- Em 1937 a 26 de novembro Robert Schumann estreia o seu Violino Concerto em Berlin Karl Bohm, conduzindo a Berlin Philharmonic Orchestra com Georg Kulenkamph como solista.
- 1ºmov.-1ºparte
- 1ºmov.-2ºparte
- 2ºmov.
- 3ºmov.
Foi professor, e mais tarde diretor, da Royal Academy of Music em Londres.
Ele compôs várias sinfonias — pelo menos nove sobreviventes são reconhecidas.
A numeração das suas sinfonias é um pouco confusa: por vezes são numeradas pela ordem de composição, noutras pelo tom ou revisõe
Segundo uma fonte italiana de catalogação, a Sinfonia nº 9 de Potter é em Ré maior e foi composta em 1834. É listada como “Sinfonia nº 9 em Ré maior (1834)” ou “Sinfonia nº 9” que o próprio compositor também numerou como sinfonia nº 4 em Ré maior.
Isso quer dizer que esta sinfonia ocupa um lugar tardio entre as obras sinfônicas de Potter, possivelmente refletindo maturidade composiciona
Potter não é um nome tão famoso como Beethoven ou Mendelssohn, mas compôs obras orquestrais ambiciosas.
A Sinfonia nº 9, por estar entre suas obras posteriores, pode revelar traços mais pessoais, uma voz própria, influências amadurecidas.
É composta por três movimentos, todos cantados em hebraico, com textos retirados dos Salmos bíblicos:
1º Movimento: Salmos 108 e 100
→ Uma celebração rítmica, alegre e vigorosa, com destaque para as complexidades métricas e os ritmos dançantes.
2º Movimento: Salmo 23 (com solo de menino ou contratenor) entrelaçado com o Salmo 2
→ É o coração lírico da obra. O salmo “O Senhor é meu pastor” é interrompido por um coro agressivo cantando “Por que se amotinam os gentios?” – criando um contraste dramático.
3º Movimento: Salmos 131 e 133
→ Um movimento final de reconciliação e serenidade, terminando com a frase “Hinei ma tov u’ma na’im” (Quão bom e agradável é... que os irmãos vivam em união).
Mistura tonalidade tradicional com harmonias modernas e dissonâncias leves.
Ritmos irregulares e mudanças de compasso frequentes.
Fortes influências do jazz, da música coral anglicana e da tradição litúrgica hebraica.
O uso do hebraico dá à obra um tom de reverência ancestral, mas com a vitalidade do século XX.
Bernstein dizia que queria expressar fé inocente e esperança, contrastando com a turbulência política e cultural dos anos 60. Mesmo após a estreia, ele dizia que os Chichester Psalms eram “o mais próximo que ele chegou de escrever algo puro e religioso.”
Caráter da obra
Atmosfera lírica e introspectiva: Fiel ao estilo de Finzi, a peça tem uma qualidade pastoral, melancólica e contemplativa. A música flui com uma ternura serena, criando uma sensação de saudade e beleza tranquila.
Harmonia refinada: A tonalidade de mi sustenido maior (uma enharmonia pouco comum) contribui para a cor tímbrica etérea e pouco usual da obra.
Frases longas e cantáveis: É quase como se a orquestra estivesse a cantar sem palavras. A peça lembra vagamente o espírito de Elgar ou Vaughan Williams, mas com uma voz própria — mais íntima e recatada.
Finzi foi um compositor sensível à transitoriedade da vida, à perda e à beleza fugaz — temas que atravessam sua obra. Embora Romance não tenha texto, carrega essa mesma aura emocional.
Musicalmente, situa-se entre o pós-romantismo inglês e o impressionismo pastoral, com forte influência da música coral inglesa e das melodias folclóricas.
O Stabat Mater em dó menor de Antonio Maria Bononcini (1677–1726) é uma obra-prima do Barroco tardio que merece mais atenção do que frequentemente recebe. Composta por volta de 1710, esta peça sacra destaca-se pela sua expressividade emocional, complexidade contrapontística e pelo uso inovador de recursos orquestrais e vocais
O Stabat Mater de Bononcini é escrito na tonalidade de dó menor, conferindo-lhe uma tonalidade sombria e introspectiva. A obra é composta por 14 seções, alternando entre coros e árias solistas, com destaque para os momentos de grande tensão emocional, como o "Pro peccatis" e o "Fac me tecum flere" . A orquestração é rica e variada, utilizando violinos, baixo contínuo e, em algumas passagens, instrumentos de cordas duplas, criando uma textura sonora densa e expressiva.
O Stabat Mater de Bononcini é uma obra que combina a profundidade emocional da música sacra com a complexidade técnica do Barroco, oferecendo uma experiência auditiva rica e comovente.
A Sinfonia nº 5 em Dó sustenido menor de Gustav Mahler é uma das obras mais intensas, complexas e emocionalmente poderosas do repertório sinfônico. Composta entre 1901 e 1902, marca uma viragem no estilo de Mahler — afastando-se das suas primeiras sinfonias, que incluíam vozes, e abraçando um universo puramente orquestral mais dramático, introspectivo e estruturada
A obra é dividida em cinco movimentos, agrupados em três grandes partes:
Parte I
I. Trauermarsch (Marcha Fúnebre) – um início sombrio e solene, com destaque para o solo de trompete logo de abertura, que se tornou emblemático.
II. Stürmisch bewegt (Tempestuoso) – violento e dramático, como uma luta interior com momentos de fúria e agonia.
Parte II
III. Scherzo – mais extenso, cheio de ironia, dança e ambiguidade. É ao mesmo tempo leve e inquietante, com solos de trompa de grande destaque.
Parte III
IV. Adagietto – o movimento mais famoso, composto apenas para cordas e harpa. É muitas vezes interpretado como uma carta de amor à esposa de Mahler, Alma. Tornou-se célebre também por sua utilização no filme Morte em Veneza (1971), de Visconti.
V. Rondo-Finale – um retorno à luz e à vitalidade, celebrando a vida com energia contrapontística e esperança renovada.
A Quinta é frequentemente vista como uma viagem da escuridão para a luz, da dor à alegria — um pouco à semelhança da 5ª de Beethoven, mas com linguagem musical muito mais moderna e densa.
Sem programa declarado: Ao contrário das sinfonias anteriores, Mahler pediu explicitamente que o público não procurasse um "programa" narrativo na Quinta. Queria que fosse apreciada puramente como música absoluta.
Tensão e lirismo: Alterna passagens de intensidade extrema com momentos de lirismo puro (especialmente no Adagietto).
Modernidade: A orquestração é sofisticada, e a linguagem harmônica e rítmica mostra Mahler a romper com o romantismo tardio e a apontar para o século XX.
Kol Nidrei", Op. 47, de Max Bruch, é uma das obras mais célebres para violoncelo e orquestra, composta em 1880. Apesar de Bruch ser protestante, ele se inspirou profundamente na música e nas tradições judaicas, e "Kol Nidrei" é um exemplo sublime disso.
"Kol Nidrei" é baseado em duas melodias hebraicas. A principal é a prece Kol Nidrei, tradicionalmente cantada no início do Yom Kippur, o Dia do Perdão.
A segunda melodia é derivada de um hino hebraico do século XIX, "O Weep for Those That Wept on Babel’s Stream", com texto de Lord Byron.
A obra é escrita como um Adagio, com um caráter introspectivo, solene e profundamente lírico.
O violoncelo assume o papel de uma voz quase humana, recitando a oração com lirismo e melancolia.
É uma obra de profunda espiritualidade, mesmo para ouvintes sem qualquer vínculo religioso. Transmite uma sensação de arrependimento e redenção.
A orquestra acompanha com respeito e discrição, sustentando o solista em um pano de fundo etéreo.
Apesar do uso explícito de temas judaicos, Bruch não era judeu — o que causou confusão mais tarde, especialmente durante o regime nazi, que proibiu a execução de sua música erroneamente acreditando que ele era judeu.
"Kol Nidrei" se tornou uma obra muito querida pelos violoncelistas, ao lado de concertos como os de Dvořák, Elgar e Haydn.
Aqui interpreta a Balada nº1 em sol menor op.23 de Chopin
é uma das obras mais fascinantes e célebres do repertório pianístico romântico. Escrita por volta de 1831-35 e publicada em 1836, é a primeira das quatro baladas que Chopin compôs, e certamente uma das mais conhecidas e apaixonantes.
A balada tem uma estrutura livre, mas há quem veja nela um formato sonata disfarçado, com exposições e desenvolvimentos de temas contrastantes. Ela começa com uma introdução grave e misteriosa, que dá lugar ao tema principal, lírico e nostálgico, seguido por um segundo tema mais caloroso e apaixonado. Os temas se desenvolvem e se entrelaçam até a famosa e tempestuosa coda, de uma virtuosidade arrebatadora.
A Balada nº1 destaca-se pelos contrastes extremos: do lirismo sonhador às passagens tempestuosas e heroicas, Chopin alterna ternura e força, serenidade e paixão. O ouvinte é levado por uma narrativa musical quase como se fosse um poema contado em música – e há quem acredite que Chopin se inspirou na Balada “Konrad Wallenrod” de Mickiewicz, um poema nacionalista polonês.
É uma peça que sintetiza a alma romântica de Chopin, combinando poesia, paixão, técnica, e drama em uma única obra. Grandes pianistas como Rubinstein, Horowitz, Argerich e Zimerman a imortalizaram em gravações lendárias.
Shéhérazade" é um ciclo de três canções para voz e orquestra, composto por Ravel em 1903, sobre poemas de Tristan Klingsor, que por sua vez evocam o universo das Mil e Uma Noites, mas de modo bastante simbólico e impressionista, mais do que narrativo.
As três canções são:
Asie – um devaneio exótico e sensual sobre o Oriente imaginado;
La Flûte enchantée – uma cena intimista e lírica;
L’Indifférent – um pequeno poema ambíguo sobre desejo e indiferença.
Ravel, mestre da orquestração, cria atmosferas voluptuosas, coloridas e sutis. Ele não tenta "contar histórias", mas antes sugerir paisagens, estados de alma, perfumes, através de harmonias impressionistas e orquestração refinada.
Os poemas de Klingsor estão carregados de imagens sensuais e orientais, mas o Oriente aqui é mais simbólico do que geográfico — um lugar do desejo, da fantasia, da alteridade. A última canção, L’Indifférent, é especialmente ambígua no seu erotismo e gênero, o que acrescenta camadas ao texto e à música.
A obra em si é baseada na famosa canção tradicional irlandesa do final do século XVIII, com letra de Thomas Moore. Esta melodia já foi arranjada por diversos compositores clássicos — talvez o arranjo mais conhecido seja o de Heinrich Wilhelm Ernst, que criou uma variação extremamente virtuosística para violino solo ("Ernst's The Last Rose of Summer Variations").
No caso de Midori:
Se estivermos a falar da gravação/execução dela dessas variações de Ernst, é um verdadeiro tour de force técnico. A peça exige domínio absoluto do instrumento: duplas cordas, harmónicos, pizzicati de mão esquerda e passagens rápidas e precisas.
O que impressiona na Midori é não apenas a técnica impecável, mas também a profundidade emocional com que ela consegue expressar a melancolia e a delicadeza da melodia original. Há um contraste claro entre a singeleza do tema e o virtuosismo das variações.
Em resumo: a interpretação de Midori é memorável porque equilibra virtuosismo puro com sensibilidade musical, conseguindo manter o espírito melancólico da canção original mesmo dentro de uma moldura técnica exigentíssima.
A Sinfonia Nº5 em Fá maior, Op. 76 (B. 54) de Antonín Dvořák foi composta em 1875, quando ele tinha cerca de 34 anos. É uma obra vibrante, cheia de melodias ricas e de um caráter pastoral, antecipando o estilo que ele desenvolveria nas sinfonias seguintes. Embora não seja tão famosa quanto as suas últimas três sinfonias (especialmente a "Do Novo Mundo"), esta sinfonia já mostra a sua marca pessoal, com forte influência da música folclórica checa.
Allegro ma non troppo
O primeiro movimento começa com uma introdução calma e pastoral, mas logo se desenvolve em um tema vibrante. A orquestração mostra a habilidade de Dvořák para criar texturas ricas e diálogos entre as cordas e os sopros. O tema principal tem um caráter lírico e fluido, contrastando com momentos mais enérgicos.
Andante con moto
Este movimento lírico é carregado de expressividade, com um tema melancólico que cresce aos poucos. Há uma sensação de contemplação, talvez refletindo as paisagens bucólicas da Boêmia. É um dos momentos mais emotivos da sinfonia.
Scherzo: Allegro scherzando
O scherzo tem um caráter dançante e animado, com claras influências da música folclórica tcheca. O trio central contrasta com uma melodia mais calma e lírica, antes de retornar à energia inicial.
Finale: Allegro molto
O último movimento é vibrante e triunfante. Dvořák trabalha com desenvolvimento temático intenso, levando a um final brilhante e otimista. Aqui já se percebe sua habilidade em criar finais cativantes, algo que ele aperfeiçoaria nas sinfonias posteriores.
Embora esta sinfonia não tenha alcançado a popularidade das últimas três, ela já mostra a maturidade de Dvořák como sinfonista. A influência de Beethoven e Brahms está presente, mas há um espírito inconfundivelmente boêmio, especialmente no Scherzo e no lirismo dos temas principais.
Estilo Neoclássico: A obra reflete um retorno à forma clássica de sonata, mas filtrada através da linguagem única de Prokofiev. Embora a sonata tenha uma estrutura tradicional de quatro movimentos, ela possui uma sonoridade moderna e arrojada, muito diferente das sonatas de compositores anteriores.
Técnica pianística: Prokofiev é conhecido por exigir grande habilidade técnica de seus intérpretes, e esta sonata não é exceção. Os passagens rápidas, mudanças repentinas de dinâmica e uso inovador do pedal criam uma textura sonora rica e complexa.
Movimentos:
Primeiro movimento: Allegro - O início é enérgico e cheio de vida, com uma melodia jovial que se alterna com momentos mais líricos e introspectivos. A estrutura do movimento segue uma forma sonata clássica, mas as mudanças abruptas de tom e as virtuosidades no piano demonstram a assinatura de Prokofiev.
Segundo movimento: Andante dolce - Este movimento é um belo exemplo do lirismo de Prokofiev, com uma melodia suave e envolvente, marcada por uma harmonia rica e uma sensação de serenidade. A interpretação precisa de nuances de dinâmica é crucial para transmitir a profundidade emocional desta parte.
Terceiro movimento: Allegro leggiero - Aqui, Prokofiev mostra seu lado mais irônico e até humorístico. A música é ágil, com um ritmo dançante e uma energia quase "leve" em contraste com o movimento anterior. O pianista precisa ter grande controle para manter a leveza e a clareza das figuras rápidas.
Quarto movimento: Vivace - O último movimento é animado e cheio de energia, com uma técnica de pianista exigente. A sonoridade é vibrante, e a obra termina de forma exuberante, encerrando com uma grande sensação de energia.
A Sonata nº 5 foi escrita durante um período em que Prokofiev estava afastado da União Soviética e morava em Paris, antes de retornar à Rússia. O movimento de Prokofiev em direção a uma estética mais "clássica", ao mesmo tempo em que mantinha sua linguagem inovadora, reflete a tensão entre os estilos artísticos da época.
Maestoso – Allegro con brio ed appassionato
Um movimento dramático, denso, em forma sonata, com contrastes violentos, tensões harmônicas e uma energia quase titânica. É como se Beethoven estivesse enfrentando o destino, num último embate com as forças que o perseguiram ao longo da vida.
Arietta: Adagio molto semplice e cantabile
Um dos momentos mais transcendentais de toda a música ocidental. Começa com uma melodia simples, quase infantil, que se transforma ao longo de variações em algo celestial, intemporal. Muitos ouvem aqui uma espécie de "música do além". Beethoven, já completamente surdo, parece transcender o som para entrar no reino do espírito.