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domingo, 14 de dezembro de 2025

Samuel Barber-String Quartet em si menor Op. 11

O Quarteto de Cordas em si menor, Op. 11, do Samuel Barber, é jovem (ele tinha 26 anos), mas já traz tudo o que o define: lirismo intenso, clareza emocional e aquela recusa quase teimosa em seguir modas modernistas. Barber escreve como quem sente primeiro e explica depois.
Foi estreado em 1936  a 14 de Dezembro em Roma

Estrutura
São três andamentos:

  1. Molto allegro e appassionato – inquieto, nervoso, com uma tensão que nunca se resolve totalmente.

  2. Molto adagio – aqui mora o coração da obra.

  3. Molto allegro (come prima) – retoma o impulso inicial, mas já marcado pelo que foi dito antes.

  4. O Adagio

O segundo andamento é o célebre Adagio for Strings em sua forma original. E não é exagero dizer que é uma das páginas mais comoventes do século XX.
A melodia sobe devagar, quase como uma respiração contida, cresce em dor sem jamais virar desespero explícito, e depois se desfaz num silêncio que pesa.

Não é sofrimento teatral — é dor digna, recolhida, quase espiritual. Por isso funciona tão bem tanto em contextos íntimos quanto em cerimônias públicas de luto.

Linguagem
Harmonicamente, Barber é conservador para a época, mas isso é virtude aqui. Ele usa a tonalidade não como prisão, mas como campo emocional estável, onde pequenas dissonâncias ferem mais fundo.
Nada soa gratuito. Tudo parece inevitável.

Impressão geral
É uma obra sobre:

  • contenção emocional

  • fragilidade humana

  • beleza que dói sem gritar

  

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Rachmaninov-Sinfonia nº3 em lá menor op.44

..
Sergei Rachmaninoff compôs sua Sinfonia No. 3 em Lá menor, Op. 44, entre 1935 e 1936 e estreou em 06 de Novembro de 1936, sob a batuta de Leopold Stokowski conduzindo a Orquestra de Filadélfia.

A sinfonia tem apenas três movimentos, mas a central assume o duplo papel de movimento lento e scherzo, que é uma inovação Rachmaninoff.

Sinfonia n.º 3 , é uma obra de maturidade, escrita em 1935–36, já no exílio, e carrega muito da nostalgia e da elegância melódica que caracterizam o compositor. É, ao mesmo tempo, uma despedida do romantismo e uma tentativa de reconciliar-se com um mundo musical em mudança.

Contexto e atmosfera

Foi composta em Lucerna, na Suíça, quando Rachmaninov, após anos de silêncio sinfónico, decide revisitar a grande forma orquestral — a última sinfonia que escreveria. O exílio e a saudade da Rússia estão impressos em cada página: é uma obra mais íntima e concentrada do que a exuberante Segunda Sinfonia, mas também mais moderna, com harmonias mais ousadas e uma orquestração mais transparente.

Estrutura e caráter

  1. Lento – Allegro moderato:
    Abre com um motivo sombrio e misterioso, que volta como um “fantasma” ao longo da obra — uma espécie de leitmotiv do destino. O movimento cresce em energia e brilho rítmico, mas sempre com aquele lirismo melancólico tipicamente rachmaninoviano.

  2. Adagio ma non troppo – Allegro vivace:
    O segundo movimento é de uma beleza rara — o clarinete solista canta uma melodia de nostalgia quase litúrgica. No meio surge uma secção dançante, quase um scherzo, lembrando antigas danças russas. Há aqui o coração emocional da sinfonia.

  3. Allegro – Allegro vivace – Allegro:
    O final mistura vigor e despedida. Rachmaninov combina temas antigos e novos, e termina de modo quase abrupto — não triunfante, mas resignado, como se fechasse um ciclo.

Estilo e emoção

Apesar de ser menos popular que a Segunda Sinfonia, a Terceira é mais refinada e contida, com traços de modernidade russa filtrada pela memória. O uso de motivos litúrgicos ortodoxos e o tom elegíaco tornam-na uma espécie de testamento espiritual.

Em resumo, é uma sinfonia de saudade e lucidez — a música de quem olha para o passado com ternura, mas sabe que não pode regressar.


Aqui a interpretação é da 

 

segunda-feira, 19 de abril de 2021

Alban Berg-Violin concerto

O Concerto para Violino de Alban Berg foi escrito em 1935 (a partitura é datada de 11 de agosto de 1935). 
Berg compô-lo  por encomenda de Louis Krasner , e se tornou o último trabalho que ele concluiu. 
Krasner interpretou a parte solo em estreia no Palau de la Música Catalana , Barcelona , a 19 de abril de 1936, após a morte do compositor.

O título é "Concerto para Violino: À memória de um anjo",
É dedicado à memória de Manon Gropius, filha de Alma Mahler (viúva de Gustav Mahler) e do arquiteto Walter Gropius. Manon morreu aos 18 anos de poliomielite, e Berg ficou profundamente tocado pela sua morte.

Berg pertence à Segunda Escola de Viena, e o concerto combina:

  • atonalidade e dodecafonismo (como era típico da escola de Schoenberg),

  • com elementos tonais, especialmente no final.

Apesar de usar a técnica dodecafónica (com série de 12 sons), ele consegue preservar uma grande expressividade lírica — quase romântica.

A peça tem dois andamentos, mas cada um com subdivisões internas:

  1. Primeira parte: vida de Manon — um retrato do mundo juvenil, com danças folclóricas e uma escrita luminosa.

  2. Segunda parte: morte e transfiguração — começa com tons sombrios, culmina numa citação do coral de Bach “Es ist genug” (É suficiente), um momento de profunda espiritualidade.

O concerto é uma meditação sobre a vida e a morte, não só de Manon, mas talvez também de Berg — ele morreria pouco depois, em 1935, sem ouvir a estreia da obra.

sábado, 23 de janeiro de 2021

Carlos Chavez-Sinfonia No. 2 India

Sinfonía india é a sinfonia nº 2 de Carlos Chávez , composta em 1935-1936.foi estreada no dia 23 de janeiro de 1936 numa transmissão radiofónica em Nova Iorque, com o próprio Chávez a reger a Columbia Broadcasting Orchestra 

Em um único movimento, suas seções seguem o padrão tradicional para uma sinfonia de três movimentos. O título significa que o material temático consiste em três melodias originárias de tribos nativas americanas do norte do México . 

A sinfonia é a composição mais popular de Chávez.É uma obra fascinante porque não “folcloriza” o indígena no sentido decorativo; ela encarna ritmos, escalas e pulsões das culturas indígenas mexicanas. Chávez não está a citar melodias por exotismo: ele constrói a sinfonia a partir da lógica rítmica e sonora indígena, sobretudo yaqui. 

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

31 de Dezembro

No último dia do ano de 1724, JS Bach estreia em Leipzig, a Cantata no.122: Das neugebor'ne Kindelein (1 º domingo depois do Natal), BWV122.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

8 de Novembro

  • Em 1936 Jean Françaix estreia em Berlim o seu Piano Concerto. com a Berlin Philharmonic, com o compositor como solista
  • 1ºmov-Allegro

  • 2ºmov.-Andante

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Ottorino Respigh-Festivais Romanos



Em 1879 nasceu em Bolonha, Ottorino Respighi um compositor italiano que viria a falecer em Roma em 1936 a 18 de Abril


O ano de 2009 comemora o 80 º aniversário da estreia de Festivais Romanos, com Arturo Toscanini conduzindo a New York Philharmonic em 21 de fevereiro de 1929. T"Epiphany"

Feste Romane" (Festivais Romanos) de Ottorino Respighi é a mais grandiosa e explosiva das três obras orquestrais que compõem a célebre trilogia romana do compositor (juntamente com Fontane di Roma e Pini di Roma). Composta em 1928, é uma verdadeira celebração da cor orquestral, da exuberância histórica e do dramatismo italiano.


🎭 Sobre a obra

  • Feste Romane é um poema sinfônico em quatro movimentos, cada um retratando uma cena festiva da Roma antiga ou barroca.

  • Respighi vai ao limite do que uma orquestra pode fazer — é uma das partituras mais difíceis e exigentes do repertório sinfônico moderno.

  • Mais do que descritiva, a peça é cinematográfica, quase operática em intensidade.


📜 Os quatro movimentos (com breves descrições)

  1. Circenses (Os Jogos Circenses)

    • Evoca os gladiadores no Coliseu, com multidões aclamando.

    • Um clima selvagem, brutal, quase pagão.

    • Uso de metais em profusão, percussão implacável, dissonâncias violentas.

  2. Giubileo (Jubileu)

    • Atmosfera contemplativa e religiosa.

    • Um peregrino chega a Roma, ouvimos sinos ao longe, cânticos, e uma sensação de redenção.

    • Belíssimo uso de cordas e harpas, com intervenções de órgão e metais evocando espiritualidade.

  3. L’Ottobrata (Outubro)

    • Um cenário bucólico e pastoral, com caçadas e danças de outono.

    • Tema mais leve e galante, com solos encantadores de clarinete e cordas dançantes.

    • Celebra a beleza do campo romano com vivacidade e elegância.

  4. La Befana (A Epifania)

    • Uma festa popular na Piazza Navona, com frenesi carnavalesco.

    • Mistura de sons grotescos e alegres, como se estivéssemos no meio de uma multidão em êxtase.

    • Respighi cita canções folclóricas italianas e constrói um final avassalador, quase caótico.