sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Schumann-Piano Concerto op.54

No primeiro dia do ano de 1847 estreia-se em Viena o Piano Concerto op.54 de Schumann, com a famosa pianista e sua esposa Clara como solista.monólogo interior.

É uma obra profundamente íntima, quase confessional. Diferente dos concertos virtuosos à moda do século XIX, aqui o piano não quer brilhar sozinho: ele dialoga. O piano pensa, a orquestra responde; às vezes é o contrário. É música de conversa baixa, olho no olho.

Primeiro andamento – Allegro affettuoso
Logo no início, aquele acorde dramático do piano parece um desabafo contido. Há paixão, sim, mas sempre controlada, como quem sente demais e tem medo de dizer tudo. Schumann escreve “affettuoso” — e é isso: afeto, não exibicionismo. É quase um monólogo interior.


Intermezzo – Andantino grazioso
Aqui está o coração da obra. Nada de pausa espetacular: é um caminhar delicado, quase doméstico. Muitos veem nele um retrato de Clara Schumann — ternura, cumplicidade, um amor que se entende sem palavras. É música que sorri por dentro.

Final – Allegro vivace
A alegria chega, mas não é euforia vazia. É uma alegria conquistada, madura, como quem atravessou sombras e decidiu dançar mesmo assim. O tema é leve, quase travesso, mas sempre com aquele fundo de humanidade tão schumanniano.

No todo, é um concerto sobre sentir e pensar ao mesmo tempo. Não há heróis nem fogos de artifício — há fragilidade, calor, diálogo. Talvez por isso toque tanto quem escreve, quem sonha, quem vive no espaço entre a razão e o abismo. 

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