- No ano de 1870, a 3 de Março, estreia-se em Jena, de Brahms a Alto Rhapsody op.53, sob a condução de Naumann, a solista foi Pauline Viardot-Garcia.
Escrita em 1869, sobre um texto do Johann Wolfgang von Goethe (retirado do Harzreise im Winter), ela tem aquela mistura muito Brahms: dor contida + dignidade + uma esperança quase tímida no final.
O que toca mais nela?
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O início sombrio – a orquestra já abre num clima denso, quase de paisagem invernal interior. Não é drama operático; é solidão pensativa.
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A entrada da contralto – aquela tessitura grave dá um peso emocional incrível. Não é uma dor histérica, é uma dor madura.
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A transição para o coro masculino – e aqui, pronto, arrepios. Parece que a peça sai da solidão individual e procura redenção coletiva. Não é exatamente um final feliz, mas é uma luz suave no meio da névoa.
Há quem diga que Brahms a escreveu como espécie de catarse amorosa (aquele período complicado em relação à filha de Robert Schumann e Clara Schumann). E isso sente-se: é música de alguém que ama, mas sofre em silêncio.
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- Aqui a solista é Ann Hallenberg, mezzo-soprano
terça-feira, 3 de março de 2009
Brahms-Alto rhapsody op.53
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