A Sonata para Clarinete nº 1 em fá menor, Op. 120, é Brahms no fim da vida — cansado do mundo, mas estranhamente luminoso por dentro.
Um detalhe lindo logo de partida: Brahms já tinha praticamente decidido parar de compor quando ouviu o Richard Mühlfeld, clarinetista extraordinário. Essa sonata (e a irmã em mi♭ maior) nasce desse reencontro com a vontade de dizer algo mais. E isso sente-se em cada compasso.
No ano de 1895,a 11 de Janeiro estreou -a em Viena , com Richard Muhlfeld como solista e o próprio Brahms no piano.
O clima geral
Nada aqui é exibicionismo. É intimidade. O clarinete não brilha “para fora”; ele confessa. E o piano não acompanha — dialoga, respira junto, às vezes carrega o peso todo sozinho.
Movimento a movimento
I. Allegro appassionato
Fá menor já diz tudo: densidade, sombra, inquietação. Mas não é um drama explosivo — é um drama contido, quase resignado. O clarinete entra como quem fala de algo que dói, mas já foi aceito. Brahms usa muito o registro médio e grave do instrumento, dando essa cor quente, humana, quase voz.Aqui o tempo parece parar. É um dos momentos mais ternos que Brahms escreveu. O clarinete canta longas linhas, com uma doçura madura, sem ingenuidade. Não é felicidade simples — é aquela paz que vem depois de muita luta.
III. Allegretto grazioso
Uma espécie de alívio, mas nunca totalmente leve. Há graça, sim, mas sempre com um véu de melancolia. Como um sorriso que sabe demais.
IV. Vivace
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