quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

Bomtempo-Concerto para piano nº.01 em mi bemol maior op.2

Em 1775 a 28 de Dezembro, nasceu em Lisboa o compositor João Domingos Bomtempo eis o seu Concerto para Piano No.1 em Mi Bemol Maior op.2 é uma joia meio escondida, daquelas que recompensam quem escuta com atenção.

O que mais me encanta nele é como Bomtempo caminha entre o Classicismo e um Romantismo ainda em germinação. Dá para sentir claramente a herança de Mozart (sobretudo na elegância formal e no diálogo orquestra–piano), mas já há ali uma vontade expressiva mais livre, quase confessional em certos momentos — algo que antecipa o clima romântico.

O primeiro andamento tem brilho e clareza, com um piano que não é apenas virtuosístico, mas cantabile, quase vocal. Não é exibicionismo vazio: o piano fala, argumenta, respira.
No andamento lento, Bomtempo mostra o seu lado mais íntimo — há uma melancolia contida, muito nobre, sem excessos sentimentais.
E o final recupera leveza e energia, com graça rítmica e um espírito muito “salonístico”, mas bem construído.

Também acho importante dizer: este concerto tem um valor simbólico enorme. Bomtempo estava, de certo modo, a dizer “Portugal também escreve música de concerto à altura da Europa” — e escreve mesmo. Não soa provinciano nem derivativo demais; soa honesto e bem pensado


 é um concerto elegante, lírico, de bom gosto, que não grita, mas convence.

Não tenta ser Beethoven — e ainda bem. É Bomtempo, com a sua voz clara e um certo pudor emocional que, para mim, só o torna mais interessante.


Sem comentários: