quinta-feira, 31 de dezembro de 2020
31 de Dezembro
Richard Strauss-Sinfonia Doméstica em fá maior
É daquelas obras que parecem dizer: “a vida comum também merece uma sinfonia.”
Escrita entre 1902 e 1903, em Fá maior, é talvez uma das obras mais íntimas e ousadas de Strauss — e, ao mesmo tempo, uma das mais mal-compreendidas.
Strauss faz algo quase provocador: transforma o quotidiano familiar numa grande sinfonia.
Ali estão, musicalmente retratados:
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o pai (ele próprio),
a mãe (Pauline, a esposa),
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o filho,
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discussões conjugais,
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brincadeiras,
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o adormecer da casa ao fim do dia.
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Orquestra gigantesca (Strauss nunca foi tímido 😄)
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Uso magistral do leitmotiv (quase wagneriano)
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Harmonia rica, cromática, mas sempre com um pé no lirismo
Um equilíbrio curioso entre grandiosidade sinfónica e ternura doméstica
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humor irónico,
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calor humano,
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tensão real (as discussões conjugais não são nada suaves),
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e um final sereno, quase reconciliador, quando a casa adormece.
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heroica como Ein Heldenleben,
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nem trágica como Morte e Transfiguração.
Para muitos críticos da época, isto soou a egocentrismo:
“Como assim uma sinfonia sobre escovar os dentes e embalar um bebé?”
Mas Strauss responde com música — e que música.
Musicalmente falando
Há momentos de:
Strauss afirma, sem pedir licença, que:
o amor vivido, imperfeito e cotidiano, é matéria digna de arte elevada.
Não é o amor idealizado — é o amor vivido, com ruído, rotina, cansaço e ternura.
E isso dá-lhe uma força muito particular.
Em resumo
A Sinfonia Doméstica não é:
Mas é profundamente humana.
Uma obra que diz: “a grande epopeia pode estar dentro de casa.”
quarta-feira, 30 de dezembro de 2020
Bruckner-Sinfonia nº 7 em mi maior
terça-feira, 29 de dezembro de 2020
Brahms-Piano trio Nº2 em dó maior op.87
segunda-feira, 28 de dezembro de 2020
15 de Março
- Em 1835 nasce Eduard Strauss que viria a morrer a 28 de dezembro de 1916, foi um compositor austríaco, irmão de Johann Strauss II e Josef Strauss.
- A família dominou o mundo musical vienense durante décadas, criando muitas valsas e polkas
- Eduard Strauss, criou um estilo próprio e não tentou imitar as obras dos seus irmãos ou outros seus contemporâneos.
- Foi principalmente lembrado e reconhecido como um maestro, a sua popularidade foi ensombrada pelo de seu irmão mais velho.
- Percebendo isso, carimbou a sua própria marca com a polca rápida, conhecida na língua alemã como "polca-Schnell".
- Entre os mais populares polkas, foram "Bahn Frei", op. 45, "Ausser Rand und Band", op.168, e "Ohne Bremse", op. 238. Esta é a Bahn frei e a thelephone polka
domingo, 27 de dezembro de 2020
Bach-Cantata nº 133 BWV 133 "Ich freue mich in dir
Rachmaninov-Rapsódia sobre um tema de Paganini
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O pacto com o diabo
Rachmaninov brinca explicitamente com a ideia faustiana de Paganini. O tema do Dies Irae aparece várias vezes, como uma sombra constante — algo muito típico dele, aliás. É como se a morte estivesse sempre a observar o pianista. Virtuosismo com sentido
Não é exibição vazia. Cada dificuldade técnica serve a uma ideia expressiva. O piano ora é sarcástico, ora feroz, ora profundamente lírico.-
Variação XVIII
Aqui ele faz magia pura: inverte o tema de Paganini e cria uma das melodias mais belas do século XX. É amor, rendição, luz — quase um descanso da luta anterior. Não por acaso, essa variação parece suspender o tempo. -
Arquitetura perfeita
A obra flui como um único organismo: tensão → sedução → combate → êxtase → ironia final. O fim é quase um riso malandro do compositor, como quem diz: “achavam que eu ia terminar grandioso?”
sábado, 26 de dezembro de 2020
Bach-Cantata nº 121 BWV 121 "Christum wir colleen loben schon on the 2nd Day of Christmas "
Brahms-Abertura trágica op.81
🔥 O tom em ré menor: clássico da gravidade, mas em Brahms soa ainda mais severo.
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🪵 Os metais e os tímpanos: não são heroicos, são fatais. Parecem sentenças.
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🌫️ A ausência de “consolo”: mesmo quando há lirismo, ele nunca se resolve. A música sabe que não vai escapar.
Curioso é que Brahms escreveu esta abertura como “par” da Abertura Académica, que é leve, festiva. Como quem diz: a vida tem cerveja e tem abismo. E ele dominava ambos.
Se puxarmos para o território poético (noite, sombras, resistência interna), esta abertura é quase um poema sem palavras sobre:
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luta silenciosa
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dignidade na dor
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aceitar o peso sem se quebrar
Schubert-Piano Trio nº 01 em si bemol maior
sexta-feira, 25 de dezembro de 2020
25 de Dezembro
25 de Dezembro
Bach-Magnificat
O que sempre me impressiona é essa mistura quase impossível: alegria exuberante e reverência profunda. Logo no “Magnificat anima mea Dominum”, Bach não deixa a alma apenas louvar — ele faz a alma dançar. É júbilo que sobe em espirais, mas com uma ordem interna rigorosa, como se a fé tivesse coluna vertebral.
Depois, há os contrastes:
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o “Et misericordia” mais contido, quase íntimo,
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o “Fecit potentiam” impetuoso, musculado,
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e aquele “Esurientes implevit bonis” tão humano, tão terno — parece olhar diretamente para os vazios do mundo.
Bach faz algo muito teu, aliás: o sagrado não é distante. É corpo, respiração, pulsação. Há sombra e luz, noite e claridade — mas sempre no presente, nunca numa saudade abstrata. O louvor acontece agora, no som que vibra.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2020
21 de Dezembro
Prokofiev-Sinfonia nº1 em ré maior op.25"Clássica"
Alguns pontos gostosos de notar:
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É curtinha e leve, só uns 15 minutinhos.
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Quatro movimentos, modelo clássico.
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Orquestra pequena, timbre transparente.
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Cheia de ironia: melodias doces que viram cantadas tortas, harmonias que escorregam.
O primeiro movimento é puro sol — tema saltitante, energia juvenil.
O segundo é uma graça: quase dançante, com aquele jeito perolado das cordas.
O terceiro, o gavotte, é onde Prokofiev coloca o sorriso travesso.
E o final dispara como foguete — rápido, virtuoso, quase caricatura.
domingo, 20 de dezembro de 2020
20 de Dezembro
20 de Dezembro.
20 de Dezembro
sábado, 19 de dezembro de 2020
19 de Dezembro
Rimsky-Korsakov-Sinfonia nº01 em mi menor op.01
Tchaikovsky-Sinfonia fantástica The Tempest
The Tempest, Op. 18
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É um poema sinfónico — um tipo de composição orquestral que conta ou evoca uma história, cena ou drama sem palavras, através da música.
Composto em 1873, com cerca de 25 minutos de duração.
O compositor russo escreveu-o depois de ser convidado a criar peças baseadas em temas literários (incluindo Taras Bulba e Ivanhoe).
A inspiração de Shakespeare
Tchaikovsky baseou-se na peça de Shakespeare The Tempest (A Tempestade), com os seus elementos dramáticos bem marcados:
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O mar calmo e depois tempestuoso;
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Personagens como Caliban (representado de forma grotesca) e o amor entre Ferdinand e Miranda;
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Uma narrativa musical que passa por silêncio, tensão, tormenta e romance — quase como se a orquestra falasse por si.
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A peça é escrita como um único movimento com várias secções (começa lento, cresce e evolui).
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Há momentos de calmaria orquestral, choque tempestuoso, e música lírica que lembra amor e ternura — muitas vezes comparada tematicamente aos famosos motivos amorosos da fantasia-overture Romeo and Juliet de Tchaikovsky.
O clima é dramático e pictórico, quase cinematográfico, por assim dizer. a”?
sexta-feira, 18 de dezembro de 2020
18 de Dezembro
Bruckner-Sinfonia nº 8 em dó menor,
quinta-feira, 17 de dezembro de 2020
Aaron Copland-Violino Concerto
quarta-feira, 16 de dezembro de 2020
Bruckner-Sinfonia nº 3 em ré menor
Primeiro andamento: começa com uma chamada quase ritual dos metais. Parece que a sinfonia não “arranca” — ela se ergue, bloco a bloco. Há silêncios longos, tensões que não se resolvem logo. Bruckner pede paciência, mas recompensa.
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Adagio: aqui está o coração. Não é sentimental; é contemplativo. Há uma espécie de fé cansada, mas firme. Música que não consola — acompanha.
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Scherzo: rústico, quase camponês. Dá para imaginar passos pesados na terra, contrastando com um trio mais lírico, como se o mundo respirasse por um instante.
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Finale: talvez o mais problemático… e por isso mesmo fascinante. Há luta, fragmentação, tentativas de afirmação. Não é triunfo fácil; é uma vitória que custa.
👉 existem várias versões da Terceira (1873, 1877, 1889), porque Bruckner foi muito pressionado a cortar e “simplificar”.
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A versão original é mais ousada, mais wagneriana, mas também mais caótica.
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As versões tardias são mais enxutas, porém alguns sentem que perdem aquele ímpeto quase místico inicial.
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2020
Glazunov-Sinfonia Nº. 8 mi bemol maior op.83,
quinta-feira, 10 de dezembro de 2020
Berlioz- L'Enfance du Christ op.25,
- L'enfance du Christ ( A Infância de Cristo ), Opus 25, é um oratório pelo compositor Hector Berlioz , com base na Sagrada Família de fuga para o Egito (ver Evangelho de Mateus 2:13).
- Berlioz escreveu suas próprias palavras para a peça. A maior parte foi composta em 1853 e 1854, mas também incorpora uma obra anterior La fuite en Egypte (1850).
- Foi apresentada pela primeira vez na Salle Herz , Paris ,a 10 de dezembro de 1854, com Berlioz como maestro e solistas da Opéra-Comique: Jourdan (Récitant), Depassio (Hérode), o casal Meillet (Marie e Joseph) e Bataille (Le père de famille).
quarta-feira, 9 de dezembro de 2020
Debussy- Nuages and Fêtes
Nuages (Nuvens)
É o mais imóvel dos três Nocturnes.
Debussy não tenta descrever uma tempestade, mas a lentidão constante, inevitável e silenciosa do movimento das nuvens no céu.
Características marcantes:
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Harmonia suspensa, quase sem resolução, dando a sensação de algo que flutua e nunca se fixa.
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O tema inicial nas madeiras é quase um haikai musical: poucas notas, repetidas, mudando de cor mas não de direcção.
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A orquestra é tratada como um véu de texturas, não como protagonista dramática.
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É música que não progride, apenas se desloca, como se o tempo se tornasse qualidade, não quantidade.
A sensação geral é de contemplação — uma estranha paz melancólica.
Fêtes (Festas)
É o oposto complementar de Nuages:
onde o primeiro é contemplativo, este é vibrante, pulsante, cheio de luz e movimento.
O que se destaca:
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Ritmos animados, cores brilhantes, uma sensação de multidão em movimento, quase impressionista.
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Há momentos em que a música parece representar reflexos de luz, lanternas, passos, ecos, como se estivéssemos dentro de uma festa de rua com múltiplas camadas sonoras.
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No centro do movimento, ouve-se a aproximação de uma procissão militar: Debussy faz essa chegada crescer lentamente pelas sombras até invadir a textura das festividades.
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Depois, as duas massas sonoras (festa e procissão) coexistem, cruzam-se e, num passe de magia, desfazem-se de novo na névoa de onde surgiram.
terça-feira, 8 de dezembro de 2020
8 de Dezembro
segunda-feira, 7 de dezembro de 2020
Chopin-Grande Polonaise brillante em mi bemol maior op nº22
Aqui vai um panorama claro e talvez útil para inspirares composições, imagens poéticas ou apenas apreciação musical:
🌟 O que é esta obra?
É uma polonaise para piano e orquestra, composta entre 1830 e 1831. Mais tarde, Chopin acrescentou o célebre Andante spianato, criando o conjunto hoje conhecido como Andante spianato et Grande Polonaise Brillante, Op. 22.
🎹 Caráter musical
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Brilhante: é mesmo o que o título diz — cheia de passagens virtuosas, saltos, escalas cintilantes e escrita pianística típica do Chopin jovem.
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Nobre e dançante: mantém a pulsação de polonaise (3/4 com ênfase aristocrática no primeiro tempo).
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Espetacular: feita para impressionar o público — quase uma peça de exibição.
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Lírica: apesar de toda a pirotecnia, há momentos cantáveis, com aquela ternura típica do Chopin que suspende o tempo.
🎼 Estrutura
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Grande Polonaise: exuberante, cheia de contrastes, com momentos de brilho efervescente que alternam com cenas mais delicadas.
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Mi♭ maior: tonalidade luminosa, muito usada por Chopin para peças de caráter solene e expansivo.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2020
Edward Elgar-Sinfonia nº01 em lá bemol maior op.55
Contexto e criação (1907–1908)
Elgar já era reconhecido por obras como Enigma Variations e Pomp and Circumstance, mas ainda não tinha uma sinfonia — algo visto, na época, como um “símbolo de maturidade” para um compositor inglês.
Quando a Sinfonia n.º 1 estreou em dezembro de 1908, foi um sucesso estrondoso:
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mais de 100 performances no primeiro ano
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foi recebida como a primeira grande sinfonia inglesa desde Purcell (um exagero histórico, mas dá a ideia do impacto)
Estrutura e carácter
A sinfonia dura cerca de 50 minutos e tem quatro andamentos:
I – Andante. Nobilmente e semplice – Allegro
Começa com um dos temas mais belos e nobres da música orquestral britânica — a famosa march theme em lá bemol, luminosa, ampla, quase “hínica”.
Depois, o Allegro mergulha num mundo mais tenso e cromático, mostrando o contraste central da obra:
nobreza ideal vs. luta interior.
II – Allegro molto
Um scherzo tenso e impetuoso, quase uma fuga.
É música vibrante, de energia contida, com texturas densas e metálicas. Muitos comentadores associam este movimento à imagem da modernidade inquieta pré-Primeira Guerra Mundial.
III – Adagio
Um dos grandes adagios do repertório sinfónico.
Profundamente lírico, íntimo, de beleza quase meditativa.
É o “coração emocional” da obra, com aquele tipo de calor melódico e nostálgico que só Elgar sabia criar.
IV – Lento – Allegro
Começa sombrio, em murmúrios de cordas, mas aos poucos vai reconstruindo a nobreza inicial.
O retorno triunfal do tema do primeiro andamento é uma das coisas mais gratificantes de ouvir — parece que a sinfonia inteira caminha para esse reencontro.
Por que é tão especial?
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Maturidade sinfónica autêntica: Elgar domina o contraponto e a forma com segurança wagneriana, mas sem perder o caráter inglês.
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Identidade britânica: Foi a primeira sinfonia inglesa moderna que competiu com Mahler, Strauss e Tchaikovsky em grandeza.
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Poder emotivo: A obra equilibra elegância, drama e transcendência com uma assinatura melódica forte.