domingo, 27 de dezembro de 2020

Rachmaninov-Rapsódia sobre um tema de Paganini

No ano de 1937 a 27 de Dezembro  estreia da obra de Rachmaninov Rhapsody on a Theme of Paganini pela New York Philharmonic Orchestra dirigida por Bruno Walter. Rachmaninov foi o pianista.

A Rapsódia sobre um Tema de Paganini, op. 43, do Rachmaninov, é um milagre de engenho e emoção ao mesmo tempo. Ele pega o Capricho nº 24 de Paganini — já cheio de tensão diabólica — e transforma aquilo em 24 variações que vão do virtuosismo quase cruel à confissão mais íntima.
  • O pacto com o diabo 
    Rachmaninov brinca explicitamente com a ideia faustiana de Paganini. O tema do Dies Irae aparece várias vezes, como uma sombra constante — algo muito típico dele, aliás. É como se a morte estivesse sempre a observar o pianista. 

  • Virtuosismo com sentido
    Não é exibição vazia. Cada dificuldade técnica serve a uma ideia expressiva. O piano ora é sarcástico, ora feroz, ora profundamente lírico.

  • Variação XVIII 
    Aqui ele faz magia pura: inverte o tema de Paganini e cria uma das melodias mais belas do século XX. É amor, rendição, luz — quase um descanso da luta anterior. Não por acaso, essa variação parece suspender o tempo.

  • Arquitetura perfeita
    A obra flui como um único organismo: tensão → sedução → combate → êxtase → ironia final. O fim é quase um riso malandro do compositor, como quem diz: “achavam que eu ia terminar grandioso?”

 

Sem comentários: