quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

31 de Dezembro

No último dia do ano de 1724, JS Bach estreia em Leipzig, a Cantata no.122: Das neugebor'ne Kindelein (1 º domingo depois do Natal), BWV122.

Richard Strauss-Sinfonia Doméstica em fá maior

Em 1903 R. Strauss finalizou a Sinfonia Domestica, que tinha sido iniciada por Strauss em 1902, como um poema sinfónico que seria especialmente sobre sua vida de família (em 1894, casou-se com Pauline de Ahna, soprano de temperamento ardente, com quem teve um único filho, Franz, nascido em 1897).

 Ele terminou este poema sinfónico em fá maior em 1903, chamando-o de "Sinfonia Doméstica", quando passava as férias com a mulher e o filho na ilha de Wight. 

Quando voltou a Berlim, começou a orquestração da obra que foi terminada na véspera do Ano Novo, em 1903

É daquelas obras que parecem dizer: “a vida comum também merece uma sinfonia.”

Escrita entre 1902 e 1903, em Fá maior, é talvez uma das obras mais íntimas e ousadas de Strauss — e, ao mesmo tempo, uma das mais mal-compreendidas.

Strauss faz algo quase provocador: transforma o quotidiano familiar numa grande sinfonia.
Ali estão, musicalmente retratados:

  • o pai (ele próprio),

  • a mãe (Pauline, a esposa),

  • o filho,

  • discussões conjugais,

  • brincadeiras,

  • o adormecer da casa ao fim do dia.

  • Para muitos críticos da época, isto soou a egocentrismo:

    “Como assim uma sinfonia sobre escovar os dentes e embalar um bebé?”

    Mas Strauss responde com música — e que música.

    Musicalmente falando

    • Orquestra gigantesca (Strauss nunca foi tímido 😄)

    • Uso magistral do leitmotiv (quase wagneriano)

    • Harmonia rica, cromática, mas sempre com um pé no lirismo

    • Um equilíbrio curioso entre grandiosidade sinfónica e ternura doméstica

    • Há momentos de:

      • humor irónico,

      • calor humano,

      • tensão real (as discussões conjugais não são nada suaves),

      • e um final sereno, quase reconciliador, quando a casa adormece.

      Strauss afirma, sem pedir licença, que:

      o amor vivido, imperfeito e cotidiano, é matéria digna de arte elevada.

      Não é o amor idealizado — é o amor vivido, com ruído, rotina, cansaço e ternura.

      E isso dá-lhe uma força muito particular.

      Em resumo

      A Sinfonia Doméstica não é:

      • heroica como Ein Heldenleben,

      • nem trágica como Morte e Transfiguração.

      Mas é profundamente humana.
      Uma obra que diz: “a grande epopeia pode estar dentro de casa.”

 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Bruckner-Sinfonia nº 7 em mi maior

No ano de 1884.a 30 de Dezembro Bruckner estreia a Sinfonia No. 7 em mi maior, em Leipzig interpretado pela Gewandhaus Orchestra conduzida por Arthur Nikisch.

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

15 de Março

  • Em 1835 nasce Eduard Strauss que viria a morrer a 28 de dezembro de 1916, foi um compositor austríaco, irmão de Johann Strauss II e Josef Strauss.

  •  A família dominou o mundo musical vienense durante décadas, criando muitas valsas e polkas 

  • Eduard Strauss, criou um estilo próprio e não tentou imitar as obras dos seus irmãos ou outros seus contemporâneos. 

  • Foi principalmente lembrado e reconhecido como um maestro, a sua popularidade foi ensombrada pelo de seu irmão mais velho.

  •  Percebendo isso, carimbou a sua própria marca com a polca rápida, conhecida na língua alemã como "polca-Schnell".

  •  Entre os mais populares polkas, foram "Bahn Frei", op. 45, "Ausser Rand und Band", op.168, e "Ohne Bremse", op. 238. Esta é  a Bahn frei e a thelephone polka

domingo, 27 de dezembro de 2020

Bach-Cantata nº 133 BWV 133 "Ich freue mich in dir

Em 1724 aa 27 de Dezembro  Bach estreia em Leipzig a sua Cantata No. 133 "Ich freue mich in dir" .

Rachmaninov-Rapsódia sobre um tema de Paganini

No ano de 1937 a 27 de Dezembro  estreia da obra de Rachmaninov Rhapsody on a Theme of Paganini pela New York Philharmonic Orchestra dirigida por Bruno Walter. Rachmaninov foi o pianista.

A Rapsódia sobre um Tema de Paganini, op. 43, do Rachmaninov, é um milagre de engenho e emoção ao mesmo tempo. Ele pega o Capricho nº 24 de Paganini — já cheio de tensão diabólica — e transforma aquilo em 24 variações que vão do virtuosismo quase cruel à confissão mais íntima.
  • O pacto com o diabo 
    Rachmaninov brinca explicitamente com a ideia faustiana de Paganini. O tema do Dies Irae aparece várias vezes, como uma sombra constante — algo muito típico dele, aliás. É como se a morte estivesse sempre a observar o pianista. 

  • Virtuosismo com sentido
    Não é exibição vazia. Cada dificuldade técnica serve a uma ideia expressiva. O piano ora é sarcástico, ora feroz, ora profundamente lírico.

  • Variação XVIII 
    Aqui ele faz magia pura: inverte o tema de Paganini e cria uma das melodias mais belas do século XX. É amor, rendição, luz — quase um descanso da luta anterior. Não por acaso, essa variação parece suspender o tempo.

  • Arquitetura perfeita
    A obra flui como um único organismo: tensão → sedução → combate → êxtase → ironia final. O fim é quase um riso malandro do compositor, como quem diz: “achavam que eu ia terminar grandioso?”

 

sábado, 26 de dezembro de 2020

Bach-Cantata nº 121 BWV 121 "Christum wir colleen loben schon on the 2nd Day of Christmas "

Em 1724 Bach a 26 de Dezembro .estreia em Leipzig a sua Sacred Cantata No. 121 Christum wir colleen loben schon on the 2nd Day of Christmas (Devemos louvar muito a Cristo [a] ), BWV 121 , é uma cantata de igreja de Johann Sebastian Bach . Ele compôs esta cantata de Natal em Leipzig em 1724 para o segundo dia de Natal e cantou pela primeira vez em 26 de dezembro de 1724. A cantata coral é baseada no hino de Martin Luther " Christum wir sollen loben schon

Brahms-Abertura trágica op.81

Em 1880 a 26 de Dezembro, estreia em Viena Brahms a sua Abertura trágica Op. 81. Além das sinfonias, Brahms escreveu também duas aberturas. A Abertura Festival Académico que é uma obra alegre e circunstancial, que contrasta com esta Abertura Trágica, composta ao mesmo tempo, uma obra de uma nobreza quase sombria 

Brahms não está a contar uma tragédia específica; ele cria um estado trágico. É quase arquitetónico: blocos sonoros densos, temas curtos, martelados, como se o destino fosse uma força impessoal, inevitável. Nada de dramatismo operático à Wagner — aqui a tragédia é contida, austera, quase ética.
  • 🔥 O tom em ré menor: clássico da gravidade, mas em Brahms soa ainda mais severo.

  • 🪵 Os metais e os tímpanos: não são heroicos, são fatais. Parecem sentenças.

  • 🌫️ A ausência de “consolo”: mesmo quando há lirismo, ele nunca se resolve. A música sabe que não vai escapar.

Curioso é que Brahms escreveu esta abertura como “par” da Abertura Académica, que é leve, festiva. Como quem diz: a vida tem cerveja e tem abismo. E ele dominava ambos.

Se puxarmos para o território poético (noite, sombras, resistência interna), esta abertura é quase um poema sem palavras sobre:

  • luta silenciosa

  • dignidade na dor

  • aceitar o peso sem se quebrar

Não é música para chorar — é música para aguentar de pé.    

Schubert-Piano Trio nº 01 em si bemol maior

O Trio nº 1 em si bemol maior para piano , violino e violoncelo , D. 898, foi escrito por Franz Schubert em 1827 . 

O compositor terminou a obra em 1828, no último ano de vida.

 Foi publicado em 1836 como Opus 99, oito anos após a morte do compositor. O trio e , é um trabalho de escala incomumente grande para trio de piano, levando cerca de 40 minutos no total para ser executado.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

25 de Dezembro

Em 1724 Bach estreia a Sacred Cantata No. 91 Gelobet seist du Jesu Christ ,

 Gelobet seist du, Jesu Christ (Louvado seja você, Jesus Cristo), BWV 91 , é uma cantata de igreja de Johann Sebastian Bach . Ele escreveu a cantata de Natal em Leipzig em 1724 para o dia de Natal e a executou pela primeira vez em 25 de dezembro de 1724. A cantata coral é baseada no hino " Gelobet seist du, Jesu Christ " (1524) de Martinho Lutero .

25 de Dezembro

Como não podia deixar de ser, neste dia no ano de 1818 FP na Igreja de St. Nicholas em Obendorf na Alemanha, cantou-se Silent Night composição de Franz Gruber com letra de Josef Mohr, estreia a mais conhecida das canções de Natal. 

 Foi declarada patrimônio cultural intangível pela UNESCO em 2011. A canção foi gravada por muitos cantores de vários gêneros musicais. A versão cantada por Bing Crosby em 1935 vendeu 10 milhões de cópias como single

Bach-Magnificat

Em 1723,a 25 de Dezembro,  estreia Bach em Leipzig, o seu famoso Magnificat. O Magnificat em ré maior, BWV 243, é uma das principais obras vocais de Johann Sebastian Bach. 

Foi composta para orquestra, um coro de cinco partes e quatro ou cinco solistas. 

 O que sempre me impressiona é essa mistura quase impossível: alegria exuberante e reverência profunda. Logo no “Magnificat anima mea Dominum”, Bach não deixa a alma apenas louvar — ele faz a alma dançar. É júbilo que sobe em espirais, mas com uma ordem interna rigorosa, como se a fé tivesse coluna vertebral.

Depois, há os contrastes:

  • o “Et misericordia” mais contido, quase íntimo,

  • o “Fecit potentiam” impetuoso, musculado,

  • e aquele “Esurientes implevit bonis” tão humano, tão terno — parece olhar diretamente para os vazios do mundo.

Bach faz algo muito teu, aliás: o sagrado não é distante. É corpo, respiração, pulsação. Há sombra e luz, noite e claridade — mas sempre no presente, nunca numa saudade abstrata. O louvor acontece agora, no som que vibra.


Seu texto consiste do 
cântico de Maria, mãe de Jesus, tal como descrito pelo evangelista Lucas 1. 
Magnificat 0:10 2. 
Et exsultavit 3:23 3. 
Quia respexit 5:52 4. 
Omnes generationes 8:39 5. 
Quia fecit 10:13 6. 
Et misericordia 12:16 7. 
Fecit potentiam 16:08 8. 
Deposuit potentes 18:10 9. 
Esuriendes implevit 20:37 10. 
Suscepit Israel 23:29 11. 
Sicut locutus 25:39 12. 
Gloria 27:07

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

21 de Dezembro

Em 1908 Schoenberg estreia em Viena o seu String Quartet no. 2 para cordas e soprano op. 10. Aqui a interpretação é de Ann Moss and The Hausmann Quartet

Prokofiev-Sinfonia nº1 em ré maior op.25"Clássica"

Em 1918 a 21 de dezembro , Prokofiev estreia em Petrogardo a sua Sinfonia Clássica
 op.nº25.
A Sinfonia nº 1 , é quase uma brincadeira com Haydn e Mozart. Ele compôs no estilo clássico, mas com aquele toque esperto, ácido e moderno dele. Meio “— olha como eu também sei fazer isso, mas do meu jeito”.

Alguns pontos gostosos de notar:

  • É curtinha e leve, só uns 15 minutinhos.

  • Quatro movimentos, modelo clássico.

  • Orquestra pequena, timbre transparente.

  • Cheia de ironia: melodias doces que viram cantadas tortas, harmonias que escorregam.

  • O primeiro movimento é puro sol — tema saltitante, energia juvenil.
    O segundo é uma graça: quase dançante, com aquele jeito perolado das cordas.
    O terceiro, o gavotte, é onde Prokofiev coloca o sorriso travesso.
    E o final dispara como foguete — rápido, virtuoso, quase caricatura.

 

domingo, 20 de dezembro de 2020

20 de Dezembro

No ano de 1982, com 95 anos morre em Genebra, o pianista Artur Rubinstein, aqui toc tocar a Valsa de Chopin op.64.2,

20 de Dezembro.

No ano de 1775, Mozart termina Violin Concerto No. 5 in A major (Turkish) K219

20 de Dezembro

Em 1886 Brahms estreia em Budapest o seu Piano Trio No. 3 em dó menor Op.101.

sábado, 19 de dezembro de 2020

19 de Dezembro

No dia 19 de Dezembro de 1930 aconteceu a primeira apresentação da Sinfonia dos Salmos de Starvinsky, interpretada pela Orquestra Sinfónica de Boston, sob a direcção de Serge Koussevitzky,

Rimsky-Korsakov-Sinfonia nº01 em mi menor op.01

Em 1865 a 19 de Dezembro Rimsky-Korsakov estreia em S.Petersburgo a sua Sinfonia nº01 em mi menor op.1 Nikolai Rimsky-Korsakov compôs sua Sinfonia nº 1 em Mi menor, Op. 1 , entre 1861 e 1865 sob a orientação de Mily Balakirev. Balakirev também estreou a obra em um concerto da Escola Livre de Música em dezembro de 1865. Rimsky-Korsakov revisou a obra em 1884.

Tchaikovsky-Sinfonia fantástica The Tempest

Em 1874 a 19 de dezembro,  Tchaikovsky estreia em Moscovo a sua Sinfonia fantástica The Tempest baseada em Shakespeare 

The Tempest, Op. 18

  • É um poema sinfónico — um tipo de composição orquestral que conta ou evoca uma história, cena ou drama sem palavras, através da música. 

  • Composto em 1873, com cerca de 25 minutos de duração.

  • O compositor russo escreveu-o depois de ser convidado a criar peças baseadas em temas literários (incluindo Taras Bulba e Ivanhoe).

A inspiração de Shakespeare

Tchaikovsky baseou-se na peça de Shakespeare The Tempest (A Tempestade), com os seus elementos dramáticos bem marcados:

  • O mar calmo e depois tempestuoso;

  • Personagens como Caliban (representado de forma grotesca) e o amor entre Ferdinand e Miranda;

  • Uma narrativa musical que passa por silêncio, tensão, tormenta e romance — quase como se a orquestra falasse por si. 

  • A peça é escrita como um único movimento com várias secções (começa lento, cresce e evolui). 

  • Há momentos de calmaria orquestral, choque tempestuoso, e música lírica que lembra amor e ternura — muitas vezes comparada tematicamente aos famosos motivos amorosos da fantasia-overture Romeo and Juliet de Tchaikovsky. 

  • O clima é dramático e pictórico, quase cinematográfico, por assim dizer. a”?

Só para esclarecer: quando a gente diz “Sinfonia Fantástica”, normalmente estamos a pensar na obra-prima de Hector Berlioz, extremamente dramática e narrativa, mas é outra peça, de outro compositor e estilo — e não tem relação direta com The Tempest de Tchaikovsky, apesar de o nome poder soar semelhante a quem não conhece o repertório.   

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

18 de Dezembro

Em 1853 Camille Saint-Saens estreia em Paris a sua Sinfonia nº 1 mi bemol maior op.2. Sua Opus 2 é uma obra juvenil, escrita aos dezoito anos. Foi criado em 18 de dezembro de 1853, sem que o autor seja revelado. Charles Gounod e Hector Berlioz compareceram ao concerto regido por Seghers e o músico recebeu elogios do primeiro em uma curta missiva quando o verdadeiro autor da sinfonia foi revelado.

Bruckner-Sinfonia nº 8 em dó menor,

Em 1892 Bruckner estreia em Viena a sua Sinfonia nº 8 em dó menor A sinfonia nº 8 em dó menor de Anton Bruckner , WAB 108, é a última sinfonia que o compositor concluiu. Ele existe em duas versões principais de 1887 e 1890. Foi estreado sob o maestro Hans Richter em 1892 em Viena . É dedicado ao Imperador Franz Joseph I da Áustria .

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Aaron Copland-Violino Concerto

Em 1944 Aaron Copland estreia a sua Violino Sonata, com Ruth Posselt, no violino, com o compositor ao piano.

  A "Violin Sonata" de Aaron Copland é uma obra profundamente introspectiva e lírica, composta em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial. 

Apesar de seu estilo mais reservado em comparação a algumas de suas obras mais populares, como "Appalachian Spring" ou "Fanfare for the Common Man," a sonata carrega uma riqueza emocional notável

. O estilo e estrutura Linguagem musical: 

A sonata é escrita no estilo característico de Copland, com harmonias claras e texturas econômicas, que evocam a vastidão da paisagem americana. Ele combina a simplicidade melódica com uma profundidade emocional, refletindo as preocupações da época. 

 Movimentos: A peça é estruturada em três movimentos: 

 Andante semplice: Uma introdução contemplativa, onde a melodia do violino flutua sobre acordes tranquilos do piano. 

Lento: Um movimento central emotivo, que transmite uma sensação de melancolia e saudade. 

Allegretto giusto: Encerrando com leveza e um toque dançante, mas ainda com uma sobriedade que nunca abandona completamente a obra. 

Contexto emocional 

Copland escreveu esta sonata em memória de um amigo próximo, o aviador Harry H. Dunham, que morreu em combate. 

Isso confere à peça um tom elegíaco, mas não inteiramente sombrio. Em vez disso, há uma sensação de aceitação e serenidade. 

 Impacto e interpretação 

A sonata exige um equilíbrio delicado entre virtuosismo técnico e expressão íntima, o que faz dela uma obra apreciada tanto por violinistas quanto por pianistas. 

Embora não seja tão frequentemente interpretada  quanto outras obras do repertório de Copland, ela é um excelente exemplo de sua habilidade em capturar emoções complexas com simplicidade.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Bruckner-Sinfonia nº 3 em ré menor

Em 1877 s 16 de Dezembro, Anton Bruckner estreia em Viena a sua Sinfonia nº3 em ré menor que  é uma sinfonia elaborada por Anton Bruckner, tendo sido dedicada a Richard Wagner e por isso às vezes denominada Sinfonia Wagner 

Foi escrita em 1873, revista em 1877 e novamente em 1891
  • Primeiro andamento: começa com uma chamada quase ritual dos metais. Parece que a sinfonia não “arranca” — ela se ergue, bloco a bloco. Há silêncios longos, tensões que não se resolvem logo. Bruckner pede paciência, mas recompensa.

  • Adagio: aqui está o coração. Não é sentimental; é contemplativo. Há uma espécie de fé cansada, mas firme. Música que não consola — acompanha.

  • Scherzo: rústico, quase camponês. Dá para imaginar passos pesados na terra, contrastando com um trio mais lírico, como se o mundo respirasse por um instante.

  • Finale: talvez o mais problemático… e por isso mesmo fascinante. Há luta, fragmentação, tentativas de afirmação. Não é triunfo fácil; é uma vitória que custa.


👉 existem várias versões da Terceira (1873, 1877, 1889), porque Bruckner foi muito pressionado a cortar e “simplificar”.

  • A versão original é mais ousada, mais wagneriana, mas também mais caótica.

  • As versões tardias são mais enxutas, porém alguns sentem que perdem aquele ímpeto quase místico inicial.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Glazunov-Sinfonia Nº. 8 mi bemol maior op.83,

A Sinfonia nº 8 em Mi bemol maior, Op. 83, foi composta por Alexander Glazunov em 1905 e publicada dois anos depois. Esta sinfonia em quatro movimentos (a última) foi estreada em 22 de dezembro de 1906 em São Petersburgo, sob a regência do compositor. Foi uma influência importante na Sinfonia em Mi bemol de Igor Stravinsky.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Berlioz- L'Enfance du Christ op.25,

  • L'enfance du Christ ( A Infância de Cristo ), Opus 25, é um oratório pelo compositor Hector Berlioz , com base na Sagrada Família de fuga para o Egito (ver Evangelho de Mateus 2:13). 

  • Berlioz escreveu suas próprias palavras para a peça. A maior parte foi composta em 1853 e 1854, mas também incorpora uma obra anterior La fuite en Egypte (1850). 

  • Foi apresentada pela primeira vez na Salle Herz , Paris ,a 10 de dezembro de 1854, com Berlioz como maestro e solistas da Opéra-Comique: Jourdan (Récitant), Depassio (Hérode), o casal Meillet (Marie e Joseph) e Bataille (Le père de famille).

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Debussy- Nuages and Fêtes

Em 1900 a 9 de Dezenbro, Debussy estreia Nuage and Fetes orquestra conduzida por Camille Chevillard num concerto em Paris.

“Nuages” e “Fêtes” são os dois primeiros movimentos de Nocturnes (1899), uma das obras orquestrais mais refinadas de Claude Debussy — e também das mais “pictóricas”, no sentido de que parecem pintar sensações e atmosferas mais do que narrar acontecimentos.

Nuages (Nuvens)

É o mais imóvel dos três Nocturnes.
Debussy não tenta descrever uma tempestade, mas a lentidão constante, inevitável e silenciosa do movimento das nuvens no céu.

Características marcantes:

  • Harmonia suspensa, quase sem resolução, dando a sensação de algo que flutua e nunca se fixa.

  • O tema inicial nas madeiras é quase um haikai musical: poucas notas, repetidas, mudando de cor mas não de direcção.

  • A orquestra é tratada como um véu de texturas, não como protagonista dramática.

  • É música que não progride, apenas se desloca, como se o tempo se tornasse qualidade, não quantidade.

A sensação geral é de contemplação — uma estranha paz melancólica.

Fêtes (Festas)

É o oposto complementar de Nuages:
onde o primeiro é contemplativo, este é vibrante, pulsante, cheio de luz e movimento.

O que se destaca:

  • Ritmos animados, cores brilhantes, uma sensação de multidão em movimento, quase impressionista.

  • Há momentos em que a música parece representar reflexos de luz, lanternas, passos, ecos, como se estivéssemos dentro de uma festa de rua com múltiplas camadas sonoras.

  • No centro do movimento, ouve-se a aproximação de uma procissão militar: Debussy faz essa chegada crescer lentamente pelas sombras até invadir a textura das festividades.

  • Depois, as duas massas sonoras (festa e procissão) coexistem, cruzam-se e, num passe de magia, desfazem-se de novo na névoa de onde surgiram.

 

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

8 de Dezembro

Em 1844 Schumann estreia em Leipzig o seu Piano Quartet Op 47 no Gewandhaus. Clara Schumann no piano, Ferdinand David no violino Niels W. Gade violoncelo.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Chopin-Grande Polonaise brillante em mi bemol maior op nº22

Em 1834 Chopin estreia no Conservatório de Paris a Grande Polonaise brillant em mi bemol maior op.22 concerto dirigido por Hector Berlioz.Aqui a interpretação é de Lang LangA Grande Polonaise Brillante em Mi♭ maior, Op. 22 de Frédéric Chopin é uma das obras mais características do seu virtuosismo juvenil — elegante, brilhante, dançante e profundamente pianística.

Aqui vai um panorama claro e talvez útil para inspirares composições, imagens poéticas ou apenas apreciação musical:

🌟 O que é esta obra?

É uma polonaise para piano e orquestra, composta entre 1830 e 1831. Mais tarde, Chopin acrescentou o célebre Andante spianato, criando o conjunto hoje conhecido como Andante spianato et Grande Polonaise Brillante, Op. 22.

🎹 Caráter musical

  • Brilhante: é mesmo o que o título diz — cheia de passagens virtuosas, saltos, escalas cintilantes e escrita pianística típica do Chopin jovem.

  • Nobre e dançante: mantém a pulsação de polonaise (3/4 com ênfase aristocrática no primeiro tempo).

  • Espetacular: feita para impressionar o público — quase uma peça de exibição.

  • Lírica: apesar de toda a pirotecnia, há momentos cantáveis, com aquela ternura típica do Chopin que suspende o tempo.

🎼 Estrutura

  • Grande Polonaise: exuberante, cheia de contrastes, com momentos de brilho efervescente que alternam com cenas mais delicadas.

  • Mi♭ maior: tonalidade luminosa, muito usada por Chopin para peças de caráter solene e expansivo.

 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Edward Elgar-Sinfonia nº01 em lá bemol maior op.55

Em 1908 a 3 de Dezembro, Elgar estreia no Free Trade Hall em Manchester a sua 1ªSinfonia em lá bemol maior op.56. Hans Richter conduziu a Hallé Orchestra.

A Sinfonia n.º 1 em Lá bemol maior, op. 55, de Edward Elgar, é uma das obras sinfónicas mais importantes do final do século XIX / início do XX — e, para muitos, a afirmação definitiva de Elgar como sinfonista ao nível dos grandes europeus.

Contexto e criação (1907–1908)

Elgar já era reconhecido por obras como Enigma Variations e Pomp and Circumstance, mas ainda não tinha uma sinfonia — algo visto, na época, como um “símbolo de maturidade” para um compositor inglês.

Quando a Sinfonia n.º 1 estreou em dezembro de 1908, foi um sucesso estrondoso:

  • mais de 100 performances no primeiro ano

  • foi recebida como a primeira grande sinfonia inglesa desde Purcell (um exagero histórico, mas dá a ideia do impacto)

Estrutura e carácter

A sinfonia dura cerca de 50 minutos e tem quatro andamentos:

I – Andante. Nobilmente e semplice – Allegro

Começa com um dos temas mais belos e nobres da música orquestral britânica — a famosa march theme em lá bemol, luminosa, ampla, quase “hínica”.
Depois, o Allegro mergulha num mundo mais tenso e cromático, mostrando o contraste central da obra:
nobreza ideal vs. luta interior.

II – Allegro molto

Um scherzo tenso e impetuoso, quase uma fuga.
É música vibrante, de energia contida, com texturas densas e metálicas. Muitos comentadores associam este movimento à imagem da modernidade inquieta pré-Primeira Guerra Mundial.

III – Adagio

Um dos grandes adagios do repertório sinfónico.
Profundamente lírico, íntimo, de beleza quase meditativa.
É o “coração emocional” da obra, com aquele tipo de calor melódico e nostálgico que só Elgar sabia criar.

IV – Lento – Allegro

Começa sombrio, em murmúrios de cordas, mas aos poucos vai reconstruindo a nobreza inicial.
O retorno triunfal do tema do primeiro andamento é uma das coisas mais gratificantes de ouvir — parece que a sinfonia inteira caminha para esse reencontro.

Por que é tão especial?

  • Maturidade sinfónica autêntica: Elgar domina o contraponto e a forma com segurança wagneriana, mas sem perder o caráter inglês.

  • Identidade britânica: Foi a primeira sinfonia inglesa moderna que competiu com Mahler, Strauss e Tchaikovsky em grandeza.

  • Poder emotivo: A obra equilibra elegância, drama e transcendência com uma assinatura melódica forte.