O Strauss escreveu isso em 1945, com a Alemanha em ruínas, e sente-se ali um lamento sem palavras — não é exatamente desespero, é mais uma dor pensante, madura, quase resignada.
São 23 instrumentos de cordas solistas, e isso não é acaso: cada voz parece carregar uma consciência própria, como se fossem pessoas caminhando entre escombros, cada uma lembrando o que foi perdido.
O que sempre me toca é como a música não explode. Ela se dobra. Se transforma lentamente, como o título promete. É um adeus ao mundo cultural alemão que ele amava — Goethe, Beethoven (a citação da Eroica no fim é um golpe no coração), a ideia de humanidade iluminada. Não é raiva; é luto nobre.
O que sempre me toca é como a música não explode. Ela se dobra. Se transforma lentamente, como o título promete. É um adeus ao mundo cultural alemão que ele amava — Goethe, Beethoven (a citação da Eroica no fim é um golpe no coração), a ideia de humanidade iluminada. Não é raiva; é luto nobre.
Metamorphosen não pede aplauso imediato. Pede escuta demorada. É música que caminha — como quem atravessa um jardim devastado, ainda lembrando onde antes havia rosas
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