Musicalmente, acho fascinante como Brahms evita o virtuosismo ostensivo.
Nada de pirotecnia gratuita. As variações são:
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densas, mas nunca pesadas
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contidas, quase pudicas
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profundamente contrapontísticas, como quem pensa mais do que confessa
É de uma simplicidade quase desarmante. Ingénuo à superfície, mas já com aquela melancolia schumanniana de fundo. Brahms não o “embelezou”: ele respeitou-o. Isso é importante — tudo o que vem depois nasce dessa fidelidade.
Variação I
Brahms começa com cuidado extremo. O tema ainda está ali, reconhecível, mas envolto num leve véu harmónico. É como se dissesse: “não vou tocar no que é frágil sem pedir licença.”
Variação II
Uma certa doçura melancólica. Nada de brilho. Parece uma lembrança vista à distância, com ternura, mas sem nostalgia excessiva. Clara está muito presente neste clima.
Variação IV
Mais densidade rítmica. O discurso fica mais sério, quase severo. Brahms mostra o lado estruturador, clássico, como quem se agarra à forma para não se perder na emoção.
Variação V
Aqui o contraponto respira melhor. As vozes conversam entre si — não há protagonista absoluto. Isto soa quase como um diálogo interior, ou uma conversa que nunca aconteceu.
Variação VII
Mais fluida, quase um alívio momentâneo. Como um raio de luz tímido, mas passageiro. Brahms permite-se respirar… por instantes.
Variação VIII
Volta a introspeção. O tema está fragmentado, como memória que se recompõe aos pedaços. Muito humana esta variação.
Variação IX
Talvez a mais “brahmsiana” no sentido pleno: textura espessa, vozes entrelaçadas, tempo suspenso. Aqui já não é Schumann — é Brahms falando através de Schumann.
Variação XI
Uma serenidade madura. Não há tensão, não há luta. Apenas permanência. Isto soa a aceitação — talvez a mais bela forma de fidelidade.
Final (Andante)
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