A Scythian Suite, Op. 20 (1915) é basicamente Prokofiev a dizer ao mundo: “segurem-me a partitura que hoje vou assustar Paris”. É brutal, pagã, rítmica até aos ossos, cheia de arestas. Nada de conforto — aqui há terra, fogo, sacrifício e deuses antigos.
Em 1916 a 16 de Janeiro Sergei Prokofiev estreia a Scythian Suite op.20
Alguns pontos que a tornam tão especial:
Violência rítmica: marteladas orquestrais, acentos deslocados, uma energia quase primitiva. Dá para sentir o chão a tremer.
Harmonia agressiva: dissonâncias cruas, sem pedir desculpa. Não é “feia” — é intencionalmente áspera.
Orquestra monstruosa: metais em fúria, percussão tribal, cordas em tensão constante. Prokofiev explora o limite físico do som.
Atmosfera pagã: escrita a partir de um bailado sobre rituais citas — sacrifícios, deuses solares, forças arcaicas. Tudo muito pré-cristão, quase mítico.
Os andamentos são todos fortes, mas:
“A Adoração de Veles e Ala” já chega a esmagar.
“A Procissão do Sol” é hipnótica e ameaçadora.
“O Ídolo de Lolli e o Cortejo dos Sete Ídolos” fecha com uma fúria quase apocalíptica.
Curiosidade deliciosa: na estreia, muita gente ficou chocada. Era demais. Hoje soa visionária — um antepassado direto do Stravinsky mais brutal e até de certas linguagens do cinema épico moderno.
Em 1886 a 27 de Agosto, nasceu em Hucknall em Nottinghamshir Eric Coates que viria a morrer em Chichester após ter sofrido um acidente vascular cerebral a 21 de Dezembro de 1957
Uma das suas principais obras é a London Suite
A London Suite de Eric Coates é uma das obras orquestrais mais conhecidas do compositor inglês, escrita em 1933. Coates, muitas vezes lembrado como “o mestre da música ligeira britânica”, tinha o dom de criar melodias cativantes, muito associadas ao espírito inglês do início do século XX.
A London Suite é composta por três movimentos, cada um evocando um lugar característico da cidade de Londres:
Covent Garden (Tarantelle) – Alegre, movimentado, cheio de energia, como a própria atmosfera do mercado e da vida teatral da zona.
Westminster (Meditation) – Mais solene e reflexivo, quase como uma homenagem à dignidade do Parlamento e da Abadia de Westminster.
Knightsbridge (March) – O movimento mais famoso da suíte, com uma marcha vibrante e otimista. Tornou-se muito popular e chegou a ser usado como tema musical pela BBC para o programa de rádio In Town Tonight.
O estilo de Coates nessa suíte é típico dele: melodias claras, acessíveis, orquestração colorida e uma forte ligação com a vida urbana e popular. Diferente da música “sinfónica pesada” de outros contemporâneos, Coates escrevia para encantar e ser imediatamente reconhecível — daí o enorme sucesso na rádio e no cinema.
A Sinfonia nº 2 em Fá sustenido menor, Op. 16, foi composta por Alexander Glazunov em 1884-1886, estreada em 1886 em São Petersburgo e publicada em 1889.[1] É dedicado à memória de Franz Liszt.
foi apresentada pela primeira vez em São Petersburgo em 5 de novembro de 1886.
Bernard Zweers (1854-1924), nascido em Amsterdão, ensinou teoria e composição no Conservatório de sua cidade natal, de 1895 a 1922. Aos vinte e poucos anos, estudou durante um ano em Leipzig com Salomon Jadassohn.
A produção de Zweers inclui muitas obras vocais e corais (principalmente textos holandeses), música incidental e três sinfonias.
Concluída em 1890 e intitulada Aan mijn vaderland (“Para o meu país”), a épica Terceira Sinfonia de Zweers dura pouco mais de uma hora, sendo o seu progresso utilmente marcado por um lema ouvido no início.
Tanto o primeiro quanto o terceiro movimentos (“Nas florestas holandesas” e “Na praia e no mar”) são moldados em forma de fantasia e emolduram um Scherzo encantadoramente barulhento (“No país”).e o final (“To the capital”)
EM 1886a 24 de Novembro, Brahms estreia o seu Cello Sonata No. 2 em fá maior Op. 99 em Viena
Mais de vinte anos depois de completar sua Sonata nº 1 .
Foi escrito dedicado e executado pela primeira vez por Robert Hausmann , que popularizou a Primeira Sonata, e que no ano seguinte receberia a honra de estrear o Concerto Duplo em Lá Menor com Joseph Joachim .
é uma das obras mais intensas, vigorosas e dramaticamente contrastantes do repertório para violoncelo. Composta em 1886, durante o chamado “verão mágico de Thun”, é uma peça onde Brahms alcança plena maturidade expressiva.
Aqui vai um panorama do que a torna tão especial:
1. Caráter geral da obra
Ao contrário da Sonata nº1 (mais íntima, densa e meditativa), a Sonata Op. 99 é brilhante, poderosa e de grande virtuosismo — para ambos os instrumentos.
Tem um diálogo altamente dramático entre violoncelo e piano, com o piano assumindo um papel quase sinfónico.
2. Estrutura dos quatro movimentos
I. Allegro vivace
Começa com uma energia quase impetuosa.
O violoncelo entra com frases amplas e apaixonadas, enquanto o piano oferece blocos sonoros robustos.
É um combate elegante: tensão, expansão lírica e arrebatamento.
II. Adagio affettuoso
Um dos movimentos mais belos que Brahms escreveu.
Melodias longas, tocadas quase “como canto”, com uma atmosfera contemplativa.
O calor lírico é profundo, mas nunca excessivamente sentimental — típico de Brahms.
III. Allegro passionato
Carregado de turbulência e urgência.
Ritmos obsessivos, harmonias densas e um espírito atormentado, quase trágico.
Um estudo perfeito do “Brahms tempestuoso”.
IV. Allegro molto
Mais leve, mas não menos complexo.
Traz um frescor rítmico e uma espécie de resolução vigorosa.
Um final brilhante e cheio de vida.
3. Por que é tão admirada?
É uma obra de igualdade verdadeira entre violoncelo e piano.
Exige técnica refinada, mas — mais que isso — um entendimento profundo da dialética emocional de Brahms: calor x contenção, força x ternura, nobreza x vulnerabilidade.
Em 1886, a 31 de julho, morre Franz List em Bayreuth com 74 anos nascera em Doborjan em 22 de Outubro de 1811 .
Aqui apresento o seu Piano Concerto No. 3 em mi bemol maior S125 a foi possivelmente composto em 1839. Diz-se que esta peça foi composta antes de os dois primeiros concertos, mas a data não é conclusiva, pois há informações que não foi concluída até 1847.
O Concerto para Piano nº 3 em Mi bemol maior, S.125a de Franz Liszt é uma obra incompleta e menos conhecida, muitas vezes ofuscada pelos seus dois concertos mais famosos: o nº1 em Mi bemol maior, S.124, e o nº2 em Lá maior, S.125. O Concerto nº3 é uma peça envolta em mistério,
Composição: Acredita-se que Liszt tenha esboçado esse concerto na década de 1830 ou 1840.
Esquecido por décadas: Após sua morte, os manuscritos foram esquecidos e dispersos.
Redescoberta: O concerto só foi reconstruído no século XX. Em 1989, o musicólogo Jay Rosenblatt reuniu os fragmentos que estavam em diferentes bibliotecas (incluindo a Biblioteca Nacional da França e a Biblioteca de Weimar).
Estreia póstuma: A primeira apresentação pública foi em 1990, com o pianista Janina Fialkowska e a Orquestra Filarmônica de Chicago, regida por Kenneth Jean.
Estrutura
O concerto segue, em linhas gerais, o formato tradicional tripartido (3 movimentos), mas com forte unidade temática, algo típico do estilo maduro de Liszt. A duração média é de 18 a 20 minutos.
Allegro maestoso
Abertura grandiosa, como no Concerto nº1, com fortes acordes e um tema nobre.
Diálogo entre piano e orquestra bastante direto, com transições líricas e passagens virtuosas.
Adagio
Movimento lírico e introspectivo, com certo lirismo romântico que antecipa Rachmaninoff.
O piano canta mais do que brilha, com harmonia refinada.
Finale – Allegro vivace
Um final enérgico, com retomadas dos temas anteriores e muito virtuosismo pianístico.
Final triunfante e breve, sem excessos.
Curiosidades
Muitos estudiosos não sabiam da existência desse concerto até o final do século XX.
É chamado às vezes de "Concerto Esquecido" ou “Concerto Perdido”.
Sua autenticidade já foi questionada, mas hoje é geralmente aceito como uma obra legítima de Liszt, embora inacabada e reconstruída.
Liszt não fez menção a este concerto terceiro em seus escritos, de modo a existência da obra era desconhecido para os investigadores.
Este concerto foi estreado por Janina Fialkowska em 1990 com a Orquestra Sinfónica de Chicago .
A interpretação é da pianista Stephen Mayer, conduzido por Paul Freeman e acompanhado pela State Symphony Orchestra of Russia
Em 1886 Camille Saint-Saen estreia em Londres a sua Sinfonia No. 3 em dó menor op.78 "the Organ Symphony" para organ, 2 pianos e orquestra.
A Sinfonia nº 3 em dó menor, Op. 78, de Camille Saint-Saëns, também conhecida como "Sinfonia com órgão", é uma das obras sinfônicas mais imponentes e emocionantes do repertório romântico francês — e certamente a mais célebre entre as sinfonias de Saint-Saënz
Estrutura e características
Apesar de ter dois movimentos numerados, a sinfonia se divide, na prática, em quatro seções, que fluem sem interrupção.
A obra é inovadora ao integrar o órgão de tubos como um protagonista orquestral, não como solista de concerto, mas parte integral da textura sinfônica.
Saint-Saëns também introduz o piano (a quatro mãos) discretamente, adicionando uma coloração especial.
Início sombrio e dramático, marcado por tensão e mistério. A tonalidade de dó menor remete ao destino, como em Beethoven.
Um desenvolvimento intenso e muito orquestrado, alternando momentos vigorosos e contemplativos.
O segundo movimento (lento) é de grande lirismo e espiritualidade, onde o órgão entra com suavidade, quase como um sussurro da eternidade.
O final é triunfante: o famoso acorde do órgão, brilhante e pleno, explode em dó maior — uma verdadeira apoteose, muitas vezes descrita como “celestial”.
Foi dedicada à memória de Franz Liszt, que faleceu em 1886, o mesmo ano da estreia da obra.
O próprio Saint-Saëns disse: “Eu dei tudo o que pude dar... o que fiz, jamais farei novamente.”
Ela é muitas vezes interpretada como a culminância de sua produção sinfônica — e de fato foi sua última sinfonia numerada
Aqui toca a Orchestre de Paris
Paavo Järvi, conductor