domingo, 21 de fevereiro de 2021

Glazunov-Sinfonia Nº. 6 em dó menor op.58,

Em 1897 a 21 de Fevereiro Alexander Glazunov estreia a sua Sinfonia nº. 6 em dó menor Op. 58.

essa não é só uma sinfonia — é quase um desabafo orquestral com postura aristocrática.

Composta em 1896, é provavelmente a mais intensa e dramática das oito sinfonias dele. Glazunov costuma ser visto como o “equilibrado”, o herdeiro disciplinado de Rimsky-Korsakov, menos explosivo que Tchaikovsky, menos místico que Scriabin. Mas aqui… ele deixa o lado sombrio falar.

O que marca essa sinfonia?

1️⃣ Primeiro andamento (Allegro passionato)
Logo de cara: tensão. O dó menor não é decorativo — é trágico. A escrita é sólida, quase arquitetónica, mas com uma carga emocional que surpreende quem acha que Glazunov é só “formalismo bonito”.

2️⃣ Tema com variações (Andante)
Aqui ele mostra classe. É lírico, nobre, sem sentimentalismo excessivo. Não é um choro — é uma meditação. Há uma dignidade que me lembra um pouco o lado mais contido de Tchaikovsky.

3️⃣ Scherzo
Mais leve, mas não trivial. Ritmo elegante, cores orquestrais muito bem trabalhadas — Glazunov era mestre em orquestração.

4️⃣ Finale

Começa quase trágico e vai construindo para uma resolução em dó maior. E isso é importante: ele não termina no abismo. Há uma espécie de redenção — não explosiva, mas afirmativa.  

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