domingo, 31 de janeiro de 2021
Schubert-Sinfonia nº3 em ré maior D.200
sexta-feira, 29 de janeiro de 2021
29 de Janeiro
quarta-feira, 27 de janeiro de 2021
Bach-Cantata nº 072 BWV 072 Alles nur nach Gottes Willen,
terça-feira, 26 de janeiro de 2021
26 de Janeiro
segunda-feira, 25 de janeiro de 2021
domingo, 24 de janeiro de 2021
24 de Janeiro
Saint-Saenz-Dança Macabra op.40
sábado, 23 de janeiro de 2021
23 de Janeiro
23 de Janeiro
sexta-feira, 22 de janeiro de 2021
Glazunov-Sinfonia Nº. 4 mi sustenido maior op.48,
quinta-feira, 21 de janeiro de 2021
quarta-feira, 20 de janeiro de 2021
Brahms. 2 Rapsódias para piano op.79.
,Charles Ives-Piano Sonata No. 2 Sonata Concorde
20 de Janeiro
terça-feira, 19 de janeiro de 2021
19 de Janeiro
segunda-feira, 18 de janeiro de 2021
18 de Janeiro
18 de Janeiro
domingo, 17 de janeiro de 2021
Albinoni-Adagio em sol menor
sábado, 16 de janeiro de 2021
Borodin-Sinfonia nº1 em mi bemol maior
sexta-feira, 15 de janeiro de 2021
Prokofiev-Chout (The Buffoon) Symphonic Suite from the Ballet op 21.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2021
Ralph Vaughan Williams-Sinfonia nº. 7 "Antártida"
quarta-feira, 13 de janeiro de 2021
J. S. Bach-Cantata BWV 32, "Liebster Jesu, mein Verlangen"
Prokofiev-Sinfonia nº5 em si maior
terça-feira, 12 de janeiro de 2021
Brahms-Variações sobre um tema de Schumann Op. 23
Musicalmente, acho fascinante como Brahms evita o virtuosismo ostensivo.
Nada de pirotecnia gratuita. As variações são:
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densas, mas nunca pesadas
-
contidas, quase pudicas
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profundamente contrapontísticas, como quem pensa mais do que confessa
É de uma simplicidade quase desarmante. Ingénuo à superfície, mas já com aquela melancolia schumanniana de fundo. Brahms não o “embelezou”: ele respeitou-o. Isso é importante — tudo o que vem depois nasce dessa fidelidade.
Variação I
Brahms começa com cuidado extremo. O tema ainda está ali, reconhecível, mas envolto num leve véu harmónico. É como se dissesse: “não vou tocar no que é frágil sem pedir licença.”
Variação II
Uma certa doçura melancólica. Nada de brilho. Parece uma lembrança vista à distância, com ternura, mas sem nostalgia excessiva. Clara está muito presente neste clima.
Variação IV
Mais densidade rítmica. O discurso fica mais sério, quase severo. Brahms mostra o lado estruturador, clássico, como quem se agarra à forma para não se perder na emoção.
Variação V
Aqui o contraponto respira melhor. As vozes conversam entre si — não há protagonista absoluto. Isto soa quase como um diálogo interior, ou uma conversa que nunca aconteceu.
Variação VII
Mais fluida, quase um alívio momentâneo. Como um raio de luz tímido, mas passageiro. Brahms permite-se respirar… por instantes.
Variação VIII
Volta a introspeção. O tema está fragmentado, como memória que se recompõe aos pedaços. Muito humana esta variação.
Variação IX
Talvez a mais “brahmsiana” no sentido pleno: textura espessa, vozes entrelaçadas, tempo suspenso. Aqui já não é Schumann — é Brahms falando através de Schumann.
Variação XI
Uma serenidade madura. Não há tensão, não há luta. Apenas permanência. Isto soa a aceitação — talvez a mais bela forma de fidelidade.
Final (Andante)
segunda-feira, 11 de janeiro de 2021
Magnificat de Domenico Cimarrosa
sábado, 9 de janeiro de 2021
9 de Janeiro
9 de Janeiro
9 de Janeiro
Shostakovitch-Sinfonia nº15 em lá maior op141
Sinfonia nº 15, op. 141, do Shostakovitch é daquelas obras que parecem sorrir enquanto escondem o abismo. Última sinfonia dele — e isso pesa em cada compasso.
À primeira vista, Lá maior sugere luz, resolução, até serenidade. Mas com o Shostakovitch nada é inocente. Esse “lá maior” soa quase irónico, como uma máscara colocada num rosto cansado.
O 1.º andamento começa quase como um brinquedo mecânico, leve, cheio de referências (o famoso aceno ao Guilherme Tell de Rossini). Parece infantil… mas é uma infância estranha, deslocada, como se a memória estivesse rachada.
O 2.º andamento (Adagio) é o coração da obra. Aqui já não há jogo: é desnudamento. Os solos (violoncelo, trombone) soam como vozes solitárias, quase confessionais — música que respira dificuldade, doença, fim.
O final mistura citações de Wagner (Tristão, Valquírias) e uma sensação de despedida que nunca se resolve. Os sinos, os silêncios, o esvaziar progressivo… não há triunfo, só aceitação ambígua.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2021
Schumann-Piano quinteto em mi bemol maior op.44
8 de Janeiro
quinta-feira, 7 de janeiro de 2021
7 de Janeiro
Liszt-Piano Concerto nº2 em lá maior,
7 de Janeiro
segunda-feira, 4 de janeiro de 2021
4 de Janeiro
domingo, 3 de janeiro de 2021
3 de Janeiro
sábado, 2 de janeiro de 2021
Rachmaninov-Danças Sinfónicas op.45
Foi a última obra que ele concluiu (1940), já no exílio, nos EUA. É como se ele olhasse para trás, para toda a vida, e dissesse: “é isto que sou”.
O que torna a obra tão especial
1. Três movimentos, três estados de alma
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I. Non allegro – começa quase sombrio, anguloso, rítmico. Há uma tensão contida, uma energia nervosa. É moderno, quase brutal em certos momentos, mas com aquela melancolia russa impossível de esconder.
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II. Andante con moto (Tempo di valse) – uma valsa fantasmagórica. Não é uma valsa para dançar; é uma valsa para lembrar. Há ironia, sombra, algo que gira sem nunca se
libertar.
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III. Lento assai – Allegro vivace – aqui está o coração da obra. O confronto final entre dois mundos:
o Dies Irae (tema da morte, obsessão de Rachmaninov)
versus o cântico “Blagoslovén yesi, Gospodi” (ressurreição, luz).
No fim, a luz vence. E isso é raro nele.
2. Uma autobiografia musical
Ele cita a si próprio (ecos da Sinfonia nº 1, dos Vésperas), como quem folheia memórias. Não é nostalgia açucarada — é lucidez. Um homem velho, consciente do tempo, mas ainda combativo.
3. Orquestração magistral
Clara, seca às vezes, rítmica, quase “cortante”. Nada do excesso romântico juvenil. É um Rachmaninov depurado, maduro, com músculo e silêncio.
Valsa de O Cavaleiro da Rosa
2 de Janeiro
sexta-feira, 1 de janeiro de 2021
Schumann-Piano Concerto op.54
Primeiro andamento – Allegro affettuoso
Logo no início, aquele acorde dramático do piano parece um desabafo contido. Há paixão, sim, mas sempre controlada, como quem sente demais e tem medo de dizer tudo. Schumann escreve “affettuoso” — e é isso: afeto, não exibicionismo. É quase um monólogo interior.
Intermezzo – Andantino grazioso
Aqui está o coração da obra. Nada de pausa espetacular: é um caminhar delicado, quase doméstico. Muitos veem nele um retrato de Clara Schumann — ternura, cumplicidade, um amor que se entende sem palavras. É música que sorri por dentro.
Final – Allegro vivace
A alegria chega, mas não é euforia vazia. É uma alegria conquistada, madura, como quem atravessou sombras e decidiu dançar mesmo assim. O tema é leve, quase travesso, mas sempre com aquele fundo de humanidade tão schumanniano.