Nuages (Nuvens)
É o mais imóvel dos três Nocturnes.
Debussy não tenta descrever uma tempestade, mas a lentidão constante, inevitável e silenciosa do movimento das nuvens no céu.
Características marcantes:
-
Harmonia suspensa, quase sem resolução, dando a sensação de algo que flutua e nunca se fixa.
-
O tema inicial nas madeiras é quase um haikai musical: poucas notas, repetidas, mudando de cor mas não de direcção.
-
A orquestra é tratada como um véu de texturas, não como protagonista dramática.
-
É música que não progride, apenas se desloca, como se o tempo se tornasse qualidade, não quantidade.
A sensação geral é de contemplação — uma estranha paz melancólica.
Fêtes (Festas)
É o oposto complementar de Nuages:
onde o primeiro é contemplativo, este é vibrante, pulsante, cheio de luz e movimento.
O que se destaca:
-
Ritmos animados, cores brilhantes, uma sensação de multidão em movimento, quase impressionista.
-
Há momentos em que a música parece representar reflexos de luz, lanternas, passos, ecos, como se estivéssemos dentro de uma festa de rua com múltiplas camadas sonoras.
-
No centro do movimento, ouve-se a aproximação de uma procissão militar: Debussy faz essa chegada crescer lentamente pelas sombras até invadir a textura das festividades.
-
Depois, as duas massas sonoras (festa e procissão) coexistem, cruzam-se e, num passe de magia, desfazem-se de novo na névoa de onde surgiram.
Sem comentários:
Enviar um comentário