Contexto
Berlioz compôs a obra movido por uma paixão obsessiva pela atriz Harriet Smithson. Ele nunca a conheceu pessoalmente antes da composição, mas ficou completamente fascinado por ela ao vê-la interpretando Ofélia e Julieta.
A sinfonia é, portanto, autobiográfica e dramática, retratando a fantasia de um artista apaixonado até à loucura.
Estrutura em 5 movimentos (algo revolucionário na época)
1. Rêveries – Passions (Sonhos e Paixões)
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O artista vê pela primeira vez a mulher idealizada.
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Alternância entre calma sonhadora e tempestade emocional.
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Surge o tema fixo da amada, a idée fixe, que reaparecerá em todos os movimentos — símbolo musical da obsessão.
2. Un Bal (Um Baile)
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Atmosfera festiva e elegante.
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A amada reaparece como uma visão no meio da dança.
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Harpas marcantes dão brilho e glamour ao ambiente.
3. Scène aux Champs (Cena nos Campos)
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Diálogo pastoral entre dois pastores (oboes e corne inglês).
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O artista tenta encontrar paz, mas pressente um destino sombrio.
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O movimento termina numa inquieta suspensão — o presságio de tragédia.
4. Marche au Supplice (Marcha ao Suplício)
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O artista, num pesadelo opiáceo, imagina-se condenado e levado ao cadafalso.
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Uma marcha terrível, poderosa, cheia de metais.
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Antes da guilhotina cair, a idée fixe aparece brevemente — um último pensamento da amada — e corta-se abruptamente, simbolizando a decapitação.
5. Songe d’une Nuit du Sabbat (Sonho de uma Noite de Sabat)
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Visão grotesca e macabra: uma assembleia de bruxas, demónios e criaturas deformadas.
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A amada transforma-se numa figura diabólica; a idée fixe reaparece distorcida, quase caricatura.
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O famoso Dies Irae surge em contraponto com danças macabras.
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O final é um delírio orquestral.
Por que é uma obra tão importante
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Introduz o programa narrativo detalhado numa grande sinfonia.
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Inovações de orquestração (timbres ousados, percussão expressiva, uso de sinos, efeitos de cordas).
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Representa o auge da sensibilidade romântica: paixão extrema, fantasia, sonho, loucura.
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