quarta-feira, 20 de dezembro de 2023
Brahms-Serenata nº 2 em lá maior op. 16
sexta-feira, 20 de outubro de 2023
Brahms-String sextet nº1 em si bemol maior op 18
domingo, 27 de agosto de 2023
Saint-Saenz-Sinfonia nº02 em la menor Op.56
quarta-feira, 24 de março de 2021
Joseph Joachim-Violino Concerto nº2 em ré menor "In the Hungarian style" op.11
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Mahler-Sinfonia nº05
- Em 1860 nasceu em Kalischt na Boémia o compositor e condutor Gustav Mahler. Viria a morrer em Viena a 18 de Maio de 1911
A Sinfonia nº 5 em Dó sustenido menor de Gustav Mahler é uma das obras mais intensas, complexas e emocionalmente poderosas do repertório sinfônico. Composta entre 1901 e 1902, marca uma viragem no estilo de Mahler — afastando-se das suas primeiras sinfonias, que incluíam vozes, e abraçando um universo puramente orquestral mais dramático, introspectivo e estruturada
Estrutura da Sinfonia
A obra é dividida em cinco movimentos, agrupados em três grandes partes:
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Parte I
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I. Trauermarsch (Marcha Fúnebre) – um início sombrio e solene, com destaque para o solo de trompete logo de abertura, que se tornou emblemático.
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II. Stürmisch bewegt (Tempestuoso) – violento e dramático, como uma luta interior com momentos de fúria e agonia.
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Parte II
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III. Scherzo – mais extenso, cheio de ironia, dança e ambiguidade. É ao mesmo tempo leve e inquietante, com solos de trompa de grande destaque.
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Parte III
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IV. Adagietto – o movimento mais famoso, composto apenas para cordas e harpa. É muitas vezes interpretado como uma carta de amor à esposa de Mahler, Alma. Tornou-se célebre também por sua utilização no filme Morte em Veneza (1971), de Visconti.
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V. Rondo-Finale – um retorno à luz e à vitalidade, celebrando a vida com energia contrapontística e esperança renovada.
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A Quinta é frequentemente vista como uma viagem da escuridão para a luz, da dor à alegria — um pouco à semelhança da 5ª de Beethoven, mas com linguagem musical muito mais moderna e densa.
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Sem programa declarado: Ao contrário das sinfonias anteriores, Mahler pediu explicitamente que o público não procurasse um "programa" narrativo na Quinta. Queria que fosse apreciada puramente como música absoluta.
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Tensão e lirismo: Alterna passagens de intensidade extrema com momentos de lirismo puro (especialmente no Adagietto).
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Modernidade: A orquestração é sofisticada, e a linguagem harmônica e rítmica mostra Mahler a romper com o romantismo tardio e a apontar para o século XX.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Mahler-Sinfonia nº04 em sol maior
- Em 1860 a 7 de Julho nasce em Kalischt na Boémia Gustav Mahler que virá a morrer em 18 de Maio de 1911
Aqui trago a sua 4ª sinfonia em sol maior a mais doce de Mahler, interpretada pela Lucerne Festival Orchesta com Claudio Abbado na condução
A Sinfonia nº 4 em Sol maior de Gustav Mahler, composta entre 1899 e 1900, é talvez a mais acessível, lírica e transparente das suas sinfonias — uma obra de transição entre a leveza do romantismo tardio e a profundidade existencial das suas sinfonias mais densas.
Estrutura e Instrumentação
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É dividida em quatro movimentos, com duração total de cerca de 55 minutos.
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A orquestração é mais contida do que o habitual em Mahler, sem trombones ou tuba, o que lhe dá um som mais cintilante e arejado.
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O último movimento é um lied para soprano, baseado em um poema do ciclo “Des Knaben Wunderhorn” (O cornetim mágico do rapaz).
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Bedächtig. Nicht eilen (Comedido, sem pressa)
Um primeiro movimento leve, quase como uma pastoral, com toques irônicos e espirituosos. O uso do sino de trenó confere um brilho inocente, quase infantil. -
In gemächlicher Bewegung. Ohne Hast (Em movimento descontraído. Sem pressa)
Uma dança macabra peculiar: Mahler imaginou aqui a Morte tocando violino (o que se reflete no uso de um violino afinado um tom acima do normal). Tem um tom misterioso e lúdico. -
Ruhevoll (poco adagio)
O coração da sinfonia: um movimento sublime, calmo, profundamente contemplativo — muitos o veem como uma antevisão do paraíso. -
Sehr behaglich (Muito agradável)
Uma canção doce, quase infantil, com texto que descreve a visão de uma criança sobre o céu. Aqui, Mahler une inocência e ironia, num tom ambíguo entre a simplicidade e a transcendência.
Mahler costumava dizer que "uma sinfonia deve conter o mundo". Mas nesta, ele parece concentrar-se num mundo idealizado, quase celestial — embora com ecos de ambiguidade, já que por trás da ingenuidade há sempre uma sombra filosófica.
A ideia de céu aqui não é gloriosa e triunfante, mas simples, doméstica, quase rústica: o paraíso é feito de comida boa, música, alegria, descanso. E a morte não aparece como terror, mas como uma figura serena.