A Sinfonia n.º 3 em Lá menor, Op. 36, do Nikolai Miaskovsky, é uma obra que não faz concessões. Não é daquelas sinfonias que te agarram com um tema imediatamente “cantável” e te levam pela mão.
Primeiro, um detalhe: a nº 3 é uma obra muito precoce (1903-04), ainda do período de formação dele. O Op. 36 corresponde mais tarde à 12ª sinfonia — Miaskovsky numerou as obras e os opus nem sempre seguem ordem cronológica intuitiva.
Mas falando da Terceira Sinfonia, estamos naquele Miaskovsky jovem, sombrio, já com aquele peso existencial que seria marca dele.Miaskovsky foi chamado de “a consciência da sinfonia russa” — e isso faz sentido.
Não tem o brilho orquestral explosivo de Sergei Prokofiev, nem a ironia mordaz de Dmitri Shostakovich. É mais interior. Mais subterrâneo.
É música que não pede aplauso imediato — pede escuta paciente.
A Terceira é construída em dois grandes blocos sinfónicos, quase como dois arcos dramáticos amplos, em vez da estrutura tradicional de quatro andamentos. Isso dá-lhe uma sensação mais contínua, mais concentrada — menos “episódica”, mais narrativa.
O primeiro é mais tenso e sombrio; o segundo aprofunda a atmosfera e fecha com um peso emocional bem característico daquele Miaskovsky jovem.
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