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sábado, 31 de janeiro de 2026

Frederick Delius-Celo Concerto

Em 1923 a 31 de Janeiro,  Frederick Delius estreia em Viena o seu Cello Concerto com Alexander Barjansky como solista e Ferdinand Lowe, na condução

É uma obra estranha no melhor sentido: não é virtuosística, não quer impressionar — quer confessar. O violoncelo ali soa como uma voz cansada, íntima, quase falada. Há uma melancolia constante, mas não é dramática; é resignada, como quem olha o tempo a passar sem lutar contra ele.

Delius escreveu-o já no fim da vida, praticamente cego e doente. E isso sente-se:

  • as frases são longas, suspensas,

  • a orquestra não disputa protagonismo, apenas ampara,

  • o violoncelo parece carregar memórias em vez de notas.

Há momentos em que parece que a música não quer acabar, apenas continuar a existir — como um pensamento que não se resolve. É mais paisagem emocional do que narrativa.

Se eu tivesse de resumir num sentimento:

👉 é um adeus dito sem lágrimas

sábado, 24 de fevereiro de 2024

Prokofiev-Violino Concerto No.1 em re maior op.19

Sergei Prokofiev começou seu Concerto para violino nº 1 em Ré maior, Op. 19, como concertino em 1915, mas logo o abandonou para trabalhar em sua ópera The Gambler. 

Ele voltou ao concerto no verão de 1917. Foi estreado em 18 de outubro de 1923 na Ópera de Paris, com Marcel Darrieux tocando violino e a Orquestra da Ópera de Paris dirigida por Serge Koussevitzky.

O Concerto para Violino nº 1 em Ré maior, Op. 19 de Serguei Prokofiev é uma das obras mais originais e poéticas do repertório violinístico do século XX. Foi composto entre 1915 e 1917, durante um período em que Prokofiev ainda vivia na Rússia, pouco antes de deixar o país após a Revolução. Embora seja cronologicamente anterior ao Concerto n.º 2, acabou sendo estreado mais tarde — o que dá uma curiosa inversão na sua história.

Originalmente Prokofiev pretendia escrever um concerto em estilo mais “virtuosístico” para mostrar suas habilidades pianísticas e composicionais — mas acabou produzindo uma obra de delicadeza lírica e refinamento orquestral, bastante distinta do seu estilo mais ácido e percussivo de outras peças do período.

Estrutura da Obra

O concerto tem três movimentos:

  1. Andantino – Andante assai

    • O violino inicia com uma melodia etérea e sonhadora, quase como uma canção sem palavras.

    • A orquestra acompanha de forma leve e transparente, com uma escrita que evoca paisagens suaves e oníricas.

    • A seção central é mais agitada, mas a música retorna ao caráter inicial.

    • Esse movimento revela um Prokofiev mais lírico e introspectivo, com harmonias modais e um senso de fantasia.

  2. Scherzo: Vivacissimo

    • Um contraste explosivo com o primeiro movimento.

    • O violino executa passagens extremamente ágeis, saltitantes e irônicas, em típico estilo “mordaz” de Prokofiev.

    • As mudanças métricas e rítmicas rápidas criam um efeito quase mecânico, cheio de humor ácido.

    • É tecnicamente desafiante para o solista — exige leveza, precisão e clareza rítmica.

  3. Moderato – Allegro moderato

    • Começa de modo tranquilo e contemplativo, com uma melodia ampla e sonhadora.

    • Gradualmente cresce em intensidade, conduzindo a uma parte final mais afirmativa e grandiosa.

    • Curiosamente, o concerto termina de forma delicada, retomando o tema inicial do primeiro movimento no registro agudo do violino — como se fechasse um círculo poético.

Contexto Estilístico

Este concerto mistura lirismo quase impressionista com a ironia rítmica típica de Prokofiev.

  • Diferente dos concertos “heroicos” de Tchaikovsky ou Sibelius, aqui a virtuosidade está integrada à música, sem exibições gratuitas.

  • A escrita orquestral é clara e colorida, com uso engenhoso das madeiras e cordas em diálogos leves.

  • A atmosfera do primeiro e terceiro movimentos influenciou inclusive compositores franceses, o que fez a obra encaixar-se bem no gosto parisiense dos anos 1920.

Curiosidades

  • Prokofiev escreveu parte da obra enquanto trabalhava na sua Primeira Sinfonia (“Clássica”), o que explica certa leveza e transparência na instrumentação.

  • Embora o concerto n.º 2 tenha sido escrito depois (1935), ele foi estreado antes, em 1935, tornando-se mais popular inicialmente.

  • O Concerto n.º 1 conquistou popularidade principalmente graças à violinista Joseph Szigeti, que foi um de seus grandes defensores.

Por que é importante

  • Marca uma das primeiras obras-primas do jovem Prokofiev, revelando seu lado poético, muitas vezes ofuscado por sua reputação de compositor “mordaz” ou “percussivo”.

  • É uma peça central no repertório moderno de violino, tocada por grandes intérpretes como David Oistrakh, Itzhak Perlman, Hilary Hahn e Lisa Batiashvili.

  • Sua forma circular (começar e terminar etereamente), linguagem harmônica fresca e equilíbrio entre lirismo e virtuosidade fizeram dela uma obra singular no início do século XX.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Sibelius-Sinfonia nº6 em ré menor op.104

Em 1923, a 19 de Fevereiro, Jean Sibelius estreia em Helsinquia, a sua 6ª Sinfonia em ré menor op.104, conduzida pelo autor. A 6ª Sinfonia em Ré menor, Op. 104, de Jean Sibelius, é uma das suas obras mais intrigantes e singulares dentro da sua produção sinfónica. Composta entre 1923 e 1924, ela reflete um período da vida de Sibelius marcado por uma maior introspecção e experimentação musical. Em comparação com as sinfonias anteriores, a 6ª é mais sutil, mais delicada e, de certa forma, mais minimalista em termos de orquestração e desenvolvimento temático. Aqui estão algumas características notáveis: Estrutura e Estilo: A sinfonia tem 4 movimentos, e a música é marcada por uma atmosfera mais serena e contemplativa, com algumas passagens que podem ser interpretadas como espirituais ou até mesmo místicas. A escrita orquestral é bem detalhada, embora não tão densa quanto em algumas de suas obras anteriores, como na 5ª Sinfonia. Tonalidade e Ambiência: Embora comece em ré menor, a sinfonia apresenta uma progressão tonal bastante fluida, com muitas mudanças de tonalidade que criam uma sensação de busca ou transição. Ao contrário de outras sinfonias de Sibelius, que podem ter momentos grandiosos e de impacto dramático, a 6ª tem um caráter mais introspectivo e até algo melancólico em certos momentos. Orquestração: A orquestração é mais econômica, com um uso mais claro das texturas e das cores. Sibelius prefere, em grande parte, deixar os instrumentos se expressarem com clareza, sem sobrecarregar a partitura com camadas excessivas de som. Influências e Contexto: Essa sinfonia foi composta depois de um período em que Sibelius estava se afastando de grandes projetos, tendo enfrentado problemas pessoais e financeiros. Ela reflete uma fase mais sombria, com uma sensação de solidão ou introspecção, mas também de uma busca por serenidade e clareza. Recepção: Quando foi estreada, a 6ª Sinfonia foi recebida de maneira mista. Muitos consideraram-na menos acessível e menos "grandiosa" do que as sinfonias anteriores de Sibelius. No entanto, com o tempo, ela ganhou o status de uma das sinfonias mais refinadas do compositor, sendo admirada pela sua subtileza e profundidade. >

sábado, 23 de janeiro de 2021

domingo, 11 de outubro de 2020

Bloch-Piano Quintet Nº.1

EM 1923 a 11 de Novembro, Ernest Bloch estreia em Nova Iorque o seu Piano Quintet nº 1 com Harold Bauercomo pianista

.O Quinteto para Piano n.º 1 de Ernest Bloch (composto em 1921–23) é uma das obras de câmara mais intensas e emocionalmente carregadas do início do século XX. 

Características gerais

  • Formação: piano + quarteto de cordas.

  • Duração: cerca de 30 minutos.

  • Estilo: expressionista, denso, com fortes tensões harmónicas e uma energia quase “orquestral”.

Atmosfera e linguagem

Bloch estava num período particularmente dramático e exploratório, e isso transparece:

  • Texturas densas, às vezes quase violentas.

  • Contrastes abruptos entre fúria e lirismo.

  • Influências modais e um certo “primitivismo” que muitos associam à espiritualidade judaica típica de Bloch, mas aqui de forma mais crua e visceral.

Estrutura dos movimentos

  1. Agitato – um movimento turbulento, com ritmos incisivos e ambiente tenso.

  2. Andante mistico – um dos trechos mais belos, misterioso, quase ritualístico.

  3. Allegro energico – vigoroso, com grande impacto rítmico e final arrebatador.

Como experiência

É uma obra que exige atenção: densa, emocionalmente complexa, com um piano altamente percussivo que desafia e domina o discurso. Para quem gosta de música de câmara com força dramática, é uma peça inesquecível.   

domingo, 4 de julho de 2010

4 de Julho



  • Em 1923 Vaughan Williams estreia no Kneller Hall a sua suite English Folk Song Suite para banda militar .
Aqui a interpretação é da ORCHESTRA FILARMONICA DI LUCCA coduzida por ANDREA COLOMBINI 

domingo, 30 de maio de 2010

Howard Hanson-Sinfonia Nº 1 em mi menor op.21 "Nordica



  • Em 1923 Howard Hanson estreou em Roma a sua Sinfonia No 1 em mi menor op.21 "Nordica",

A Sinfonia No. 1 em mi menor, Op. 21 "Nórdica" (Nordic Symphony) de Howard Hanson é uma peça verdadeiramente fascinante e, embora não tão amplamente conhecida como algumas sinfonias de compositores europeus mais famosos, ela tem um charme muito especial

    • Composição: Hanson compôs esta sinfonia entre 1922 e 1923, enquanto era estudante na Itália com uma bolsa de estudos (Prix de Rome). Ela foi a sua primeira grande sinfonia e já demonstra muitas das características que viriam a marcar sua obra: lirismo, harmonias ricas e uma clara inspiração na música romântica europeia.

    • O subtítulo "Nórdica" reflete a herança sueca de Hanson e a sua afinidade com os compositores escandinavos, especialmente Sibelius e Grieg. A música carrega uma sensação de grandeza natural, de vastidão e lirismo que ecoa a paisagem nórdica.

    • A sinfonia é estruturada em três movimentos:

      1. Andante solenne – Allegro con forza – Um início solene que se transforma num allegro vigoroso e heróico.

      2. Andante teneramente, con semplicita – Um movimento lento e expressivo, cheio de lirismo e serenidade.

      3. Allegro con fuoco – Um finale cheio de energia e brilho orquestral, com temas vibrantes e um final entusiástico.

    A "Nórdica" é uma obra cheia de juventude e entusiasmo. Não tem a complexidade estrutural das últimas sinfonias de Mahler ou a profundidade filosófica de um Sibelius maduro, mas é uma obra fresca, lírica e evocadora, que mostra claramente o caminho que Hanson seguiria com obras posteriores como a famosa Sinfonia No. 2 "Romântica".

Aqui a interpretação é da Nashville Symphony Orchestra - conduzida por  Kenneth Schermerhorn -