sexta-feira, 3 de abril de 2009

Sibelius-Sinfonia nº4 em lá menor op.63


  • Em 1911 Jean Sibelius, estreia a sua Sinfonia nº 4 em lá menor op.63. Aqui a interpretação é da Swedisch Radio Symphony Orchestra sob a direcção de Esa-Pekka Salonen

A Sinfonia nº 4 em lá menor, op. 63, de Jean Sibelius, é uma das suas obras mais sombrias e introspectivas. Composta entre 1910 e 1911, reflete um período de grande turbulência na vida do compositor, tanto emocional quanto física—ele havia passado por uma cirurgia para remover um tumor na garganta, e essa experiência influenciou profundamente o caráter da obra.

  • Diferente das suas sinfonias anteriores, que possuíam um lirismo heróico e grandioso, a Quarta Sinfonia é austera, dissonante e melancólica. Ela evita os triunfos e as resoluções fáceis, explorando um mundo de incerteza e profundidade emocional.

    Algumas características marcantes:

    • Orquestração contida, sem o brilho típico de suas outras sinfonias.

    • Uso do trítono (conhecido como "o intervalo do diabo"), que confere um tom instável e inquietante.

    • Primeiro movimento ("Tempo molto moderato, quasi adagio") com uma atmosfera pesada e densa.

    • Segundo movimento ("Allegro molto vivace") mais irônico e sarcástico, mas sem aliviar a tensão.

    • Terceiro movimento ("Il tempo largo") de uma tristeza profunda, quase um lamento existencial.

    • Final ("Allegro") que não culmina num clímax triunfante, mas sim num desfecho incerto, praticamente um murmúrio resignado.

    Na época, a recepção da sinfonia foi dividida: alguns acharam a obra incompreensível, enquanto outros reconheceram sua genialidade. Hoje, é vista como uma das mais expressivas e honestas de Sibelius, um mergulho na alma do compositor e na fragilidade humana.

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