O que sempre me impressiona é essa mistura quase impossível: alegria exuberante e reverência profunda. Logo no “Magnificat anima mea Dominum”, Bach não deixa a alma apenas louvar — ele faz a alma dançar. É júbilo que sobe em espirais, mas com uma ordem interna rigorosa, como se a fé tivesse coluna vertebral.
Depois, há os contrastes:
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o “Et misericordia” mais contido, quase íntimo,
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o “Fecit potentiam” impetuoso, musculado,
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e aquele “Esurientes implevit bonis” tão humano, tão terno — parece olhar diretamente para os vazios do mundo.
Bach faz algo muito teu, aliás: o sagrado não é distante. É corpo, respiração, pulsação. Há sombra e luz, noite e claridade — mas sempre no presente, nunca numa saudade abstrata. O louvor acontece agora, no som que vibra.
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