Em 1834 a obra foi proibida pelo arcebispo de Paris por causa do uso de vozes de mulheres,levando o compositor em 1836 a escrever um segundo Requiem agora em ré menor para coro masculino
.Escrito em 1816, para coro misto e orquestra, este Requiem foge totalmente do dramatismo operático que se esperaria da época. Cherubini opta por um espírito litúrgico rigoroso, contido, quase severo. Nada de solistas a brilhar: o coro é o protagonista absoluto, como se a voz individual se dissolvesse numa oração coletiva.
Alguns pontos que o tornam especial:
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Clima grave e recolhido: o dó menor dá à obra uma densidade emocional constante, sem explosões fáceis.
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Escrita coral extraordinária: o equilíbrio entre as vozes é refinado, com uma polifonia clara, mas nunca excessiva.
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Espiritualidade sem teatralidade: é música de fé pensada, não de espetáculo.
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Carga simbólica forte: foi executado no funeral de Luís XVI e, curiosamente, Beethoven admirava-o profundamente — tanto que pediu que fosse tocado no seu próprio funeral.O Dies Irae, por exemplo, não grita o terror do juízo final — ele impõe respeito. Já o Agnus Dei encerra a obra com uma paz quase fria, mas profundamente humana.
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