativamente rara na época. Ele foi estreado em 1933 com os próprios compositores à frente dos pianos, Monique Haas e Léo Depincé, sendo muito bem recebido pelo público.

Estrutura da Obra 

A obra é composta por três movimentos, e Poulenc utiliza uma combinação de elementos barrocos e modernistas com uma grande dose de ironia e dinamismo. O concerto é notável pelo uso criativo das cores orquestrais, contrastes rítmicos e, em particular, pela interação entre os dois pianos, que muitas vezes se alternam em diálogo animado. 

 I. Allegrissimo O primeiro movimento começa com uma introdução vigorosa e cheia de energia. A orquestra tem uma presença marcante, mas os dois pianos logo tomam a frente com suas passagens rápidas e ritmadas. 
A tensão entre os pianos e a orquestra cria uma textura densa, mas Poulenc mantém uma leveza e um jogo de contrastes, com uma notável habilidade em manipular a dinâmica e a cor. 

II. Lento O movimento lento é contemplativo e expressivo, trazendo um contraste marcante em relação à vivacidade do primeiro movimento. As melodias são delicadas e se entrelaçam entre os pianos e a orquestra de maneira lírica, mas com uma sensação de tristeza, quase melancólica. 
Este movimento se destaca pela sua harmonia sofisticada e a beleza das linhas melódicas. 

III. Très vif O último movimento é frenético e brincalhão, com uma energia contagiante que lembra um final de carnaval. A interação entre os dois pianos aqui é particularmente impressionante, com passagens rápidas e um jogo de ritmos irregulares que criam um efeito de desafio entre os músicos. A orquestra assume um papel mais leve e pontuado, contrastando com a energia dos pianos. 

 Importância e Legado 

O Concerto para Dois Pianos de Poulenc é uma obra inovadora, não apenas pela sua configuração rara, mas também pela forma como explora a interação entre os pianos e a orquestra. 
A obra reflete o caráter ambíguo e eclético de Poulenc, que consegue fundir a ironia, a leveza e a seriedade com grande habilidade. Poulenc se afasta do estilo excessivamente emocional ou modernista, criando uma obra acessível e encantadora, sem perder a sofisticação. 

O concerto tornou-se uma peça essencial no repertório para dois pianos, sendo interpretado com frequência por pianistas que buscam explorar tanto a técnica quanto a expressão musical.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Max Bruch-Kol Nidrei

  • Em 1885 nasceu no Porto a violoncelista Guilhermina Suggia, faleceria em 30 de Julho de 1950 vitima de cancro
O pai foi violoncelista no Real Teatro de São Carlos e professor no Conservatório de Música de Lisboa. No seio deste ambiente familiar Guilhermina terá começado a estudar música aos 5 anos, tendo seu pai como primeiro professor. A sua primeira aparição pública verificou-se quando tinha sete anos de idade, em Matosinhos.

Com 15 anos apenas, Guilhermina respondeu a uma interpelação da rainha Dona Amélia sobre qual seria o sonho da sua vida, dizendo que gostaria de aperfeiçoar os seus conhecimentos musicais no estrangeiro.

Uns meses depois a coroa portuguesa concedeu-lhe uma bolsa para estudar no local da sua eleição, o que possibilitou a ida, acompanhada pelo pai, para o conservatório de Leipzig, Alemanha, onde iria aprender com Julius Klengel, violoncelista da famosa Gewandhaus Orquestra


Ouçamos aqui a sua interpretação da Kol Nidrei de Max Bruch

Kol Nidrei", Op. 47, de Max Bruch, é uma das obras mais célebres para violoncelo e orquestra, composta em 1880. Apesar de Bruch ser protestante, ele se inspirou profundamente na música e nas tradições judaicas, e "Kol Nidrei" é um exemplo sublime disso.

  • "Kol Nidrei" é baseado em duas melodias hebraicas. A principal é a prece Kol Nidrei, tradicionalmente cantada no início do Yom Kippur, o Dia do Perdão.

  • A segunda melodia é derivada de um hino hebraico do século XIX, "O Weep for Those That Wept on Babel’s Stream", com texto de Lord Byron.

  • A obra é escrita como um Adagio, com um caráter introspectivo, solene e profundamente lírico.

  • O violoncelo assume o papel de uma voz quase humana, recitando a oração com lirismo e melancolia.

  • É uma obra de profunda espiritualidade, mesmo para ouvintes sem qualquer vínculo religioso. Transmite uma sensação de arrependimento e redenção.

  • A orquestra acompanha com respeito e discrição, sustentando o solista em um pano de fundo etéreo.

  • Apesar do uso explícito de temas judaicos, Bruch não era judeu — o que causou confusão mais tarde, especialmente durante o regime nazi, que proibiu a execução de sua música erroneamente acreditando que ele era judeu.

  • "Kol Nidrei" se tornou uma obra muito querida pelos violoncelistas, ao lado de concertos como os de Dvořák, Elgar e Haydn.


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Karl Amadeus Hartmann-Sinfonia nº2


Em 1950 a 10 de Setembro, Karl Amadeus Hartmann estreia a sua Sinfonia nº2 interpretada pela Southwest German Radio Orchestra, com Hans Rosbaud na condução

Karl Amadeus Hartmann (1905–1963) foi um compositor alemão que se destacou por ser uma voz de resistência ao nazismo. Ele recusou-se a colaborar com o regime e, durante o Terceiro Reich, entrou em uma espécie de “exílio interno”: não teve suas obras executadas oficialmente, mas continuou compondo em silêncio. Depois da guerra, tornou-se uma das figuras centrais da música contemporânea alemã, fundador do festival Musica Viva em Munique.

A Sinfonia nº 2

  • Composição: 1942 (durante a guerra), revisada em 1945–46.

  • Estreia: 1947, em Viena, sob regência de Ferenc Fricsay.

  • Duração: cerca de 15–18 minutos.

  • Instrumentação: Orquestra de cordas.

  • Caráter: É uma sinfonia curta, em um só movimento contínuo, mas estruturada em seções contrastantes.

Estilo e linguagem

  • Escrita apenas para cordas, a obra é densa, expressiva e fortemente marcada pela tensão histórica de sua época.

  • Hartmann mescla elementos neoclássicos, contraponto rigoroso e influências de Mahler, Hindemith e até Bartók.

  • Apesar da concisão, a música transmite uma carga emocional intensa, com passagens líricas e dramáticas que lembram um lamento.

  • O clima é de resistência, dor e esperança, refletindo o espírito de oposição ao nazismo.

Estrutura (visão geral)

Embora não siga a forma tradicional de sinfonia em quatro movimentos, pode-se perceber:

  1. Abertura sombria, quase elegíaca.

  2. Seção central mais rítmica e agitada, com energia e tensão acumulada.

  3. Retorno ao lirismo, com um final mais sereno, que sugere resignação ou esperança contida.

Importância

  • É considerada a obra que lançou Hartmann internacionalmente após a guerra.

  • Marca sua consolidação como sinfonista: ele acabaria escrevendo 8 sinfonias no total.

  • A Sinfonia nº 2 já apresenta aquela dualidade típica dele: um lamento pelo sofrimento humano e, ao mesmo tempo, um gesto de resistência espiritual.


quarta-feira, 1 de abril de 2009

Robert Gambill





Em 1950 a31 de Março .nasce em Indianápolis o tenor Robert Gambill . Aqui canta  um dueto da Walkiria de Naagner