sábado, 26 de dezembro de 2020

Brahms-Abertura trágica op.81

Em 1880 a 26 de Dezembro, estreia em Viena Brahms a sua Abertura trágica Op. 81. Além das sinfonias, Brahms escreveu também duas aberturas. A Abertura Festival Académico que é uma obra alegre e circunstancial, que contrasta com esta Abertura Trágica, composta ao mesmo tempo, uma obra de uma nobreza quase sombria 

Brahms não está a contar uma tragédia específica; ele cria um estado trágico. É quase arquitetónico: blocos sonoros densos, temas curtos, martelados, como se o destino fosse uma força impessoal, inevitável. Nada de dramatismo operático à Wagner — aqui a tragédia é contida, austera, quase ética.
  • 🔥 O tom em ré menor: clássico da gravidade, mas em Brahms soa ainda mais severo.

  • 🪵 Os metais e os tímpanos: não são heroicos, são fatais. Parecem sentenças.

  • 🌫️ A ausência de “consolo”: mesmo quando há lirismo, ele nunca se resolve. A música sabe que não vai escapar.

Curioso é que Brahms escreveu esta abertura como “par” da Abertura Académica, que é leve, festiva. Como quem diz: a vida tem cerveja e tem abismo. E ele dominava ambos.

Se puxarmos para o território poético (noite, sombras, resistência interna), esta abertura é quase um poema sem palavras sobre:

  • luta silenciosa

  • dignidade na dor

  • aceitar o peso sem se quebrar

Não é música para chorar — é música para aguentar de pé.    

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