A Sinfonia Nº10 de Dmitri Shostakovich marca a reabilitação do compositor na União Soviética, graças à morte de Josef Staline em 1953.
Shostakovich estava proibido de estrear novas obras e a execução das já publicadas estava sob censura, necessitando autorizações especiais para serem apresentadas. Tais autorizações eram, normalmente, negadas.
Muita gente lê essa obra como um suspiro de libertação depois de anos sufocado pela máquina soviética. Dá pra ouvir essa ambiguidade: medo, ironia, fúria e um fio de esperança que parece sempre ameaçado.
• I – Moderato
Um movimento enorme, sombrio, introspectivo. Ele vai construindo lentamente um clima pesado, como se a orquestra falasse coisas que ninguém podia dizer em voz alta.
• II – Allegro
O famoso “retratro de Stálin” — seco, brutal, implacável. É curtíssimo, como uma explosão repressiva.
• III – Allegretto
Surge o motivo DSCH (D–E♭–C–B), assinatura musical do compositor. É como se Shostakovich dissesse “eu estou aqui”, tentando se afirmar no meio do caos.
• IV – Andante – Allegro
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