sábado, 30 de dezembro de 2023

Shostakovitch-Sinfonia nº04 em dó menor op.034..

Em 1961 a -30 de Dezembro, Shostakovich estreia a sua Sinfonia nº04 em dó menor op.034 com Kiril Kondrashin conduzindo a Moscow Philharmonic Orchestra. Esta sinfonia tinha sido composta em 1935-36 mas só 25 anos depois foi estreada devido a razões de censura política. Esta sinfonia inclui os segintes andamentos :

 1ºMov.-Allegro poco moderato 
2ºMov.-Moderato con moto 
3ºMov.-Largo. Allegro

quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

Scriabin-Piano Concerto em fa sostenido menor op.20

Em 1897 a 23 de Outubro Alexander Scriabin estreia em Odessa o seu Piano concerto em fá sostenido menor op.20, sendo o próprio o solista.

Bomtempo-Concerto para piano nº.01 em mi bemol maior op.2

Em 1775 a 28 de Dezembro, nasceu em Lisboa o compositor João Domingos Bomtempo eis o seu Concerto para Piano No.1 em Mi Bemol Maior op.2 é uma joia meio escondida, daquelas que recompensam quem escuta com atenção.

O que mais me encanta nele é como Bomtempo caminha entre o Classicismo e um Romantismo ainda em germinação. Dá para sentir claramente a herança de Mozart (sobretudo na elegância formal e no diálogo orquestra–piano), mas já há ali uma vontade expressiva mais livre, quase confessional em certos momentos — algo que antecipa o clima romântico.

O primeiro andamento tem brilho e clareza, com um piano que não é apenas virtuosístico, mas cantabile, quase vocal. Não é exibicionismo vazio: o piano fala, argumenta, respira.
No andamento lento, Bomtempo mostra o seu lado mais íntimo — há uma melancolia contida, muito nobre, sem excessos sentimentais.
E o final recupera leveza e energia, com graça rítmica e um espírito muito “salonístico”, mas bem construído.

Também acho importante dizer: este concerto tem um valor simbólico enorme. Bomtempo estava, de certo modo, a dizer “Portugal também escreve música de concerto à altura da Europa” — e escreve mesmo. Não soa provinciano nem derivativo demais; soa honesto e bem pensado


 é um concerto elegante, lírico, de bom gosto, que não grita, mas convence.

Não tenta ser Beethoven — e ainda bem. É Bomtempo, com a sua voz clara e um certo pudor emocional que, para mim, só o torna mais interessante.


sábado, 23 de dezembro de 2023

Hugo Alfvén-Sinfonia nº1 em fá menor op.07

Hugo Alfvén considerou a sua Sinfonia nº 1 (1896) como a primeira “escrita na língua sueca”. 

 A sinfonia é uma audição decente. Ele fica um pouco preso nas páginas finais de seu Allegro de abertura, de outra forma claramente argumentado; o Andante está no seu melhor quando se liberta momentaneamente das algemas sinfónicas formais; o Scherzo deleita-se deliciosamente com essa mesma formalidade e o final é uma culminação verdadeira e impressionante que mantém o ímpeto através de mudanças variadas de cenário.

As cinco sinfonias de Alfvén, as quatro primeiras delas já gravadas diversas vezes (com outro ciclo em andamento), dão um retrato da evolução musical do compositor. O primeiro, em Fá menor, seu Op. 7 de 1897, é uma obra inicial, melodiosa em quatro movimentos padrão.

Mozart-Piano Concerto nº22 em mi bemol maior K482

O Concerto para Piano nº 22, em Mi bemol maior, K. 482, é uma peça concertante para pianoforte (ou piano) e orquestra composta por Wolfgang Amadeus Mozart.

 Foi composto em dezembro de 1785.Estreia a 23 de Dezembro em Viena, 

o Concerto para Piano nº 22 em Mi bemol maior, K.482 é Mozart em estado de maturidade plena — daqueles momentos em que tudo parece simples, mas nada é fácil. ✨

Alguns pontos que o tornam especial:

  • Orquestração riquíssima: Mozart usa clarinetes (algo ainda raro na época) e dá-lhes um papel expressivo, quase cúmplice do piano. Isso dá ao concerto um tom mais quente, mais humano.

  • Primeiro andamento (Allegro): elegante, solar, mas nunca superficial. O piano não entra para brilhar sozinho — ele conversa, escuta, responde. É uma música de equilíbrio e inteligência emocional.

  • Andante (em dó menor): aqui Mozart aperta-nos o coração sem recorrer ao excesso. É introspectivo, contido, quase um recolhimento noturno. Há dor, mas uma dor digna, silenciosa — aquela que não chora alto.

  • Final (Allegro): leve, espirituoso, com um humor refinado. Parece dizer: “sim, o mundo pesa… mas ainda vale a pena dançar”.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Rimsky-Korsakov-Sinfonia nº02 em si menor ANTAR

Antar é uma composição para orquestra sinfônica em quatro movimentos do compositor russo Nikolai Rimsky-Korsakov. Ele escreveu a peça em 1868, mas a revisou em 1875 e 1891.

 Inicialmente, ele chamou a obra de Sinfonia nº 2. Mais tarde, ele reconsiderou e chamou-a de suíte sinfônica. Foi apresentada pela primeira vez em março de 1869 em um concerto da Sociedade Musical Russa. . 

Para aumentar a confusão, ele chamou sua Sinfonia em Dó maior de Terceira, em vez de Segunda. É verdade que ele escreveu a Terceira Sinfonia em 1874, antes de ter mudado de ideia sobre Antar. (A primeira revisão de Antar foi em 1875.) 

No entanto, ele nunca mudou essa numeração, mesmo depois de redesignar Antar como suíte, e continuou chamando a Sinfonia em Dó maior de sua Terceira em sua autobiografia, My Musical Life. 

 Na verdade, Rimsky-Korsakov designou outra obra como sua Segunda Sinfonia em Minha Vida Musical. Esta é uma Sinfonia em Si menor, que ele iniciou em 1867 Ele menciona Si menor como a tonalidade favorita de Mily Balakirev, e que queria usar um scherzo no compasso 5/4 e na tonalidade de Mi bemol maior. Ele acrescenta que a abertura do primeiro movimento e algumas de suas características teriam se assemelhado à Nona Sinfonia de Beethoven

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

Brahms - Serenata No. 2 in A major, Op. 16 (3º Mov., Adagio non troppo)

Brahms-Serenata nº 2 em lá maior op. 16

Brahms compôs sua Serenata em Lá Maior em 1858-9. 

Foi escrita para orquestra de câmara, sem violinos. As duas serenatas de Brahms são sucessoras da grande tradição das serenatas e divertimentos de Mozart, como o Septeto de Beethoven e os Octetos de Schubert e Mendelssohn. 

 Antes consideradas apenas ensaios para suas grandes sinfonias, são hoje reconhecidas como modestas obras-primas.

 O primeiro movimento, Allegro Moderato, é gracioso e relaxado. Apenas durante o desenvolvimento surge alguma ansiedade, que se dissipa com a volta do clima da abertura. 

 Há então dois movimentos de dança: o Scherzo, – um Vivace enérgico, com acentos folclóricos – e um Quasi Menuetto – “absolutamente indançável”, diz um comentarista. 

 Entre os dois, está o Adagio non troppo, íntimo e poético, que é o coração da obra – um conjunto de variações sobre um baixo que se repete, que prenuncia as Variações sobre um tema de Haydn  O Rondó final é cheio de vitalidade e de efeitos brilhantes, lembrando às vezes uma dança camponesa. 

Sibelius-Cantata da Coroação JS 104

A Cantata para a Coroação do Imperador Nicolau II às vezes referida como Cantata da Coroação JS 104, é uma cantata de dois movimentos para mistura coro e orquestra escrita em 1896 pelo compositor finlandês Jean Sibelius. 

 É cronologicamente a segunda das nove cantatas orquestrais de Sibelius e pertence a uma série de três dessas peças - junto com a Cantata Promocional de 1894 (JS 105) e a Cantata Promocional de 1894 (JS 106) - que ele escreveu por encomenda de seu empregador na época, a Imperial Alexander University (hoje Universidade de Helsinque).

 Sibelius compôs a cantata em homenagem à adesão de Nicolau II ao trono russo, porque a Universidade, como instituição financiada pelo Estado, era obrigada a prestar homenagem ao novo soberano. (Na época, a Finlândia era um Grão-Ducado na posse do czar.) 

Estrutura, instrumentação e texto

  • A cantata divide-se em dois movimentos:

    1. “Terve nuori ruhtinas…” (Allegro) – “Salve, jovem príncipe…

    2. “Oikeuden varmassa turvassa…” (Allegro) – “Na segura proteção da justiça

  • Instrumentação: orquestra modesta (madeiras, trompas, trompetes, trombones, percussão de efeito, cordas) + coro misto.

  • Texto em finlandês, de Paavo Cajander. 

  • Duração aproximada: cerca de 17-18 minutos segundo gravações.


Significado e particularidades

  • A obra é especialmente interessante por vários motivos:

    • Representa um momento histórico e político: a Finlândia sob o domínio russo, a necessidade de demonstrar lealdade institucional ao novo czar. Sendo assim, o caráter é de celebração patriótica/cerimonial.

    • Para Sibelius, era uma oportunidade de compor para coro e orquestra, num momento em que ainda experimentava formas e estilos antes das suas obras “maturas”.

    • Apesar do caráter aparentemente “oficial”, a música revela já traços do estilo sibeliano: colorido orquestral, atenção ao coro como massa sonora, e certo lirismo embutido mesmo num contexto cerimonial.

    • A obra permaneceu pouco conhecida fora da Finlândia, em parte pela sua finalidade local-institucional, mas tem valor como peça de transição na trajetória de Sibelius.

Se a ouvir, pode seguir estas sugestões de atenção:

  • No primeiro movimento, repare no coro em uníssono ou quase, como uma “voz da comunidade”, e como a orquestra vai tecendo efeitos de fanfarra ou solene.

  • No segundo movimento, note como o texto “na segurança da justiça” se traduz musicalmente: o uso de andamento “Allegro” mas também de massas orquestrais e corais que evocam firmeza e solenidade.

  • Compare a sensação de “obra de ocasião” (ou seja, algo cerimonial) com a sensibilidade musical: ver onde Sibelius ultrapassa o puro protocolo e imprime personalidade.


  • Críticas/pontos de atenção

  • Porque foi encomendada para um evento específico, a obra não foi talhada para o repertório independente desde o início — pode parecer “cerimonial demais” a quem espera a profundidade das sinfonias de Sibelius.

  • A qualidade da edição e das gravações pode variar, já que não é das obras mais frequentemente interpretadas fora da Finlândia.

  • O facto do texto estar em finlandês pode limitar a imersão para quem não domina a língua — mas a música cumpre bem por si só.


A peça estreou em 2 de novembro de 1896 durante uma cerimônia em Helsinque, com Sibelius regendo a Sociedade Filarmônica de Helsinque e um coro amador.

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Saint-Saenz-Violino sonata nº 2 em mi menor op.102

A Sonata para Violino nº 2 em Mi♭ maior, Op. 102, foi escrito por Camille Saint-Saëns de fevereiro a março de 1896 e estreou em 2 de junho de 1896 em Paris. 


 A sonata foi composta no Egito de 17 de fevereiro a 15 de março de 1896. Foi dedicada a Léon-Alexandre Carambat, que ganhou o primeiro prêmio de violino no Conservatório de Paris em 1883 e tocou na Orquestra de l'Opéra, e sua esposa Marie -Louise Adolphi, que ganhou o primeiro prêmio de piano no Conservatório em 1883. 

O casal deu vários concertos com obras de Saint-Saëns A primeira apresentação antes da estreia oficial foi feita por Eugène Ysaÿe e Raoul Pugno em 18 de maio de 1896. 

A estreia em si, como parte do concerto do 50º aniversário de Saint-Saëns em 2 de junho de 1896 na Salle Pleyel, foi dada por Pablo de Sarasate e Saint -Saëns em benefício da Association des artistes musiciens

  • A sonata segue a forma clássica em quatro movimentos:

    1. Allegro animato: Um movimento enérgico, marcado por diálogos intensos entre o violino e o piano.

    2. Adagio: Uma seção comovente, lírica, onde o violino canta sobre um acompanhamento discreto do piano.

    3. Allegretto moderato: Um scherzo leve, quase dançante, cheio de humor e delicadeza.

    4. Allegro molto: O final é vigoroso, brilhante e cheio de vitalidade.

  • A obra combina a virtuosidade e clareza francesa com uma profundidade romântica.

  • Tem um tom menos "brilhante" e mais introspectivo do que a sua famosa primeira sonata (op. 75). A segunda sonata é mais madura, talvez mais contida, mas repleta de nuances emocionais.

  • O equilíbrio entre o violino e o piano é impressionante, típico do estilo de câmara francês.

  • Exige sensibilidade lírica, especialmente no segundo movimento, e um controle técnico refinado para destacar os contrastes de humor.

  • O final pede energia e precisão, sem perder a leveza francesa.


 

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Brahms-Piano trio Nº1 em dó maior op.8-III.Adagio

Tchaikovsky-Capricho Italiano op.45

No dia 18 de Dezembro, vários acontecimentos relacionados com música ocorreram ao longo dos séculos. Também foi o dia da primeira apresentação no ano 1880, em Moscovo dirigido por Nicolas Rubinstein do Capricho Italiano op. 45 de Tchaikovsky. O Capricho Italiano, op. 45, é uma fantasia para orquestra composta por Piotr Ilitch Tchaikovski entre janeiro e maio de 1880. Uma performance típica da peça dura cerca de 15 minutos. O Capriccio foi inspirado por uma viagem de Tchaikovski a Roma, com seu irmão Modest, na sequência do desastroso casamento do compositor com Antonina Miliukova. Foi em Roma que, famosamente, o observador Tchaikovski chamou Rafael de "Mozart da pintura

domingo, 17 de dezembro de 2023

Alexander Zemlinsky-Trio em Ré menor

Alexander von Zemlinsky foi um compositor, maestro e professor austríaco. O trabalho mais conhecido de Zemlinsky é a Sinfonia Lírica, uma peça em sete movimentos para orquestra, soprano e barítono. O trabalho influenciou a Suite Lírica de Alban Berg, que lhe  dedicou a obra 

sábado, 16 de dezembro de 2023

Tchaikovsky-Piano Concerto No. 3 em mi bemol maior Op. 75

Em 1895 a 19 de Janeiro Tchaikovskyestreia em São Petersburgo o seu Piano Concerto No. 3 em mi bemol maior op.75. . A estreia que refiro foi apenas a do primeiro movimento sendo que os restantes estavam incompletos quando de sua morte. Foram concluídos por Sergei Taneyev como peça à parte, o Andante e finale para piano e orquestra. Esse primeiro movimento foi regida por Eduard Nápravník e com Sergei Taneyev no piano. O Andante e finale foi executado pela primeira vez na mesma cidade, em 20 de fevereiro de 1896, conduzido por Felix Blumenfeld e novamente executado por Taneyev.

Brahms-Clarinet Sonata nº1 em fá menor op.120

No ano de 1895,a 11 de Janeiro estreou-se em Viena a Clarinete Sonata nº1 em fá menor Op.120, com Richard Muhlfeld como solista e o próprio Brahms no piano. As Sonatas para Clarinete, Op. 120, nºs 1 e 2, são um par de obras escritas para clarinete e piano pelo compositor romântico Johannes Brahms. Eles foram escritos em 1894 e são dedicados ao clarinetista Richard Mühlfeld.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Mahler-Sinfonia nº02 em dó menor "Ressurection"..

A Sinfonia nº 2 em dó menor de Gustav Mahler, conhecida como Sinfonia da Ressurreição, foi escrita entre 1888 e 1894 e executada pela primeira vez em 1895. 

 Esta sinfonia foi uma das obras mais populares e bem-sucedidas de Mahler durante sua vida. Foi seu primeiro trabalho importante que estabeleceu sua visão vitalícia da beleza da vida após a morte e da ressurreição. 

 Nesta grande obra, o compositor desenvolveu ainda mais a criatividade do “som da distância” e da criação de um “mundo próprio”, aspectos já vistos na sua Primeira Sinfonia. 


 A obra tem duração de 80 a 90 minutos e é convencionalmente rotulada como sendo na tonalidade de dó menor Foi eleita a quinta maior sinfonia de todos os tempos numa pesquisa com maestros realizada pela BBC Music Magazine. Origem Mahler completou o que se tornaria o primeiro movimento da sinfonia em 1888 como um poema sinfônico de movimento único chamado Totenfeier (Ritos Funerais). 

 Alguns esboços do segundo movimento também datam desse ano. Mahler hesitou durante cinco anos sobre fazer de Totenfeier o movimento de abertura de uma sinfonia, embora seu manuscrito o rotule como uma sinfonia. 

 Em 1893, compôs o segundo e o terceiro movimentos. O final foi o problema. Embora estivesse perfeitamente ciente de que estava convidando a uma comparação com a Sinfonia nº 9 de Beethoven - ambas as sinfonias usam um refrão como peça central de um movimento final que começa com referências e é muito mais longo do que aqueles que o precedem - Mahler sabia que queria um movimento final vocal. 

Encontrar o texto certo para este movimento revelou-se longo e desconcertante.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Rachmaninov-Piano Concerto Nº4 em sol menor op.40

Concerto para piano nº 4 em sol menor, op. 40, é uma obra importante do compositor russo Sergei Rachmaninoff, concluída em 1926. 

A obra existe em três versões. Após a sua estreia malsucedida (1ª versão), o compositor fez cortes e outras alterações antes de publicá-lo em 1928 (2ª versão). Com a contínua falta de sucesso, ele retirou a obra, eventualmente revisando-a e republicando-a em 1941 (3ª versão, geralmente apresentada hoje). 


A versão manuscrita original foi lançada em 2000 pelo Rachmaninoff Estate para ser publicada e gravada. 

A obra é dedicada a Nikolai Medtner, que por sua vez dedicou seu Segundo Concerto para Piano a Rachmaninoff no ano seguinte. O músico, que iniciou a sua composição antes de deixar o seu país, deixou-se influenciar pela a música americana à hora de concluí-lo e apresentá-lo, na Filadélfia, em 18 de março de 1927 sob a regência de Leopold Stokovsky.


O Concerto para Piano nº 4 em Sol menor, Op. 40, de Sergei Rachmaninov, é uma obra intrigante e complexa, tanto para os intérpretes quanto para os ouvintes. Composto entre 1926 e 1927, este concerto é frequentemente considerado um dos mais desafiadores e menos interpretados entre os concertos de Rachmaninov, principalmente quando comparado com os seus famosos Concerto nº 2 e nº 3.

Características do Concerto nº 4:

  1. Estilo e Técnica: O Concerto nº 4 reflete uma abordagem mais austera e introspectiva em comparação com outras obras da sua fase anterior, especialmente o Concerto nº 2, mais melódico e acessível. A harmonia e a orquestração no Concerto nº 4 são mais subtis, com o piano muitas vezes se misturando com a orquestra de maneira mais delicada, ao invés de se destacar de forma grandiosa. A obra possui uma sonoridade mais moderna e uma densidade emocional mais densa.

  2. Estrutura:

    • Primeiro movimento (Allegro vivace): O primeiro movimento começa com uma introdução orquestral tensa, logo seguida por uma parte solista de piano muito exigente. A música passa por uma série de temas que alternam entre momentos mais líricos e passagens rápidas e virtuosísticas.
    • Segundo movimento (Andante sostenuto): Este movimento tem uma qualidade mais meditativa e introspectiva. O piano é tratado de maneira quase orquestral em alguns momentos, com a parte do piano criando um diálogo constante com a orquestra, resultando em uma sonoridade mais contida e reflexiva.
    • Terceiro movimento (Allegro con fuoco): O final do concerto é intenso e energicamente rítmico. Aqui, Rachmaninov combina a virtuosidade com momentos de grande tensão, utilizando contrastes dinâmicos e complexidade harmônica.
  3. Desafios para o intérprete: O Concerto nº 4 exige grande destreza técnica do pianista, com passagens de grande velocidade, bem como momentos de profunda expressividade. O uso de passagens rápidas e exigentes exige não só uma técnica refinada, mas também uma grande capacidade de interpretação emocional para trazer à tona as subtilezas da obra.

  4. Recepção: Inicialmente, a obra foi considerada mais difícil de apreciar por parte do público, em comparação com os outros concertos de Rachmaninov. A crítica da época era mista, e muitos músicos não a abraçaram tão prontamente. Hoje em dia, no entanto, o Concerto nº 4 é visto como uma obra de grande profundidade, embora raramente seja executado em recitais e gravações, devido à sua complexidade e exigência técnica.

     

Sibelius- Suíte Lemminkäinen op.22

A Suíte Lemminkäinen, ou mais corretamente Quatro Lendas do Kalevala, Op. 22, é uma sequência de poemas de quatro tons para orquestra concluída em 1896 pelo compositor finlandês Jean Sibelius.

 A obra foi concebida como Veneen luominen (A Construção do Barco), uma ópera com cenário mitológico, antes de assumir a forma de suíte. Há um fio narrativo: são seguidas as façanhas do heróico personagem Lemminkäinen do Kalevala, que é uma coleção de poesia folclórica, mítica e épica. 

O poema de segundo tom, O Cisne de Tuonela, é popular como uma obra orquestral independente. A peça foi originalmente concebida como uma ópera mitológica antes de Sibelius abandonar a ideia e torná-la uma peça composta por quatro movimentos distintos.

 Os dois primeiros, porém, foram retirados pelo compositor logo após sua estreia e não foram executados nem adicionados à partitura publicada da suíte até 1935. Sibelius mudou a ordem dos movimentos quando fez suas revisões finais em 1939, colocando O Cisne de Tuonela em segundo e Lemminkäinen em Tuonela em terceiro.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Rachmaninov-Vigilia noturna op.37

The All-Night Vigil é uma composição coral a cappella de Sergei Rachmaninoff, seu Op. 37, estreado em 23 de março de 1915 em Moscovo. 

 A peça consiste em composições de textos retirados da cerimônia de vigília noturna ortodoxa russa. Foi elogiado como a melhor conquista de Rachmaninoff e "a maior conquista musical da Igreja Ortodoxa Russa". 

Foi uma das duas composições favoritas de Rachmaninoff junto com The Bells, e o compositor solicitou que seu quinto movimento fosse cantado np seu funeral 

 O título da obra é muitas vezes mal traduzido como Vésperas. Isto é literal e conceitualmente incorreto quando aplicado a toda a obra; apenas os primeiros seis de seus quinze movimentos estabelecem textos da hora canônica ortodoxa russa das Vésperas. 

 Rachmaninoff compôs a Vigília Noturna em menos de duas semanas, em janeiro e fevereiro de 1915. 

A Vigília Noturna talvez seja notável como um dos dois cenários litúrgicos (o outro é a Liturgia de São João Crisóstomo) de um compositor que havia parado de frequentar os serviços religiosos. Conforme exigido pela Igreja Ortodoxa Russa, Rachmaninoff baseou dez das quinze seções no canto. 

No entanto, as cinco seções originais (números 1, 3, 6, 10 e 11) foram tão fortemente influenciadas pelo canto que o compositor as chamou de "falsificações conscientes".

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Shostakovitch-Piano Sonata No.1 em dó op.12

Em 1926 a 12 de Dezembro Dimitri Shostakovich estreia em Leninegrado o seu Piano Sonata No. 1 op.12 

 A primeira Sonata para Piano de Shostakovich data do outono de 1926, apenas três anos depois do primeiro trio para piano, mas vive num mundo totalmente diferente. A estreia da sua Primeira Sinfonia, em maio de 1926, uma obra decididamente modernista, tornou famoso o compositor de 19 anos, e ele explorou novas direções com grande confiança, apesar da consternação ocasional dos seus professores no Conservatório de Leningrado.


A primeira sonata para piano pode ser a mais agressivamente moderna das primeiras obras de Shostakovich. Os elementos temáticos soam atonais, mas por trás de todo o cromatismo muscular está um centro tonal persistente em Dó. A sonata de um movimento muda o andamento uma dúzia de vezes, mas para o ouvinte ela se resume a uma seção rápida, uma seção lenta e uma seção lenta. seção rápida. A parte lenta cria mais tensão do que repouso, e a sonata como um todo transmite uma sensação de movimento constante e implacável.

 O ex-professor de piano de Shostakovich chamou-a de "sonata para metrônomo acompanhada de piano". Ao contrário do trio, continuou a ser um dos favoritos de Shostakovich durante anos: ele tocava-o frequentemente nos seus concertos, talvez porque o considerasse um veículo perfeito para o seu tipo de virtuosismo.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Carl Nielsen-Sinfonia nº1 op.7

Sinfonia nº 1 em sol menor, op. 7, FS 16 é a primeira sinfonia do compositor dinamarquês Carl Nielsen. Escrito entre 1891 e 1892, foi dedicado à sua esposa, Anne Marie Carl-Nielsen. A estreia da obra, em 14 de março de 1894, foi interpretada por Johan Svendsen regendo a Orquestra Real da Capela (Orquestra Real Dinamarquesa), com o próprio Nielsen entre os segundos violinos. É uma das duas sinfonias de Nielsen sem subtítulo (a outra é a Sinfonia nº 5).

Brahms-String quarteto nº1 em dó op.51

Em 1873, a 11 de Dezembro Brahms estreia em Viena o String Quartet nº1 em dó Op. 51, interpretado pelo Hellmesberger Quartet O Quarteto de cordas nº 1 em dó menor e o Quarteto de cordas nº 2 em lá menor de Johannes Brahms foram concluídos em Tutzing, Baviera, durante o verão de 1873, e publicados juntos naquele outono como Op. 51. 

São dedicados a seu amigo Theodor Billroth. Ele publicou apenas um outro quarteto de cordas, nº 3 em si bemol maior, em 1876. Brahms demorou a escrever seus dois primeiros quartetos de cordas. 

Uma carta de Joseph Joachim indica que um quarteto em dó menor estava em andamento em 1865, mas pode não ter sido o mesmo trabalho que se tornaria o Op. 51 Nº 1 em 1873.

 Quatro anos antes da publicação, porém, em 1869, sabemos com certeza que os dois quartetos estavam completos o suficiente para serem tocados. Mas o compositor permaneceu insatisfeito. 

Os anos se passaram. 

Novos treinos ocorreram então em Munique, provavelmente em junho de 1873, e Brahms se aventurou ao sul da cidade, até a pequena cidade à beira do lago de Tutzing, para uma pausa de verão. Lá, com o Würmsee (como era então chamado o Lago Starnberg) e os Pré-alpes da Baviera como pano de fundo, ele deu os últimos retoques nos dois quartetos.

 Ele tinha 40 anos na época da publicação. Brahms considerava o quarteto de cordas um género particularmente importante. Ele supostamente destruiu cerca de vinte quartetos de cordas antes de permitir os dois Op. 51 quartetos serem publicados. 

 Explicando seu progresso a um editor em 1869, Brahms escreveu que, como Mozart havia tido "problemas particulares" com os seis "belos" Quartetos de Haydn, ele pretendia fazer o "melhor para produzir um ou dois razoavelmente decentes". 

 Segundo seu amigo Max Kalbeck, Brahms insistiu em ouvir uma apresentação secreta da Op. 51 quartetos antes de serem publicados, após os quais ele os revisou substancialmente.

domingo, 10 de dezembro de 2023

Rachmaninov-The Rock-Fantasia para orquestra Op. 7

A Rocha, op. 7 (ou The Crag) (russo: Утёс) (Utyos) é uma fantasia ou poema sinfônico para orquestra escrito por Sergei Rachmaninoff no verão de 1893. É dedicado a Nikolai Rimsky-Korsakov. Foi estreado em Moscovo a 8 deMarço de 1893

Scriabin-Piano Sonata nº 01 em fá menor Op. 6,

A Sonata para Piano nº 1 em Fá menor, Op. 6, de Alexander Scriabin, foi a terceira de doze sonatas para piano que compôs. Foi concluído em 1892. 

A música é carregada de emoção, já que grande parte da música foi escrita depois que Scriabin magoou a mão direita devido ao toque excessivo de piano. Scriabin estava praticando demais Réminiscences de Don Juan de Liszt e Islamey de Balakirev

 Ele foi informado pelos médicos que nunca mais tocaria. A primeira sonata para piano foi o grito pessoal de Scriabin contra Deus: a tragédia da perda de um pianista virtuoso para um destino caprichoso, o desígnio de Deus 

 Durante este período de incapacidade, escreveu o Prelúdio e Noturno, op. 9 apenas para a mão esquerda; no entanto, no devido tempo, sua mão direita se recuperou. 

 A perda temporária de sua habilidade com a mão direita também é creditada por incitá-lo a desenvolver padrões rítmicos complicados para a mão esquerda em grande parte de sua música. 


Esta qualidade ajuda a explicar, em parte, porque muitas das suas peças são consideradas bastante difíceis de executar.

sábado, 9 de dezembro de 2023

Sibelius-Kullervo 0p.7

Kullervo (às vezes chamada de Sinfonia de Kullervo), Op. 7, é uma obra sinfônica de cinco movimentos para soprano, barítono, coro masculino e orquestra escrita de 1891 a 1892 pelo compositor finlandês Jean Sibelius. 

Os movimentos I, II e IV são instrumentais, enquanto III e V apresentam texto cantado dos Runos XXXV-VI do Kalevala, o épico nacional da Finlândia. 

A peça conta a história do herói trágico Kullervo, com cada movimento retratando um episódio de sua vida malfadada: primeiro, uma introdução que estabelece a psicologia do personagem titular; segundo, uma assombrosa “canção de ninar com variações” que retrata sua infância infeliz; terceiro, um diálogo dramático entre solistas e coro em que o herói seduz, sem saber, sua irmã há muito perdida; quarto, um scherzo animado em que Kullervo busca a redenção no campo de batalha; e quinto, um final coral fúnebre em que ele retorna ao local de seu crime incestuoso e, cheio de culpa, tira a vida caindo sobre sua espada. 

 A peça estreou em 28 de abril de 1892 em Helsinque, com Sibelius regendo a Associação Orquestral de Helsinque e um coro amador; o barítono Abraham Ojanperä e a mezzo-soprano Emmy Achté cantaram as partes de Kullervo e sua irmã, respectivamente.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Saint-Saenz-África op. 89

África, op. 89, é uma fantasia para piano e orquestra de Camille Saint-Saëns. Composta em 1891 durante uma estadia no Egipto, esta peça concertante caracteriza-se pela sua estrutura em mosaico e pela interação de vários temas, misturando elementos musicais africanos com técnicas composicionais europeias.

 Escrita durante um período de luto pessoal após a morte da mãe, Saint-Saëns dedicou África à pianista Marie-Aimée Roger-Miclos, a quem prometeu uma nova composição. 

A obra é realizada em um único movimento e exige excelente virtuosismo técnico, agilidade e uma certa leveza de toque do solista, refletindo também a formidável habilidade pianística de Saint-Saëns. 

 A estreia em 25 de outubro de 1891 foi recebida com grande aclamação e as apresentações subsequentes ocorreram em todo o mundo, sendo que Saint-Saëns até considerou-a uma obra de assinatura.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Brahms-Clarinet Quinteto op.115

Em 1891 a 12 de Dezembro, Brahms estreia em Berlim o seu Clarinet Quinteto, Op 115, interpretado por Richard Mühlfeld e Joachim Quartet.

 Na época em que Brahms começou a compor seu Quinteto para Clarinete, poucas obras haviam sido compostas para esse tipo de conjunto. 


O quinteto de Brahms mostra paralelos com o Quinteto de Mozart, especialmente na forma. Brahms deixou de compor antes de ouvir Richard Mühlfeld tocar.

 Brahms pode já ter conhecido Mühlfeld quando Hans von Bülow dirigia a Orquestra da Corte de Meiningen. Mas foi Fritz Steinbach, o sucessor de von Bülow, quem chamou a atenção de Brahms para a forma de tocar de Mühlfeld em março de 1891. 

Brahms estava muito entusiasmado com Mühlfeld. Naquele verão em Bad Ischl, ele compôs o Quinteto de Clarinete e seu Trio Op de Clarinete. 114, ambos para Mühlfeld. 

Mais tarde, ele também compôs suas duas Sonatas para Clarinete Op. 120.

R. Schumann-Sinfonía nº4, op.120 en re menor op 120

Em 1841 a 6 de Dezembro Robert Schumann estreia em Leipzig a Sinfonia nº4 em ré menor op.120. interpretada pela The Leipzig Gewandhaus Orchestra,conduzida por Ferdinand David

A Quarta Sinfonia de Robert Schumann em ré menor, Op. 120 é uma das obras sinfónicas mais fascinantes do período romântico — não apenas pela música em si, mas também pela sua história peculiar.
  1. É, na verdade, a segunda sinfonia que Schumann escreveu.
    Embora numerada como nº 4, a primeira versão data de 1841, logo após a Primeira Sinfonia. Só mais tarde, em 1851, Schumann a revisou profundamente — e é essa versão revisada que se tornou a Sinfonia nº 4.

  2. Forma cíclica — os movimentos ligados.
    Schumann realiza aqui um dos exemplos mais perfeitos de forma cíclica do romantismo:

    • Os quatro movimentos tocam-se sem interrupção,

    • E temas reaparecem transformados, criando uma sensação orgânica de unidade.

  3. Orquestração mais densa, mais “sombrio-romântica”.
    Comparada com a versão de 1841 (mais leve e transparente), a versão final tem:

    • Texturas mais densas,

    • Menos brilho na orquestração,

    • Um caráter mais dramático, intenso e coeso — quase uma grande narrativa emocional contínua.

🎵 Movimentos (tocados sem pausa)

  1. Ziemlich langsam – Lebhaft
    Introdução lenta, misteriosa → explosão no Allegro cheio de energia rítmica.

  2. Romanze: Ziemlich langsam
    Lírica, delicada, íntima — um tipo de “câmara dentro da sinfonia”.

  3. Scherzo: Lebhaft
    Pulsante, quase inquieto, com um trio de grande suavidade.

  4. Finale: Lebhaft
    Surge já desde o final do Scherzo, desenvolve-se com clima triunfal; os temas retornam transformados, criando o ciclo completo.

Interpretação e recepção

Clara Schumann defendia ferozmente a versão revisada de 1851 (a oficial).
Brahms, por outro lado, preferia a versão original de 1841 e chegou a publicá-la após a morte de Clara — reacendendo a discussão entre músicos e musicólogos até hoje.

Em síntese

A Sinfonia nº 4 em ré menor é uma das obras que melhor expressa o universo emocional de Schumann: intensidade interior, lirismo íntimo e uma arquitetura musical que se desenvolve como se fosse um único pensamento contínuo. 

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Max Bruch-Violino concerto nº 1-mov 2-Adagio

Max Bruch-Violino concerto nº 3 op.58

Concerto para violino nº 3 em ré menor de Max Bruch, Op. 58, foi composta em 1891 e dedicada ao violinista/compositor Joseph Joachim, que o persuadiu a expandir uma peça de concerto de um único movimento em um concerto de violino completo. 

Nunca alcançou a mesma proeminência que o concerto em sol menor

 Joachim foi o solista na estreia da obra, em Düsseldorf, em 31 de maio de 1891.

Este concerto foi composto em 1891, quase vinte anos após o primeiro concerto. Bruch manteve seu estilo romântico característico, com linhas melódicas amplas e expressivas, sempre favorecendo a cantabilidade do violino. O terceiro concerto é mais maduro e introspectivo, com uma orquestração densa e momentos de grande lirismo, especialmente no movimento lento.

O concerto tem três movimentos:

  1. Allegro energico – Um início dramático, com um tema cativante e desenvolvimento elaborado.

  2. Adagio – O ponto alto emocional do concerto, com um tema lírico e frases longas para o violino solista.

  3. Finale (Allegro molto) – Um movimento final vibrante, com uma dança enérgica e virtuose.


Embora o Concerto nº 3 seja uma peça de qualidade, ele nunca alcançou a mesma popularidade que o Concerto nº 1. Isso se deve em parte à competição com outros grandes concertos românticos (como os de Brahms, Mendelssohn e Tchaikovsky) e também à crítica inicial, que considerou a obra menos original e inovadora.

Gian Carlo Menotti-Violino Concerto-3º mov-Adagio

Gian Carlo Menotti-Violino Concerto

Em 1952 a 5 de Dezembro, Gian Carlo Menotti estreia o Violin Concerto com Efrem Zimbalist como solista e a Philadelphia Orchestra sob a direcção de Eugene Ormandy

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Glazunov-Sinfonia Nº. 3 em ré maior Op. 33

Alexander Glazunov compôs sua Sinfonia nº 3 em Ré maior, Op. 33, em 1890, e foi publicado em 1892 pela firma de Leipzig de Mitrofan Belyayev. A sinfonia é dedicada a Pyotr Ilyich Tchaikovsky e foi apresentada pela primeira vez em São Petersburgo em dezembro de 1890 sob a batuta de Anatoly Lyadov.

 A sinfonia é considerada uma obra de transição, com Glazunov evitando em grande parte as influências de Balakirev, Borodin e Rimsky-Korsakov inerentes às suas sinfonias anteriores em favor das influências mais recentes de Tchaikovsky e Wagner. 

Por causa dessa mudança, a Terceira foi chamada de sinfonia "anti-kuchkista" na produção de Glazunov (kuchkist de kuchka, o nome russo abreviado para o grupo musical nacionalista The Five).

 Ele suavizaria essas novas influências em suas sinfonias subsequentes enquanto se esforçava por um estilo eclético e maduro. A Terceira também mostra uma maior profundidade de expressão, mais evidente nas voltas cromáticas de seu terceiro movimento, que lembra a ópera Tristão e Isolda de Wagner.

Tchaikovsky-Violino concerto em Ré maior op. 35

Em 1881 a 4 de Dezembro, Tchaikovsky estreia em Viena o seu Violin Concerto em Ré maior, op. 35 interpretado pela Vienna Philharmonic Orchestra, regida por Hans Richter e com Adolf Brodsky no violino.Tchaikovsky dedicou seu concerto para violino a Adolf Brodsky

O Concerto para Violino em Ré maior, Op. 35 de Tchaikovsky é uma das obras-mestras do repertório violinístico e uma das peças mais amadas — e inicialmente mais controversas — do século XIX.

Composição e contexto

  • Composto em 1878, durante um período emocionalmente turbulento para Tchaikovsky.

  • Escrito na Suíça, logo após o fim do seu casamento desastroso.

  • Originalmente dedicado ao violinista Leopold Auer, que considerou o concerto “intocável” e se recusou a tocá-lo, o que atrasou a estreia.

Estreia

  • A crítica da estreia foi dura (Eduard Hanslick escreveu que “o violino é chicoteado até sangrar”), mas o público e os violinistas acabaram por o consagrar rapidamente.

Características musicais

O concerto é conhecido por:

  • Virtuosismo extremo, mas sempre ligado a uma grande expressividade melódica.

  • Lirismo típico de Tchaikovsky, com melodias amplas e de grande apelo emocional.

  • Equilíbrio entre brilho técnico e poesia, tornando-o obrigatório no repertório de qualquer grande violinista.

♪ Estrutura

I. Allegro moderato (Ré maior → Ré menor → Ré maior)
Extenso, cheio de passagens técnicas brilhantes, mas também de enorme beleza melódica. O tema principal é luminoso e expansivo.

II. Canzonetta: Andante (Sol menor)
Um dos movimentos lentos mais delicados de Tchaikovsky. Lírico, introspectivo, quase vocal — curta “pausa poética” entre dois movimentos cheios de energia.

III. Finale: Allegro vivacissimo (Ré maior)
Movimento de caráter folclórico e dançante, com energia rítmica contagiante. Exige fôlego, precisão e virtuosismo extremo — um verdadeiro final apoteótico.

🎧 Importância

Hoje é:

  • Um dos cinco concertos para violino mais tocados em todo o mundo.

  • Um marco tanto técnico quanto expressivo para o intérprete.

  • Uma síntese do espírito russo romântico com brilho universal.

 

domingo, 3 de dezembro de 2023

Sibelius-Quinteto para piano em sol menor JS 159

Johan Julius Christian Sibelius, conhecido como Jean Sibelius (Hämeenlinna, 8 de dezembro de 1865 — Järvenpää, 20 de setembro de 1957), foi um compositor finlandês de música erudita, e um dos mais populares compositores do fim do século XIX e início do XX

. Sua música também teve importante papel na formação da identidade nacional finlandesa.

 Sibelius nasceu numa família sueco-finlandesa cuja língua materna era o sueco e residia na cidade de Hämeenlinna, no Grão-Ducado da Finlândia, então pertencente ao Império Russo Sibelius fez parte de um grupo de compositores que aceitou as normas de composição do Século XIX. 

Como muitos de seus contemporâneos, ele apreciou Wagner, mas apenas durante certo tempo, escolhendo depois um caminho musical diferente..

sábado, 2 de dezembro de 2023

Antonin Dvořák - Requiem (Pie Jesu. Poco adagio, Agnus Dei)

Dvorak-Réquiem em Si menor Op. 89

Réquiem em Si menor de Antonín Dvořák, Op. 89, B. 165, é uma missa fúnebre marcada para solistas, coro e orquestra. 

Foi composta em 1890 e apresentada pela primeira vez em 9 de outubro de 1891, em Birmingham, Inglaterra, sob a regência do compositor.é uma das obras sacras mais profundas e menos superficiais do repertório coral-sinfónico do final do século XIX. 

Não é tão frequentemente executado quanto os réquiens de Mozart, Verdi ou Brahms, mas tem uma força espiritual e musical singular. Eis um panorama detalhado:

Contexto de Composição

Dvořák recebeu o convite para compor esta obra para o Festival de Música de Birmingham, no Reino Unido — um importante evento da época, que já tinha encomendado obras a Mendelssohn, Gounod e Elgar. Ele aceitou o desafio e, em vez de fazer um réquiem “de concerto” com virtuosismo operático (como Verdi), optou por uma abordagem contemplativa, espiritual e interior.

Teve sucesso, mas, curiosamente, a obra não entrou com frequência no circuito de concertos fora da Europa Central.

Estrutura da Obra

Diferente de muitos réquiens mais compactos, Dvořák dividiu a obra em duas partes, quase como dois oratórios. Dura cerca de 90 minutos:

Parte I

  1. Requiem aeternam (Coral sombrio e misterioso, com uma orquestração densa e cordas em pianíssimo)

  2. Kyrie (Fuga coral impressionante, mostrando a mestria contrapontística de Dvořák)

  3. Graduale – Requiem aeternam

  4. Dies irae (Movimento central dramático; contém subdivisões como Tuba mirum, Recordare, Confutatis, etc.)

Parte II

  1. Offertorium (Domine Jesu Christe)

  2. Sanctus

  3. Pie Jesu (momento lírico e comovente)

  4. Agnus Dei

Características Musicais

  • Orquestração riquíssima, típica de Dvořák, com uso expressivo de madeiras e trompas, e combinações tímbricas subtis que criam uma atmosfera de reverência e mistério.

  • Motivos recorrentes: Há um motivo melódico descendente que aparece logo no início (no “Requiem aeternam”), e reaparece transformado ao longo da obra, conferindo unidade cíclica.

  • Coral e solistas equilibrados: Dvořák evita o espetáculo operático — prefere a integração entre vozes solistas e coro para construir arcos espirituais.

  • Tratamento do texto litúrgico com profundidade emocional — o “Dies irae”, por exemplo, não é uma explosão teatral como em Verdi, mas um drama interior, com tensão controlada.

Curiosidade Final

Dvořák era profundamente religioso, e este Réquiem parece mais uma oração pessoal do que uma peça teatral. Ele compôs a obra num momento de introspeção (entre a sua fase americana e os grandes êxitos sinfónicos), e isso transparece: é uma música que pede atenção e entrega, mais do que aplauso imediato. 

Brahms-Violino sonata nº2 em lá op.100

Em 1886 a 2 de Dezembro, Brahms estreia em Viena a sua Violin Sonata No. 2 em lá , Op. 100.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

Cesar Franck-Sinfonia em Ré meno

A Sinfonia em Ré menor é a obra orquestral mais conhecida e a única sinfonia madura escrita pelo compositor do século XIX César Franck. Emprega uma forma cíclica, com temas importantes recorrentes em todos os três movimentos. Após dois anos de trabalho, Franck completou a sinfonia em 22 de agosto de 1888. Ela foi estreada no Conservatório de Paris em 17 de fevereiro de 1889, sob a direção de Jules Garcin. Franck dedicou ao seu aluno Henri Duparc. Apesar das críticas mistas na época, posteriormente entrou no repertório orquestral internacional. Embora hoje seja programado com menos frequência em concertos do que na primeira metade do século XX, foi gravado inúmeras vezes Franck, nascido em 1822 no que hoje é a Bélgica, tornou-se cidadão francês naturalizado em 1871. Naquele ano, foi membro fundador da Société nationale de musique, criada após a Guerra Franco-Prussiana por Camille Saint-Saëns e Romain Bussine para promover a música francesa. Quando a Société se dividiu em novembro de 1886 devido à admissão de apresentações de obras de compositores não franceses, Franck tornou-se seu novo chefe e, junto com seu ex-aluno Vincent d'Indy, foi um grande defensor da programação de compositores estrangeiros.

Prokofiev-Violino Concerto No. 2 em si maior op.63,

Em 1935 a 1 de dezembro ,Serge Prokofiev estreia o seu Violino Concerto No. 2 em si maior op.63. Ainterpretação coube a Madrid Symphony Orquestra conduzida por Enrique Fernández Arbós e o violinista francês Robert Soëtens como solista

é uma das obras mais líricas e acessíveis do compositor, apesar de manter seu caráter moderno e incisivo.

1. Contexto

Foi composto numa fase de transição de Prokofiev, quando ele se movia entre o Ocidente e seu retorno à União Soviética. É menos irónico e mais melódico do que outras peças do compositor — uma escrita mais “direta”, quase neoclássica.

2. Estrutura

I. Allegro moderato
– Abertura com o violino sozinho, um gesto simples, cantabile, que se expande para harmonias mais angulosas típicas de Prokofiev.
– Alterna lirismo e tensão rítmica, com orquestração relativamente transparente.

II. Andante assai
– Talvez o movimento mais famoso: um lirismo amplo, quase cinematográfico.
– A melodia do violino é calma, mas com um fundo de inquietação harmônica.
– Prokofiev cria atmosferas “flutuantes”, sustentadas por pizzicatos suaves e timbres delicados.

III. Allegro, ben marcato
– Rítmico, dançante, quase grotesco.
– O famoso uso do castanholas dá um colorido espanhol (Prokofiev estava em Madrid na estreia).
– Termina de forma seca, incisiva, quase abrupta.

3. Caráter da obra

É um concerto de contrastes:
melodias que parecem simples, mas nunca “ingênuas”;
ritmos marcados, típicos do estilo modernista russo;
– e uma orquestração enxuta, que deixa o solista sempre em evidência.

4. Por que é tão amado?

Porque concilia:

  • virtuosismo sem exibicionismo vazio,

  • emoção clara sem sentimentalismo,

  • modernidade sem ruptura extrema.