sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Schubert-String quartet Nº14 em ré menor 810

Em 1826  a 29 de  Janeiro Schubert estreia em Viena o seu String Quartet Nº14 em ré menor 810  o famoso “A Morte e a Donzela”

É uma obra escrita em 1824, quando Schubert já vivia com a consciência muito clara da própria fragilidade. A morte aqui não é metáfora distante: é presença sentada à mesa.

Alguns pontos que tornam este quarteto tão arrebatador:

1. O primeiro andamento (Allegro)
Começa quase sem pedir licença. A tensão é constante, nervosa, como se a música respirasse com dificuldade. Não há descanso verdadeiro — mesmo os momentos líricos parecem vigiados pela sombra da morte. É Schubert lutando, não aceitando.

2. O segundo andamento (Andante con moto)
O coração da obra. Ele usa o tema do lied “Der Tod und das Mädchen”. Aqui a morte não grita — ela fala baixo. É uma marcha lenta, resignada, quase hipnótica. Não há desespero teatral; há uma tristeza lúcida, madura. Aquela dor que já cansou de chorar.

3. O Scherzo
Sombrio, áspero, quase cruel. Não tem a leveza típica do scherzo clássico. Parece uma dança forçada, como se a vida continuasse a mexer-se mesmo quando já não acredita muito nisso.

4. O Finale (Presto)

Implacável. Ritmo de tarantela — dança associada à morte, ao transe. Aqui não há conciliação. É corrida, vertigem, fim. A música não se despede: cai.    

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