1. Contexto
Foi composto numa fase de transição de Prokofiev, quando ele se movia entre o Ocidente e seu retorno à União Soviética. É menos irónico e mais melódico do que outras peças do compositor — uma escrita mais “direta”, quase neoclássica.
2. Estrutura
I. Allegro moderato
– Abertura com o violino sozinho, um gesto simples, cantabile, que se expande para harmonias mais angulosas típicas de Prokofiev.
– Alterna lirismo e tensão rítmica, com orquestração relativamente transparente.
II. Andante assai
– Talvez o movimento mais famoso: um lirismo amplo, quase cinematográfico.
– A melodia do violino é calma, mas com um fundo de inquietação harmônica.
– Prokofiev cria atmosferas “flutuantes”, sustentadas por pizzicatos suaves e timbres delicados.
III. Allegro, ben marcato
– Rítmico, dançante, quase grotesco.
– O famoso uso do castanholas dá um colorido espanhol (Prokofiev estava em Madrid na estreia).
– Termina de forma seca, incisiva, quase abrupta.
3. Caráter da obra
É um concerto de contrastes:
– melodias que parecem simples, mas nunca “ingênuas”;
– ritmos marcados, típicos do estilo modernista russo;
– e uma orquestração enxuta, que deixa o solista sempre em evidência.
4. Por que é tão amado?
Porque concilia:
-
virtuosismo sem exibicionismo vazio,
-
emoção clara sem sentimentalismo,
-
modernidade sem ruptura extrema.
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