É a última obra que ele escreveu na Hungria, em 1939, já com a sombra do exílio e da guerra bem presente. E isso sente-se. Cada andamento começa com aquele “Mesto” (triste, melancólico), como se a música respirasse sempre a mesma dor, mas vista de ângulos diferentes. Esse refrão emocional vai-se transformando: primeiro contido, depois mais pesado, até chegar ao fim… onde já não há fuga possível.
O que eu acho especialmente bonito (e duro) neste quarteto é:
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a sensação de despedida — não é dramática no sentido romântico, é seca, lúcida, quase resignada;
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a forma como Bartók mistura a sua linguagem moderna com ecos de canto popular, mas tudo filtrado por uma tristeza muito pessoal;
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o último andamento, lento e inteiro em “Mesto”, que parece aceitar o silêncio como destino.
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