sexta-feira, 12 de janeiro de 2024
Rheinberger-Réquiem em Ré menor op 194
quinta-feira, 11 de janeiro de 2024
Edward Elgar-O Sonho de Gerôncio op. 38
sexta-feira, 2 de julho de 2021
2 de Julho
terça-feira, 6 de abril de 2021
6 de Abril
quarta-feira, 9 de dezembro de 2020
Debussy- Nuages and Fêtes
Nuages (Nuvens)
É o mais imóvel dos três Nocturnes.
Debussy não tenta descrever uma tempestade, mas a lentidão constante, inevitável e silenciosa do movimento das nuvens no céu.
Características marcantes:
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Harmonia suspensa, quase sem resolução, dando a sensação de algo que flutua e nunca se fixa.
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O tema inicial nas madeiras é quase um haikai musical: poucas notas, repetidas, mudando de cor mas não de direcção.
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A orquestra é tratada como um véu de texturas, não como protagonista dramática.
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É música que não progride, apenas se desloca, como se o tempo se tornasse qualidade, não quantidade.
A sensação geral é de contemplação — uma estranha paz melancólica.
Fêtes (Festas)
É o oposto complementar de Nuages:
onde o primeiro é contemplativo, este é vibrante, pulsante, cheio de luz e movimento.
O que se destaca:
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Ritmos animados, cores brilhantes, uma sensação de multidão em movimento, quase impressionista.
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Há momentos em que a música parece representar reflexos de luz, lanternas, passos, ecos, como se estivéssemos dentro de uma festa de rua com múltiplas camadas sonoras.
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No centro do movimento, ouve-se a aproximação de uma procissão militar: Debussy faz essa chegada crescer lentamente pelas sombras até invadir a textura das festividades.
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Depois, as duas massas sonoras (festa e procissão) coexistem, cruzam-se e, num passe de magia, desfazem-se de novo na névoa de onde surgiram.
sábado, 4 de julho de 2009
,Sibelius-Sinfonia nº1 em mi menor op.39
- No ano de 1900 foi estreada a versão final da Sinfomia nº1 de Sibelius, pela Filamónica de Helsínquia dirigida por Robert Kajanus. A primeira versão tinha sido estreada em 26 de Abril de 1899.
A Sinfonia nº 1 em mi menor, op. 39, de Jean Sibelius, é uma obra de juventude que marca com força a entrada do compositor finlandês no cenário das grandes sinfonias europeias.
Contexto e estilo
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Embora ainda influenciado por Tchaikovsky (especialmente pela sua 6ª sinfonia, a "Patética"), Sibelius já mostra nessa obra traços muito pessoais — paisagens sonoras vastas, intensidade emocional, dramatismo nórdico, e um uso do folclore finlandês não como citação literal, mas como essência estrutural e atmosférica.
Estrutura (quatro movimentos)
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Andante, ma non troppo – Allegro energico
Começa com um clarinete solo em pianíssimo, quase como uma névoa que se ergue antes da tempestade. O que segue é um movimento impetuoso, cheio de tensão rítmica e temas que evoluem como se fossem forças naturais. -
Andante (ma non troppo lento)
Lírico, quase elegíaco. Uma melancolia que parece vir das florestas e lagos finlandeses. É como se ouvíssemos o coração de uma terra silenciosa e carregada de memória. -
Scherzo (Allegro)
Tempestuoso, com ritmos cortantes e secções de grande energia. É uma dança selvagem — talvez o movimento mais "eslavo" da sinfonia — mas com uma assinatura rítmica que já é muito de Sibelius. -
Finale (Quasi una fantasia)
O subtítulo já diz muito: é quase uma fantasia. Tem momentos de grande nobreza, outros de lamento intenso, e termina num gesto dramático que não resolve tudo, mas fecha com autoridade. Não há triunfo fácil aqui — há luta e dignidade.
Importância
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Marca a afirmação de Sibelius como sinfonista.
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Já antecipa o seu afastamento do modelo germânico-romântico tradicional: menos desenvolvimento temático clássico, mais paisagens sonoras orgânicas.
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É um grito de identidade: Finlanda, naquele tempo ainda sob domínio russo, encontrava em Sibelius uma voz musical nacional.
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- Aqui a interpretação e de Orchestre de Paris
Paavo Järvi, conductor