quinta-feira, 31 de dezembro de 2020
31 de Dezembro
Richard Strauss-Sinfonia Doméstica em fá maior
É daquelas obras que parecem dizer: “a vida comum também merece uma sinfonia.”
Escrita entre 1902 e 1903, em Fá maior, é talvez uma das obras mais íntimas e ousadas de Strauss — e, ao mesmo tempo, uma das mais mal-compreendidas.
Strauss faz algo quase provocador: transforma o quotidiano familiar numa grande sinfonia.
Ali estão, musicalmente retratados:
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o pai (ele próprio),
a mãe (Pauline, a esposa),
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o filho,
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discussões conjugais,
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brincadeiras,
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o adormecer da casa ao fim do dia.
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Orquestra gigantesca (Strauss nunca foi tímido 😄)
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Uso magistral do leitmotiv (quase wagneriano)
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Harmonia rica, cromática, mas sempre com um pé no lirismo
Um equilíbrio curioso entre grandiosidade sinfónica e ternura doméstica
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humor irónico,
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calor humano,
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tensão real (as discussões conjugais não são nada suaves),
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e um final sereno, quase reconciliador, quando a casa adormece.
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heroica como Ein Heldenleben,
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nem trágica como Morte e Transfiguração.
Para muitos críticos da época, isto soou a egocentrismo:
“Como assim uma sinfonia sobre escovar os dentes e embalar um bebé?”
Mas Strauss responde com música — e que música.
Musicalmente falando
Há momentos de:
Strauss afirma, sem pedir licença, que:
o amor vivido, imperfeito e cotidiano, é matéria digna de arte elevada.
Não é o amor idealizado — é o amor vivido, com ruído, rotina, cansaço e ternura.
E isso dá-lhe uma força muito particular.
Em resumo
A Sinfonia Doméstica não é:
Mas é profundamente humana.
Uma obra que diz: “a grande epopeia pode estar dentro de casa.”
quarta-feira, 30 de dezembro de 2020
Bruckner-Sinfonia nº 7 em mi maior
terça-feira, 29 de dezembro de 2020
Brahms-Piano trio Nº2 em dó maior op.87
segunda-feira, 28 de dezembro de 2020
15 de Março
- Em 1835 nasce Eduard Strauss que viria a morrer a 28 de dezembro de 1916, foi um compositor austríaco, irmão de Johann Strauss II e Josef Strauss.
- A família dominou o mundo musical vienense durante décadas, criando muitas valsas e polkas
- Eduard Strauss, criou um estilo próprio e não tentou imitar as obras dos seus irmãos ou outros seus contemporâneos.
- Foi principalmente lembrado e reconhecido como um maestro, a sua popularidade foi ensombrada pelo de seu irmão mais velho.
- Percebendo isso, carimbou a sua própria marca com a polca rápida, conhecida na língua alemã como "polca-Schnell".
- Entre os mais populares polkas, foram "Bahn Frei", op. 45, "Ausser Rand und Band", op.168, e "Ohne Bremse", op. 238. Esta é a Bahn frei e a thelephone polka
domingo, 27 de dezembro de 2020
Bach-Cantata nº 133 BWV 133 "Ich freue mich in dir
Rachmaninov-Rapsódia sobre um tema de Paganini
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O pacto com o diabo
Rachmaninov brinca explicitamente com a ideia faustiana de Paganini. O tema do Dies Irae aparece várias vezes, como uma sombra constante — algo muito típico dele, aliás. É como se a morte estivesse sempre a observar o pianista. Virtuosismo com sentido
Não é exibição vazia. Cada dificuldade técnica serve a uma ideia expressiva. O piano ora é sarcástico, ora feroz, ora profundamente lírico.-
Variação XVIII
Aqui ele faz magia pura: inverte o tema de Paganini e cria uma das melodias mais belas do século XX. É amor, rendição, luz — quase um descanso da luta anterior. Não por acaso, essa variação parece suspender o tempo. -
Arquitetura perfeita
A obra flui como um único organismo: tensão → sedução → combate → êxtase → ironia final. O fim é quase um riso malandro do compositor, como quem diz: “achavam que eu ia terminar grandioso?”
sábado, 26 de dezembro de 2020
Bach-Cantata nº 121 BWV 121 "Christum wir colleen loben schon on the 2nd Day of Christmas "
Brahms-Abertura trágica op.81
🔥 O tom em ré menor: clássico da gravidade, mas em Brahms soa ainda mais severo.
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🪵 Os metais e os tímpanos: não são heroicos, são fatais. Parecem sentenças.
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🌫️ A ausência de “consolo”: mesmo quando há lirismo, ele nunca se resolve. A música sabe que não vai escapar.
Curioso é que Brahms escreveu esta abertura como “par” da Abertura Académica, que é leve, festiva. Como quem diz: a vida tem cerveja e tem abismo. E ele dominava ambos.
Se puxarmos para o território poético (noite, sombras, resistência interna), esta abertura é quase um poema sem palavras sobre:
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luta silenciosa
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dignidade na dor
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aceitar o peso sem se quebrar
Schubert-Piano Trio nº 01 em si bemol maior
sexta-feira, 25 de dezembro de 2020
25 de Dezembro
25 de Dezembro
Bach-Magnificat
O que sempre me impressiona é essa mistura quase impossível: alegria exuberante e reverência profunda. Logo no “Magnificat anima mea Dominum”, Bach não deixa a alma apenas louvar — ele faz a alma dançar. É júbilo que sobe em espirais, mas com uma ordem interna rigorosa, como se a fé tivesse coluna vertebral.
Depois, há os contrastes:
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o “Et misericordia” mais contido, quase íntimo,
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o “Fecit potentiam” impetuoso, musculado,
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e aquele “Esurientes implevit bonis” tão humano, tão terno — parece olhar diretamente para os vazios do mundo.
Bach faz algo muito teu, aliás: o sagrado não é distante. É corpo, respiração, pulsação. Há sombra e luz, noite e claridade — mas sempre no presente, nunca numa saudade abstrata. O louvor acontece agora, no som que vibra.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2020
21 de Dezembro
Prokofiev-Sinfonia nº1 em ré maior op.25"Clássica"
Alguns pontos gostosos de notar:
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É curtinha e leve, só uns 15 minutinhos.
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Quatro movimentos, modelo clássico.
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Orquestra pequena, timbre transparente.
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Cheia de ironia: melodias doces que viram cantadas tortas, harmonias que escorregam.
O primeiro movimento é puro sol — tema saltitante, energia juvenil.
O segundo é uma graça: quase dançante, com aquele jeito perolado das cordas.
O terceiro, o gavotte, é onde Prokofiev coloca o sorriso travesso.
E o final dispara como foguete — rápido, virtuoso, quase caricatura.
domingo, 20 de dezembro de 2020
20 de Dezembro
20 de Dezembro.
20 de Dezembro
sábado, 19 de dezembro de 2020
19 de Dezembro
Rimsky-Korsakov-Sinfonia nº01 em mi menor op.01
Tchaikovsky-Sinfonia fantástica The Tempest
The Tempest, Op. 18
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É um poema sinfónico — um tipo de composição orquestral que conta ou evoca uma história, cena ou drama sem palavras, através da música.
Composto em 1873, com cerca de 25 minutos de duração.
O compositor russo escreveu-o depois de ser convidado a criar peças baseadas em temas literários (incluindo Taras Bulba e Ivanhoe).
A inspiração de Shakespeare
Tchaikovsky baseou-se na peça de Shakespeare The Tempest (A Tempestade), com os seus elementos dramáticos bem marcados:
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O mar calmo e depois tempestuoso;
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Personagens como Caliban (representado de forma grotesca) e o amor entre Ferdinand e Miranda;
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Uma narrativa musical que passa por silêncio, tensão, tormenta e romance — quase como se a orquestra falasse por si.
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A peça é escrita como um único movimento com várias secções (começa lento, cresce e evolui).
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Há momentos de calmaria orquestral, choque tempestuoso, e música lírica que lembra amor e ternura — muitas vezes comparada tematicamente aos famosos motivos amorosos da fantasia-overture Romeo and Juliet de Tchaikovsky.
O clima é dramático e pictórico, quase cinematográfico, por assim dizer. a”?
sexta-feira, 18 de dezembro de 2020
18 de Dezembro
Bruckner-Sinfonia nº 8 em dó menor,
quinta-feira, 17 de dezembro de 2020
Aaron Copland-Violino Concerto
quarta-feira, 16 de dezembro de 2020
Bruckner-Sinfonia nº 3 em ré menor
Primeiro andamento: começa com uma chamada quase ritual dos metais. Parece que a sinfonia não “arranca” — ela se ergue, bloco a bloco. Há silêncios longos, tensões que não se resolvem logo. Bruckner pede paciência, mas recompensa.
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Adagio: aqui está o coração. Não é sentimental; é contemplativo. Há uma espécie de fé cansada, mas firme. Música que não consola — acompanha.
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Scherzo: rústico, quase camponês. Dá para imaginar passos pesados na terra, contrastando com um trio mais lírico, como se o mundo respirasse por um instante.
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Finale: talvez o mais problemático… e por isso mesmo fascinante. Há luta, fragmentação, tentativas de afirmação. Não é triunfo fácil; é uma vitória que custa.
👉 existem várias versões da Terceira (1873, 1877, 1889), porque Bruckner foi muito pressionado a cortar e “simplificar”.
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A versão original é mais ousada, mais wagneriana, mas também mais caótica.
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As versões tardias são mais enxutas, porém alguns sentem que perdem aquele ímpeto quase místico inicial.
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2020
Glazunov-Sinfonia Nº. 8 mi bemol maior op.83,
quinta-feira, 10 de dezembro de 2020
Berlioz- L'Enfance du Christ op.25,
- L'enfance du Christ ( A Infância de Cristo ), Opus 25, é um oratório pelo compositor Hector Berlioz , com base na Sagrada Família de fuga para o Egito (ver Evangelho de Mateus 2:13).
- Berlioz escreveu suas próprias palavras para a peça. A maior parte foi composta em 1853 e 1854, mas também incorpora uma obra anterior La fuite en Egypte (1850).
- Foi apresentada pela primeira vez na Salle Herz , Paris ,a 10 de dezembro de 1854, com Berlioz como maestro e solistas da Opéra-Comique: Jourdan (Récitant), Depassio (Hérode), o casal Meillet (Marie e Joseph) e Bataille (Le père de famille).
quarta-feira, 9 de dezembro de 2020
Debussy- Nuages and Fêtes
Nuages (Nuvens)
É o mais imóvel dos três Nocturnes.
Debussy não tenta descrever uma tempestade, mas a lentidão constante, inevitável e silenciosa do movimento das nuvens no céu.
Características marcantes:
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Harmonia suspensa, quase sem resolução, dando a sensação de algo que flutua e nunca se fixa.
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O tema inicial nas madeiras é quase um haikai musical: poucas notas, repetidas, mudando de cor mas não de direcção.
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A orquestra é tratada como um véu de texturas, não como protagonista dramática.
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É música que não progride, apenas se desloca, como se o tempo se tornasse qualidade, não quantidade.
A sensação geral é de contemplação — uma estranha paz melancólica.
Fêtes (Festas)
É o oposto complementar de Nuages:
onde o primeiro é contemplativo, este é vibrante, pulsante, cheio de luz e movimento.
O que se destaca:
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Ritmos animados, cores brilhantes, uma sensação de multidão em movimento, quase impressionista.
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Há momentos em que a música parece representar reflexos de luz, lanternas, passos, ecos, como se estivéssemos dentro de uma festa de rua com múltiplas camadas sonoras.
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No centro do movimento, ouve-se a aproximação de uma procissão militar: Debussy faz essa chegada crescer lentamente pelas sombras até invadir a textura das festividades.
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Depois, as duas massas sonoras (festa e procissão) coexistem, cruzam-se e, num passe de magia, desfazem-se de novo na névoa de onde surgiram.
terça-feira, 8 de dezembro de 2020
8 de Dezembro
segunda-feira, 7 de dezembro de 2020
Chopin-Grande Polonaise brillante em mi bemol maior op nº22
Aqui vai um panorama claro e talvez útil para inspirares composições, imagens poéticas ou apenas apreciação musical:
🌟 O que é esta obra?
É uma polonaise para piano e orquestra, composta entre 1830 e 1831. Mais tarde, Chopin acrescentou o célebre Andante spianato, criando o conjunto hoje conhecido como Andante spianato et Grande Polonaise Brillante, Op. 22.
🎹 Caráter musical
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Brilhante: é mesmo o que o título diz — cheia de passagens virtuosas, saltos, escalas cintilantes e escrita pianística típica do Chopin jovem.
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Nobre e dançante: mantém a pulsação de polonaise (3/4 com ênfase aristocrática no primeiro tempo).
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Espetacular: feita para impressionar o público — quase uma peça de exibição.
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Lírica: apesar de toda a pirotecnia, há momentos cantáveis, com aquela ternura típica do Chopin que suspende o tempo.
🎼 Estrutura
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Grande Polonaise: exuberante, cheia de contrastes, com momentos de brilho efervescente que alternam com cenas mais delicadas.
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Mi♭ maior: tonalidade luminosa, muito usada por Chopin para peças de caráter solene e expansivo.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2020
Edward Elgar-Sinfonia nº01 em lá bemol maior op.55
Contexto e criação (1907–1908)
Elgar já era reconhecido por obras como Enigma Variations e Pomp and Circumstance, mas ainda não tinha uma sinfonia — algo visto, na época, como um “símbolo de maturidade” para um compositor inglês.
Quando a Sinfonia n.º 1 estreou em dezembro de 1908, foi um sucesso estrondoso:
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mais de 100 performances no primeiro ano
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foi recebida como a primeira grande sinfonia inglesa desde Purcell (um exagero histórico, mas dá a ideia do impacto)
Estrutura e carácter
A sinfonia dura cerca de 50 minutos e tem quatro andamentos:
I – Andante. Nobilmente e semplice – Allegro
Começa com um dos temas mais belos e nobres da música orquestral britânica — a famosa march theme em lá bemol, luminosa, ampla, quase “hínica”.
Depois, o Allegro mergulha num mundo mais tenso e cromático, mostrando o contraste central da obra:
nobreza ideal vs. luta interior.
II – Allegro molto
Um scherzo tenso e impetuoso, quase uma fuga.
É música vibrante, de energia contida, com texturas densas e metálicas. Muitos comentadores associam este movimento à imagem da modernidade inquieta pré-Primeira Guerra Mundial.
III – Adagio
Um dos grandes adagios do repertório sinfónico.
Profundamente lírico, íntimo, de beleza quase meditativa.
É o “coração emocional” da obra, com aquele tipo de calor melódico e nostálgico que só Elgar sabia criar.
IV – Lento – Allegro
Começa sombrio, em murmúrios de cordas, mas aos poucos vai reconstruindo a nobreza inicial.
O retorno triunfal do tema do primeiro andamento é uma das coisas mais gratificantes de ouvir — parece que a sinfonia inteira caminha para esse reencontro.
Por que é tão especial?
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Maturidade sinfónica autêntica: Elgar domina o contraponto e a forma com segurança wagneriana, mas sem perder o caráter inglês.
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Identidade britânica: Foi a primeira sinfonia inglesa moderna que competiu com Mahler, Strauss e Tchaikovsky em grandeza.
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Poder emotivo: A obra equilibra elegância, drama e transcendência com uma assinatura melódica forte.
domingo, 29 de novembro de 2020
Brahms-Piano Quarteto nº2 em lá maior op.26
Aqui estão alguns pontos marcantes:
1. Um Brahms expansivo e lírico
Este quarteto tem um caráter mais aberto, sereno e pastoral em comparação ao mais dramático op. 25 e ao mais compacto op. 60. O primeiro movimento é amplo, com um lyrismo confortável, quase meditativo.
2. O piano como tecelão de texturas
O piano não domina com virtuosismo: ele entrelaça texturas com as cordas, criando um bloco sonoro muito homogêneo. É Brahms camerístico no seu melhor — denso, mas nunca pesado.
3. O Scherzo contrasta com leveza
O segundo movimento é um Poco Adagio que se abre em clima introspectivo, seguido por um Scherzo elegante e discreto, muito diferente dos scherzi turbulentos de outros compositores românticos.
4. Andante com alma noturna
O movimento lento é um dos mais belos de Brahms: melancólico sem pesar, contemplativo, com aquele toque de noite interior que Brahms sabia construir sem drama exagerado.
5. Finale com sabor húngaro
O final traz um aceno ao estilo “alla Zingarese” que Brahms tanto apreciava, mas aqui mais moderado que no famoso finale do op. 25. É elegante, rítmico, um fecho cheio de vida.
Em suma
É uma obra para quem aprecia profundidade sem sofrimento, beleza construída com calma, e a sensação de uma música que respira longamente. Entre os três quartetos com piano de Brahms, este é o que mais transmite serenidade madura.sábado, 28 de novembro de 2020
16 de Dezembro
28 de Novembro
sexta-feira, 27 de novembro de 2020
27 de Novembro
terça-feira, 24 de novembro de 2020
Brahms-Cello Sonata nº2 op 99
Aqui vai um panorama do que a torna tão especial:
1. Caráter geral da obra
Ao contrário da Sonata nº1 (mais íntima, densa e meditativa), a Sonata Op. 99 é brilhante, poderosa e de grande virtuosismo — para ambos os instrumentos.
Tem um diálogo altamente dramático entre violoncelo e piano, com o piano assumindo um papel quase sinfónico.
2. Estrutura dos quatro movimentos
I. Allegro vivace
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Começa com uma energia quase impetuosa.
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O violoncelo entra com frases amplas e apaixonadas, enquanto o piano oferece blocos sonoros robustos.
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É um combate elegante: tensão, expansão lírica e arrebatamento.
II. Adagio affettuoso
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Um dos movimentos mais belos que Brahms escreveu.
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Melodias longas, tocadas quase “como canto”, com uma atmosfera contemplativa.
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O calor lírico é profundo, mas nunca excessivamente sentimental — típico de Brahms.
III. Allegro passionato
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Carregado de turbulência e urgência.
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Ritmos obsessivos, harmonias densas e um espírito atormentado, quase trágico.
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Um estudo perfeito do “Brahms tempestuoso”.
IV. Allegro molto
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Mais leve, mas não menos complexo.
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Traz um frescor rítmico e uma espécie de resolução vigorosa.
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Um final brilhante e cheio de vida.
3. Por que é tão admirada?
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É uma obra de igualdade verdadeira entre violoncelo e piano.
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Exige técnica refinada, mas — mais que isso — um entendimento profundo da dialética emocional de Brahms: calor x contenção, força x ternura, nobreza x vulnerabilidade.
domingo, 22 de novembro de 2020
Dvorak-Piano Quinteto nº1 em lá op.5
segunda-feira, 16 de novembro de 2020
,Rubinstein-Sinfonia nº2 em dó maior op.42
16 de Novembro
sábado, 14 de novembro de 2020
Beethoven-String quintet em dó maior op.29"Storm"
Beethoven escreveu pouquíssima música para quinteto de cordas. Este é o único quinteto original para a formação tradicional (2 violinos, 2 violas e violoncelo). Isso já lhe dá um caráter especial: Beethoven explora de forma rica o timbre mais quente e denso das duas violas.
Por que “Storm”?
O apelido não é original do compositor, mas surgiu porque o último andamento, em Presto, contém um trecho central onde Beethoven cria:
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rápidos arpejos descendentes,
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figuras agitadas no violino,
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acordes súbitos e dramáticos,
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contrastes bruscos de dinâmica,
…tudo isso dando a impressão de uma tempestade musical, quase como um antecessor do que faria depois na 6ª sinfonia (“Pastoral”).
Uma peça de transição
Escrito em 1801, o Op. 29 está numa fase em que Beethoven:
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deixa para trás o estilo mais clássico herdado de Haydn e Mozart,
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começa a revelar um estilo mais ousado,
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experimenta texturas, modulações e contrastes mais dramáticos.
O “Storm” é praticamente um laboratório do Beethoven que viria a ser
Movimentos em linhas gerais
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Allegro moderato — Elegante e luminoso, mas já com tensões internas típicas do compositor.
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Adagio molto espressivo — Belo movimento lírico, quase vocal, com harmonias surpreendentes.
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Scherzo: Allegro — Leve e brincalhão, mas sempre com aquela energia nervosa beethoveniana.
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Presto — O famoso “Storm”: movimento rápido, vibrante e cheio de efeitos atmosféricos.
Por que é tão apreciado
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É menos tocado que os quartetos, mas tem uma riqueza tímbrica única.
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Mostra um Beethoven entre dois mundos: ainda clássico, mas já tempestuoso.
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O último movimento é uma pequena obra-prima de imaginação sonora.
quinta-feira, 12 de novembro de 2020
Berlioz - Requiem (Grande Messe des Morts)
quarta-feira, 11 de novembro de 2020
sábado, 7 de novembro de 2020
7 de Novembro
Liszt-Sinfonia Dante s.109
Estrutura geral
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Inferno
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Escrita em Ré menor, abre com um motivo sombrio e dissonante que evoca o caos infernal e o célebre verso “Lasciate ogni speranza, voi ch’entrate”.
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Musicalmente, é uma das páginas mais ousadas de Liszt: utiliza cromatismos intensos, ritmos violentos, intervalos aumentados e modulações abruptas.
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Há episódios que descrevem cenas do Inferno, como a paixão trágica de Francesca da Rimini e Paolo, tratados com lirismo contrastante.
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Purgatorio
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Contrasta fortemente com o Inferno: é sereno e contemplativo, em Si maior, simbolizando a esperança e a purificação.
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A música progride em direção à luz, com temas mais diatónicos e uma orquestração mais transparente.
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No final, Liszt introduz o “Magnificat” para coro feminino (ou vozes brancas), representando a ascensão espiritual e o vislumbre do Paraíso.
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Contexto e significado
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A sinfonia reflete o ideal romântico de transformar literatura em música (“poema sinfónico” antes do termo se fixar).
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Wagner influenciou fortemente Liszt nesta fase — mas também o aconselhou a não tentar representar musicalmente o Paraíso, o que levou Liszt a parar no Purgatório.
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É uma obra profundamente programática, filosófica e religiosa, mais do que puramente sinfónica no sentido clássico.
segunda-feira, 2 de novembro de 2020
segunda-feira, 26 de outubro de 2020
Bruckner-Sinfonia nº 2 em dó menor
domingo, 25 de outubro de 2020
25 de Outubro
quarta-feira, 21 de outubro de 2020
terça-feira, 20 de outubro de 2020
Schubert-Sinfonia nº2 em si bemol maior D.125
I. Largo — Allegro vivace (Si bemol maior)
A introdução lenta (Largo) tem um caráter quase solene, abrindo espaço para um Allegro vivace leve, cheio de energia juvenil. Nota-se uma clara herança clássica — o uso de forma sonata é bastante disciplinado — mas Schubert tempera isso com melodias cantáveis e um sentido harmônico mais aventureiro do que era comum em Haydn, por exemplo. O desenvolvimento modula com liberdade surpreendente para um compositor tão jovem.
II. Andante (Mi bemol maior)
Este segundo movimento é uma série de variações sobre um tema simples e gracioso. Cada variação apresenta novas cores instrumentais e mudanças de caráter: ora delicado, ora mais vigoroso. Aqui Schubert mostra já um talento especial para orquestração clara e para melodias que parecem quase vocais, como se uma canção estivesse escondida na textura instrumental.
III. Menuetto: Allegro vivace — Trio (Si bemol maior / Sol menor)
O Minueto é ritmicamente incisivo e lembra bastante Beethoven nos seus scherzi iniciais, embora mantenha o título tradicional “Menuetto”. O Trio, em Sol menor, cria um contraste mais sombrio e dramático, antes do retorno ao clima mais jovial do Minueto. Aqui se nota um jogo expressivo entre luz e sombra que antecipa o Schubert maduro.
IV. Presto (Si bemol maior)
O Finale é vibrante, cheio de energia rítmica e vitalidade. A escrita orquestral é ágil, e Schubert mostra domínio da forma rondó-sonata, com um tema principal muito marcante. Há ecos do espírito lúdico de Haydn, mas com um colorido harmônico mais pessoal e fresco. É um desfecho alegre e brilhante, típico de uma sinfonia juvenil, mas tecnicamente muito bem construída.
Em contexto histórico e estilístico
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A Sinfonia n.º 2 foi escrita pouco depois da n.º 1 (D. 82), ainda na Viena do pós-Napoleão.
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Não foi publicada nem amplamente executada durante a vida de Schubert.
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Orquestra clássica relativamente pequena, sem trombones (como nas sinfonias iniciais).
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Mostra já a sua inclinação para o lirismo melódico, contrastando com a estrutura clássica herdada.
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É uma obra excelente para perceber como Schubert assimila a tradição clássica e começa a transformá-la.
Em resumo:
segunda-feira, 19 de outubro de 2020
George Chadwick-Sinfonia nº3
Contexto histórico e estético
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Chadwick foi um dos principais compositores da chamada “Boston Six” — um grupo de músicos americanos que estudaram na Europa e trouxeram para os EUA a tradição sinfónica germânica (especialmente de Brahms e Schumann), combinando-a com um gosto nacionalista emergente.
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A Terceira Sinfonia é um exemplo claro desse sincretismo: estrutura formal clássica, mas com uma energia rítmica e um colorido orquestral mais “americano” e pessoal.
Estrutura
A sinfonia segue a forma tradicional em quatro andamentos:
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Allegro — Clássico em forma-sonata, com temas líricos e desenvolvimento vigoroso. Nota-se a clareza da orquestração e um domínio harmónico muito sólido.
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Andante semplice — Movimento lento de grande delicadeza, com melodias cantáveis e tratamento orquestral refinado. Alguns críticos veem aqui ecos de Dvořák, que esteve em Nova Iorque na época.
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Scherzo: Presto — Brilhante, espirituoso e cheio de vitalidade rítmica. Este scherzo é frequentemente apontado como uma das passagens mais “americanas” da sinfonia — leve, dançante, quase folclórica.
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Allegro molto — Final enérgico, com um tratamento contrapontístico sólido e temas que retomam motivos anteriores, conferindo coesão cíclica à obra.
Características musicais marcantes
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Orquestração brilhante — Chadwick era mestre em usar cores instrumentais, especialmente madeiras e metais, de modo transparente e eficaz.
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Temas claros e memoráveis — Ao contrário de muitos contemporâneos americanos ainda presos ao academismo, Chadwick já apresenta um estilo pessoal, com melodias fluidas e bem definidas.
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Ritmo e leveza — O scherzo e alguns trechos do finale têm um frescor rítmico que prenuncia o estilo mais nacional dos compositores americanos do século XX.
Recepção e legado
Na estreia, a Sinfonia n.º 3 foi muito elogiada pela crítica de Boston, e consolidou Chadwick como o mais sólido sinfonista americano da sua geração. Embora tenha sido eclipsada posteriormente por nomes como Ives, Copland ou Bernstein, hoje ela é vista como uma obra-chave do repertório sinfónico americano pré-moderno, com gravações importantes realizadas a partir do final do século XX.quarta-feira, 14 de outubro de 2020
Alan Hovhaness-Sinfonia n. 3 op 148
1.º movimento – Andante
Este movimento estabelece imediatamente o clima meditativo característico de Hovhaness. A escrita contrapontística lembra o estilo coral renascentista, com linhas melódicas independentes que se entrelaçam de forma serena, quase como um canto espiritual coletivo.
2.º movimento – Allegro
Aqui há um contraste rítmico mais evidente, mas sem abandonar a clareza modal. O movimento utiliza padrões imitativos e ostinati, lembrando danças antigas ou até influências arménias discretas. É frequente que Hovhaness combine texturas quase barrocas com timbres modernos, criando um efeito de solenidade viva, não agressiva.
3.º movimento – Andante espressivo
O último movimento retoma o tom contemplativo inicial, mas com maior profundidade emocional. As linhas melódicas parecem fluir como cantos litúrgicos ou hinos espirituais. A música culmina não num clímax dramático, mas numa espécie de “elevação tranquila”, típica da estética hovhanessiana: em vez de resolver tensões, a música dissolve-se numa quietude luminosa.
Características gerais notáveis
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Uso intensivo de contraponto modal inspirado em Palestrina e na música medieval/renascentista.
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Ausência de conflito dramático: Hovhaness evita dissonâncias fortes e desenvolvimentos sinfónicos no estilo beethoveniano.
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Carácter místico e intemporal, muitas vezes associado a paisagens naturais ou experiências espirituais.
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Orquestração clara e equilibrada, privilegiando cordas e madeiras, com uso muito controlado dos metais.
Contexto estilístico
A 3.ª Sinfonia surge num período em que Hovhaness começa a consolidar o seu estilo pessoal, afastando-se das vanguardas pós-guerra e da tradição sinfónica europeia dramática. Em vez disso, procura uma voz profundamente interior, universal e espiritual, o que fez com que fosse muitas vezes visto como um compositor “à margem” das correntes dominantes.
Em suma, a Sinfonia n.º 3 é uma obra lírica, contemplativa e quase “atemporal”. Não busca o virtuosismo orquestral nem a inovação técnica, mas cria um espaço sonoro de calma e transcendência — um exemplo claro de como Hovhaness conseguiu forjar uma linguagem única no século XX.
terça-feira, 13 de outubro de 2020
13 de Outubro..
Brahms-Piano trio Nº1 em dó maior op.8
Aqui vai uma análise geral
Contexto histórico
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Composição original: 1853–1854, Em 1855 a 13 de Outubro estreou em Dantzig a 1ªversão, quando Brahms tinha cerca de 20 anos.
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Revisão: 1889, já no fim da carreira, quando era um compositor maduro.
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Apesar de manter o mesmo número de opus, a versão revisada é quase uma nova obra — Brahms reescreveu vastas secções, condensou ideias e refinou a forma, mas manteve a exuberância lírica da juventude.
Instrumentação
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Piano
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Violino
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Violoncelo
É uma formação clássica de trio, mas Brahms explora aqui uma densidade orquestral: o piano tem papel sinfónico e os instrumentos de cordas dialogam intensamente, não sendo meros acompanhantes.
Estrutura dos movimentos
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Allegro (Sonata-allegro)
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Abertura expansiva e lírica, com um tema inicial belíssimo apresentado pelo violoncelo.
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Alterna momentos de ternura com passagens de grande energia rítmica.
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A revisão de 1889 trouxe maior coesão formal e clareza contrapontística.
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Scherzo – Allegro molto / Trio
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Ritmicamente incisivo, quase tempestuoso, lembrando o estilo de Schumann.
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O Trio central contrasta com uma melodia serena e lírica antes de o Scherzo voltar com vigor.
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Movimento profundamente contemplativo e íntimo, com atmosfera quase religiosa.
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Os diálogos entre violino e violoncelo são de grande beleza melódica, enquanto o piano sustenta uma textura harmónica densa e expressiva.
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Finale – Allegro
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Inicia com um caráter misterioso e tenso, para depois ganhar energia.
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Combina passagens líricas e dramáticas com um uso magistral do desenvolvimento temático.
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Termina com brilho, reafirmando a tonalidade de dó maior.
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Importância artística
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A versão revisada equilibra juventude e maturidade: mantém a inspiração melódica do jovem Brahms, mas com a solidez formal e contrapontística do mestre tardio.
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É considerada uma das mais perfeitas obras de música de câmara do repertório romântico.
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Clara influência de Beethoven e Schumann, mas já com a voz plenamente brahmsiana — rica, profunda, e arquitetonicamente sólida.
domingo, 11 de outubro de 2020
Bloch-Piano Quintet Nº.1
Características gerais
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Formação: piano + quarteto de cordas.
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Duração: cerca de 30 minutos.
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Estilo: expressionista, denso, com fortes tensões harmónicas e uma energia quase “orquestral”.
Atmosfera e linguagem
Bloch estava num período particularmente dramático e exploratório, e isso transparece:
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Texturas densas, às vezes quase violentas.
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Contrastes abruptos entre fúria e lirismo.
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Influências modais e um certo “primitivismo” que muitos associam à espiritualidade judaica típica de Bloch, mas aqui de forma mais crua e visceral.
Estrutura dos movimentos
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Agitato – um movimento turbulento, com ritmos incisivos e ambiente tenso.
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Andante mistico – um dos trechos mais belos, misterioso, quase ritualístico.
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Allegro energico – vigoroso, com grande impacto rítmico e final arrebatador.
Como experiência
É uma obra que exige atenção: densa, emocionalmente complexa, com um piano altamente percussivo que desafia e domina o discurso. Para quem gosta de música de câmara com força dramática, é uma peça inesquecível.sábado, 10 de outubro de 2020
Beethoven-Violino sonata nº10 em sol op.96
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Allegro moderato
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Atmosfera tranquila e lírica, bem diferente da urgência típica das obras anteriores
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Piano e violino dialogam de forma elegante, quase conversando
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Adagio espressivo
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Movimento introspectivo, delicado e profundo
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Harmonia simples, mas emocionalmente muito rica
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Scherzo: Allegro
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Movimento leve, com ritmo saltarino e vivaz
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Beethoven aqui brinca com o contraste entre os instrumentos
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Tempo di Menuetto
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Final elegante, quase dançante, cheio de sutilezas
A sonata é serena e introspectiva, mostrando um Beethoven maduro e contido
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A relação entre violino e piano é simétrica, diferente de algumas sonatas onde o piano “acompanha” o violino
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É uma das sonatas de Beethoven mais “conversacionais” e íntimas, quase como se os instrumentos tivessem uma conversa de amigos
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sexta-feira, 9 de outubro de 2020
9 de Outubro
quarta-feira, 7 de outubro de 2020
Chopin-Balada nº1 em sol menor op.23
A obra não segue uma forma clássica rígida (como sonata ou rondó), mas tem uma construção narrativa muito clara — como se contasse uma história musical:
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Introdução lenta (Lento) – Uma abertura em sol menor, de caráter grave e contemplativo, com acordes em estilo quase coral. Cria uma sensação de expectativa, como se um narrador abrisse um conto sombrio.
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Tema principal (Moderato) – Surge com uma melodia delicada e fluida, quase inocente, mas já com uma nostalgia profunda. Esse tema cresce e se desenvolve ao longo da peça com variações e intensificações.
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Tema secundário (Meno mosso) – Aparece mais lírico e cantabile, contrastando com o primeiro. É um momento de beleza mais tranquila, quase sonhadora.
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Desenvolvimento – Chopin alterna e transforma os dois temas, intensificando a tensão com passagens virtuosísticas, mudanças harmônicas ousadas e um crescendo emocional contínuo.
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Coda (Presto con fuoco) – É uma explosão de energia: uma corrida vertiginosa, dramática e heroica, onde o tema principal é reinterpretado com fúria. Termina de forma abrupta e intensa, com acordes fortíssimos em sol menor.Características musicais
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Virtuosismo técnico: exige grande domínio pianístico — arpejos extensos, saltos, escalas rápidas e controle expressivo delicadíssimo.
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Profundidade emocional: alterna entre introspecção, lirismo e tempestade.
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Narrativa aberta: muitos pianistas e ouvintes sentem que a peça conta uma “história sem palavras”, com clímax e desfecho trágico ou grandioso.
Curiosidades
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Foi a peça escolhida por Roman Polanski para uma das cenas mais intensas do filme The Pianist (2002).
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Liszt ficou impressionado com esta balada e chegou a tocá-la em concertos, mesmo sendo escrita para o estilo único de Chopin.
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É frequentemente considerada a mais popular e emocionalmente arrebatadora das quatro baladas.