terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Mozart-Sinfonia nº38 em ré maior"Praga" K504

No ano de 1787 a 19 de Janeiro, Mozart estreia em Praga a sua Sinfonia Nº 38 em ré Maior K504, conhecida simplesmente por "Praga"

A introdução lenta é longa, solene, quase cerimonial. Não é decorativa: ela cria expectativa, tensão contida, como se Mozart estivesse a abrir um grande pano de boca.

 Quando o Allegro entra, é luz total — vivo, articulado, cheio de pequenos jogos rítmicos. Há ali uma alegria refinada, não exuberante demais, mas segura de si.

2. Orquestração mais rica (e ousada)
Aqui Mozart dispensa os habituais quatro movimentos e escreve apenas três — o que já quebra a norma. Em compensação, dá mais peso aos sopros, especialmente oboés e fagotes. O diálogo entre cordas e sopros é constante, quase operático. Dá para sentir a mão do compositor de ópera a respirar por trás da sinfonia.

3. O Andante é pura conversa íntima
Nada de sentimentalismo excessivo. É um movimento de equilíbrio, de frases longas, elegantes, como um passeio calmo por uma cidade que se ama. Há melancolia, sim, mas sempre com dignidade — uma tristeza luminosa, se isso faz sentido.

4. Finale: inteligência em movimento
O último movimento é brilhante sem ser espalhafatoso. Rápido, articulado, cheio de contrapontos e surpresas. É Mozart a sorrir com ironia, mostrando que leveza também pode ser profundamente sofisticada.

5. Por que “Praga”?

Porque foi Praga que a acolheu com entusiasmo em 1787, num momento em que Viena andava mais fria com ele. Os praguenses entendiam Mozart — e ele sentia isso. A sinfonia tem algo de gratidão, de afirmação serena do próprio valor. 

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