quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Debussy- Nuages and Fêtes

Em 1900 a 9 de Dezenbro, Debussy estreia Nuage and Fetes orquestra conduzida por Camille Chevillard num concerto em Paris.

“Nuages” e “Fêtes” são os dois primeiros movimentos de Nocturnes (1899), uma das obras orquestrais mais refinadas de Claude Debussy — e também das mais “pictóricas”, no sentido de que parecem pintar sensações e atmosferas mais do que narrar acontecimentos.

Nuages (Nuvens)

É o mais imóvel dos três Nocturnes.
Debussy não tenta descrever uma tempestade, mas a lentidão constante, inevitável e silenciosa do movimento das nuvens no céu.

Características marcantes:

  • Harmonia suspensa, quase sem resolução, dando a sensação de algo que flutua e nunca se fixa.

  • O tema inicial nas madeiras é quase um haikai musical: poucas notas, repetidas, mudando de cor mas não de direcção.

  • A orquestra é tratada como um véu de texturas, não como protagonista dramática.

  • É música que não progride, apenas se desloca, como se o tempo se tornasse qualidade, não quantidade.

A sensação geral é de contemplação — uma estranha paz melancólica.

Fêtes (Festas)

É o oposto complementar de Nuages:
onde o primeiro é contemplativo, este é vibrante, pulsante, cheio de luz e movimento.

O que se destaca:

  • Ritmos animados, cores brilhantes, uma sensação de multidão em movimento, quase impressionista.

  • Há momentos em que a música parece representar reflexos de luz, lanternas, passos, ecos, como se estivéssemos dentro de uma festa de rua com múltiplas camadas sonoras.

  • No centro do movimento, ouve-se a aproximação de uma procissão militar: Debussy faz essa chegada crescer lentamente pelas sombras até invadir a textura das festividades.

  • Depois, as duas massas sonoras (festa e procissão) coexistem, cruzam-se e, num passe de magia, desfazem-se de novo na névoa de onde surgiram.

 

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