- Em 1911 Jean Sibelius, estreia a sua Sinfonia nº 4 em lá menor op.63. Aqui a interpretação é da Swedisch Radio Symphony Orchestra sob a direcção de Esa-Pekka Salonen
A Sinfonia nº 4 em lá menor, op. 63, de Jean Sibelius, é uma das suas obras mais sombrias e introspectivas. Composta entre 1910 e 1911, reflete um período de grande turbulência na vida do compositor, tanto emocional quanto física—ele havia passado por uma cirurgia para remover um tumor na garganta, e essa experiência influenciou profundamente o caráter da obra.
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Diferente das suas sinfonias anteriores, que possuíam um lirismo heróico e grandioso, a Quarta Sinfonia é austera, dissonante e melancólica. Ela evita os triunfos e as resoluções fáceis, explorando um mundo de incerteza e profundidade emocional.
Algumas características marcantes:
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Orquestração contida, sem o brilho típico de suas outras sinfonias.
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Uso do trítono (conhecido como "o intervalo do diabo"), que confere um tom instável e inquietante.
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Primeiro movimento ("Tempo molto moderato, quasi adagio") com uma atmosfera pesada e densa.
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Segundo movimento ("Allegro molto vivace") mais irônico e sarcástico, mas sem aliviar a tensão.
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Terceiro movimento ("Il tempo largo") de uma tristeza profunda, quase um lamento existencial.
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Final ("Allegro") que não culmina num clímax triunfante, mas sim num desfecho incerto, praticamente um murmúrio resignado.
Na época, a recepção da sinfonia foi dividida: alguns acharam a obra incompreensível, enquanto outros reconheceram sua genialidade. Hoje, é vista como uma das mais expressivas e honestas de Sibelius, um mergulho na alma do compositor e na fragilidade humana.
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