quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Prokofiev-Scythian Suite op.20

A Scythian Suite, Op. 20 (1915) é basicamente Prokofiev a dizer ao mundo: “segurem-me a partitura que hoje vou assustar Paris”. É brutal, pagã, rítmica até aos ossos, cheia de arestas. Nada de conforto — aqui há terra, fogo, sacrifício e deuses antigos.

  • Em 1916  a  16 de Janeiro  Sergei Prokofiev estreia a  Scythian Suite op.20

Alguns pontos que a tornam tão especial:

  • Violência rítmica: marteladas orquestrais, acentos deslocados, uma energia quase primitiva. Dá para sentir o chão a tremer.

  • Harmonia agressiva: dissonâncias cruas, sem pedir desculpa. Não é “feia” — é intencionalmente áspera.

  • Orquestra monstruosa: metais em fúria, percussão tribal, cordas em tensão constante. Prokofiev explora o limite físico do som.

  • Atmosfera pagã: escrita a partir de um bailado sobre rituais citas — sacrifícios, deuses solares, forças arcaicas. Tudo muito pré-cristão, quase mítico.

Os andamentos são todos fortes, mas: 
  • “A Adoração de Veles e Ala” já chega a esmagar.

  • “A Procissão do Sol” é hipnótica e ameaçadora.

  • “O Ídolo de Lolli e o Cortejo dos Sete Ídolos” fecha com uma fúria quase apocalíptica.

Curiosidade deliciosa: na estreia, muita gente ficou chocada. Era demais. Hoje soa visionária — um antepassado direto do Stravinsky mais brutal e até de certas linguagens do cinema épico moderno.

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