Brahms não está a contar uma tragédia específica; ele cria um estado trágico. É quase arquitetónico: blocos sonoros densos, temas curtos, martelados, como se o destino fosse uma força impessoal, inevitável. Nada de dramatismo operático à Wagner — aqui a tragédia é contida, austera, quase ética.
🔥 O tom em ré menor: clássico da gravidade, mas em Brahms soa ainda mais severo.
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🪵 Os metais e os tímpanos: não são heroicos, são fatais. Parecem sentenças.
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🌫️ A ausência de “consolo”: mesmo quando há lirismo, ele nunca se resolve. A música sabe que não vai escapar.
Curioso é que Brahms escreveu esta abertura como “par” da Abertura Académica, que é leve, festiva. Como quem diz: a vida tem cerveja e tem abismo. E ele dominava ambos.
Se puxarmos para o território poético (noite, sombras, resistência interna), esta abertura é quase um poema sem palavras sobre:
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luta silenciosa
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dignidade na dor
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aceitar o peso sem se quebrar
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