quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Richard Strauss-Sinfonia Doméstica em fá maior

Em 1903 R. Strauss finalizou a Sinfonia Domestica, que tinha sido iniciada por Strauss em 1902, como um poema sinfónico que seria especialmente sobre sua vida de família (em 1894, casou-se com Pauline de Ahna, soprano de temperamento ardente, com quem teve um único filho, Franz, nascido em 1897).

 Ele terminou este poema sinfónico em fá maior em 1903, chamando-o de "Sinfonia Doméstica", quando passava as férias com a mulher e o filho na ilha de Wight. 

Quando voltou a Berlim, começou a orquestração da obra que foi terminada na véspera do Ano Novo, em 1903

É daquelas obras que parecem dizer: “a vida comum também merece uma sinfonia.”

Escrita entre 1902 e 1903, em Fá maior, é talvez uma das obras mais íntimas e ousadas de Strauss — e, ao mesmo tempo, uma das mais mal-compreendidas.

Strauss faz algo quase provocador: transforma o quotidiano familiar numa grande sinfonia.
Ali estão, musicalmente retratados:

  • o pai (ele próprio),

  • a mãe (Pauline, a esposa),

  • o filho,

  • discussões conjugais,

  • brincadeiras,

  • o adormecer da casa ao fim do dia.

  • Para muitos críticos da época, isto soou a egocentrismo:

    “Como assim uma sinfonia sobre escovar os dentes e embalar um bebé?”

    Mas Strauss responde com música — e que música.

    Musicalmente falando

    • Orquestra gigantesca (Strauss nunca foi tímido 😄)

    • Uso magistral do leitmotiv (quase wagneriano)

    • Harmonia rica, cromática, mas sempre com um pé no lirismo

    • Um equilíbrio curioso entre grandiosidade sinfónica e ternura doméstica

    • Há momentos de:

      • humor irónico,

      • calor humano,

      • tensão real (as discussões conjugais não são nada suaves),

      • e um final sereno, quase reconciliador, quando a casa adormece.

      Strauss afirma, sem pedir licença, que:

      o amor vivido, imperfeito e cotidiano, é matéria digna de arte elevada.

      Não é o amor idealizado — é o amor vivido, com ruído, rotina, cansaço e ternura.

      E isso dá-lhe uma força muito particular.

      Em resumo

      A Sinfonia Doméstica não é:

      • heroica como Ein Heldenleben,

      • nem trágica como Morte e Transfiguração.

      Mas é profundamente humana.
      Uma obra que diz: “a grande epopeia pode estar dentro de casa.”

 

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