quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Beethoven-Sonata nº12 em lá bemol maior op.26

A Sonata nº 12 em Lá bemol maior, Op. 26, de Beethoven, é uma das obras mais singulares do seu catálogo pianístico — quase um pequeno laboratório de ideias que o compositor exploraria mais tarde em outras sonatas, inclusive na Eroica.

Aqui vão alguns pontos essenciais sobre ela:

1. Estrutura incomum

Uma das coisas mais marcantes desta sonata é que não começa com um movimento rápido, como era tradição. Beethoven abre com um tema com variações, algo que já quebra expectativas formais.

Ordem dos movimentos:

  1. Andante con variazioni

  2. Scherzo: Allegro molto

  3. Marcia funebre sulla morte d’un eroe

  4. Allegro

2. O primeiro andamento — puro lirismo

O tema com variações é delicado, quase íntimo, e dá ao intérprete espaço para explorar nuances. Não é virtuosístico: é uma meditação. Beethoven trabalha texturas, articulações e pequenos gestos expressivos. É mais poesia do que bravura.

3. O scherzo — leveza com malícia

O segundo movimento traz contraste imediato: uma peça rápida, divertida, rítmica, com aquele toque beethoveniano de surpresa e humor. É o motor que desperta o ouvinte após o recolhimento inicial.

4. A marcha fúnebre — o coração da sonata

O terceiro movimento é, provavelmente, o elemento mais conhecido da obra. “Marcia funebre sulla morte d’un eroe” é sombria, solene e profundamente marcada por um pulso quase cerimonial.

Ela impressionou tanto Beethoven que, anos depois, usou uma marcha fúnebre com espírito semelhante na Sinfonia nº 3 – Eroica.

5. O final — alegria quase intempestiva

Depois da marcha fúnebre, Beethoven termina com um movimento rápido, leve, quase impaciente. O contraste é intencional: uma espécie de libertação emocional após o peso do andamento anterior.

6. Uma obra de transição

A Op. 26 mostra Beethoven entre o classicismo e a afirmação da sua própria voz heroica.

É um laboratório de ideias que antecipa a fase “intermédia” do compositor.   

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