segunda-feira, 8 de março de 2021

Berlioz-Sinfonia Fantástica op.14

Em 1869 a 8 de Março morre em Paris o compositor francês Hector Berlioz com 62 anos aqui se apresenta a sua Sinfonia Fantástica op.14 onde Mariss Jansons conduz a Bavarian Radio Symphony Orchestra que foi estreada em Paris em 5 de Dezembro de 1830A

  Sinfonia Fantástica, Op. 14 de Hector Berlioz (1830) é uma das obras mais revolucionárias da história da música orquestral — praticamente inaugurou o romantismo programático, em que a música narra uma história detalhada.

Contexto

Berlioz compôs a obra movido por uma paixão obsessiva pela atriz Harriet Smithson. Ele nunca a conheceu pessoalmente antes da composição, mas ficou completamente fascinado por ela ao vê-la interpretando Ofélia e Julieta.
A sinfonia é, portanto, autobiográfica e dramática, retratando a fantasia de um artista apaixonado até à loucura.

Estrutura em 5 movimentos (algo revolucionário na época)

1. Rêveries – Passions (Sonhos e Paixões)

  • O artista vê pela primeira vez a mulher idealizada.

  • Alternância entre calma sonhadora e tempestade emocional.

  • Surge o tema fixo da amada, a idée fixe, que reaparecerá em todos os movimentos — símbolo musical da obsessão.


2. Un Bal (Um Baile)

  • Atmosfera festiva e elegante.

  • A amada reaparece como uma visão no meio da dança.

  • Harpas marcantes dão brilho e glamour ao ambiente.


3. Scène aux Champs (Cena nos Campos)

  • Diálogo pastoral entre dois pastores (oboes e corne inglês).

  • O artista tenta encontrar paz, mas pressente um destino sombrio.

  • O movimento termina numa inquieta suspensão — o presságio de tragédia.


4. Marche au Supplice (Marcha ao Suplício)

  • O artista, num pesadelo opiáceo, imagina-se condenado e levado ao cadafalso.

  • Uma marcha terrível, poderosa, cheia de metais.

  • Antes da guilhotina cair, a idée fixe aparece brevemente — um último pensamento da amada — e corta-se abruptamente, simbolizando a decapitação.


5. Songe d’une Nuit du Sabbat (Sonho de uma Noite de Sabat)

  • Visão grotesca e macabra: uma assembleia de bruxas, demónios e criaturas deformadas.

  • A amada transforma-se numa figura diabólica; a idée fixe reaparece distorcida, quase caricatura.

  • O famoso Dies Irae surge em contraponto com danças macabras.

  • O final é um delírio orquestral.

Por que é uma obra tão importante

  • Introduz o programa narrativo detalhado numa grande sinfonia.

  • Inovações de orquestração (timbres ousados, percussão expressiva, uso de sinos, efeitos de cordas).

  • Representa o auge da sensibilidade romântica: paixão extrema, fantasia, sonho, loucura.

 

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