quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Rachmaninov-Sinfonia nº3 em lá menor op.44

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Sergei Rachmaninoff compôs sua Sinfonia No. 3 em Lá menor, Op. 44, entre 1935 e 1936 e estreou em 06 de Novembro de 1936, sob a batuta de Leopold Stokowski conduzindo a Orquestra de Filadélfia.

A sinfonia tem apenas três movimentos, mas a central assume o duplo papel de movimento lento e scherzo, que é uma inovação Rachmaninoff.

Sinfonia n.º 3 , é uma obra de maturidade, escrita em 1935–36, já no exílio, e carrega muito da nostalgia e da elegância melódica que caracterizam o compositor. É, ao mesmo tempo, uma despedida do romantismo e uma tentativa de reconciliar-se com um mundo musical em mudança.

Contexto e atmosfera

Foi composta em Lucerna, na Suíça, quando Rachmaninov, após anos de silêncio sinfónico, decide revisitar a grande forma orquestral — a última sinfonia que escreveria. O exílio e a saudade da Rússia estão impressos em cada página: é uma obra mais íntima e concentrada do que a exuberante Segunda Sinfonia, mas também mais moderna, com harmonias mais ousadas e uma orquestração mais transparente.

Estrutura e caráter

  1. Lento – Allegro moderato:
    Abre com um motivo sombrio e misterioso, que volta como um “fantasma” ao longo da obra — uma espécie de leitmotiv do destino. O movimento cresce em energia e brilho rítmico, mas sempre com aquele lirismo melancólico tipicamente rachmaninoviano.

  2. Adagio ma non troppo – Allegro vivace:
    O segundo movimento é de uma beleza rara — o clarinete solista canta uma melodia de nostalgia quase litúrgica. No meio surge uma secção dançante, quase um scherzo, lembrando antigas danças russas. Há aqui o coração emocional da sinfonia.

  3. Allegro – Allegro vivace – Allegro:
    O final mistura vigor e despedida. Rachmaninov combina temas antigos e novos, e termina de modo quase abrupto — não triunfante, mas resignado, como se fechasse um ciclo.

Estilo e emoção

Apesar de ser menos popular que a Segunda Sinfonia, a Terceira é mais refinada e contida, com traços de modernidade russa filtrada pela memória. O uso de motivos litúrgicos ortodoxos e o tom elegíaco tornam-na uma espécie de testamento espiritual.

Em resumo, é uma sinfonia de saudade e lucidez — a música de quem olha para o passado com ternura, mas sabe que não pode regressar.


Aqui a interpretação é da 

 

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