terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Beethoven-Sinfonia Nº6 em fá maior op.68"Pastoral"

.A Sinfonia nº 6 em Fá maior, Op. 68 — a famosa Pastoral — é diferente da 5ª explosiva. Aqui ele está em outro humor: contemplativo, calmo, inspirado na natureza. Ele até coloca títulos nos movimentos, meio que “programando” a música (bem precoce isso pra sinfonia).

Os movimentos são tipo episódios de um dia ao ar livre:

  1. Despertar de sentimentos alegres ao chegar ao campo – aquele alívio, respiração aberta.

  2. Cena à beira do riacho – cordas ondulantes, pássaros imitados na madeira no final.

  3. Alegre reunião de camponeses – dança rústica, simples.

  4. Tempestade – trovões nos tímpanos, trocadilhos sinfônicos com raios.

  5. Canto de agradecimento após a tempestade – ar pastoral retorna, agora mais sereno.

Ela tende a ser vista como um hino à simplicidade, à grandeza do mundo natural, numa época em que música já vibrava dramas humanos internos. Beethoven aqui parece dizer: “respira, olha à tua volta”.

Tem uma humanidade linda: ao mesmo tempo em que é "pintura sonora", não é só descrição; tem uma narrativa emocional.

E, curiosamente, Beethoven não a compôs para contar uma história específica da natureza, mas para expressar sensações dela — ele escreveu isso nas notas.

  • Em 1808 a 22 de Dezembrom  Beethoven estreia a 6° Sinfonia em fa maior op.68 "Pastoral".
Dividida em cinco movimentos, tem por propósito descrever a sensação experimentada nos ambientes rurais. Beethoven insistia que essas obras não deveriam ser interpretadas como um "quadro sonoro", mas como uma expressão de sentimentos. É uma das mais conhecidas obras da fase romântica de Beethoven.
 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Shostakovitch-Sinfonia nº10 em mi menor op93

Em 1953 a 17 de Dezembrom  Dmitri Shostakovich estreia a sua Sinfonia Nº. 10 em mi menor op93, interpretada pela Leningrad Philharmonic, sob a direcção de Yevgeny Mravinsky .

 A Sinfonia Nº10 de Dmitri Shostakovich marca a reabilitação do compositor na União Soviética, graças à morte de Josef Staline em 1953.

Shostakovich estava proibido de estrear novas obras e a execução das já publicadas estava sob censura, necessitando autorizações especiais para serem apresentadas. Tais autorizações eram, normalmente, negadas.

 Muita gente lê essa obra como um suspiro de libertação depois de anos sufocado pela máquina soviética. Dá pra ouvir essa ambiguidade: medo, ironia, fúria e um fio de esperança que parece sempre ameaçado.

• I – Moderato

Um movimento enorme, sombrio, introspectivo. Ele vai construindo lentamente um clima pesado, como se a orquestra falasse coisas que ninguém podia dizer em voz alta.

• II – Allegro
O famoso “retratro de Stálin” — seco, brutal, implacável. É curtíssimo, como uma explosão repressiva.

• III – Allegretto
Surge o motivo DSCH (D–E♭–C–B), assinatura musical do compositor. É como se Shostakovich dissesse “eu estou aqui”, tentando se afirmar no meio do caos.

• IV – Andante – Allegro

O final é tenso, mas traz algum brilho – uma espécie de liberação, sem chegar a ser triunfal.

domingo, 14 de dezembro de 2025

Samuel Barber-String Quartet em si menor Op. 11

O Quarteto de Cordas em si menor, Op. 11, do Samuel Barber, é jovem (ele tinha 26 anos), mas já traz tudo o que o define: lirismo intenso, clareza emocional e aquela recusa quase teimosa em seguir modas modernistas. Barber escreve como quem sente primeiro e explica depois.
Foi estreado em 1936  a 14 de Dezembro em Roma

Estrutura
São três andamentos:

  1. Molto allegro e appassionato – inquieto, nervoso, com uma tensão que nunca se resolve totalmente.

  2. Molto adagio – aqui mora o coração da obra.

  3. Molto allegro (come prima) – retoma o impulso inicial, mas já marcado pelo que foi dito antes.

  4. O Adagio

O segundo andamento é o célebre Adagio for Strings em sua forma original. E não é exagero dizer que é uma das páginas mais comoventes do século XX.
A melodia sobe devagar, quase como uma respiração contida, cresce em dor sem jamais virar desespero explícito, e depois se desfaz num silêncio que pesa.

Não é sofrimento teatral — é dor digna, recolhida, quase espiritual. Por isso funciona tão bem tanto em contextos íntimos quanto em cerimônias públicas de luto.

Linguagem
Harmonicamente, Barber é conservador para a época, mas isso é virtude aqui. Ele usa a tonalidade não como prisão, mas como campo emocional estável, onde pequenas dissonâncias ferem mais fundo.
Nada soa gratuito. Tudo parece inevitável.

Impressão geral
É uma obra sobre:

  • contenção emocional

  • fragilidade humana

  • beleza que dói sem gritar

  

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Beethoven-Sinfonia nº7 em lá maior op.92

A Sétima Sinfonia de Beethoven em Lá maior, Op. 92 é uma das obras sinfónicas mais vibrantes e celebradas do compositor — muitas vezes descrita como uma “apoteose da dança” (expressão de Wagner), graças ao seu pulso rítmico irresistível e à energia quase hipnótica que percorre todos os movimentos.

 Contexto

  • Composta entre 1811 e 1812, durante um período em que Beethoven lutava com a saúde, mas vivia um momento de intensa criatividade.

  • Estreou em 1813, num concerto de beneficência para soldados feridos nas guerras napoleónicas.

  • Em 1813 a 8 de dezembro Beethoven estreou a  em Viena 


     A Sinfonia nº 7 é muito especial na obra de Beethoven por seu lugar na história da Áustria e pela natureza de sua música. 

    Os dois fatores, aliás, se entrelaçam: são, talvez, parte de uma mesma realidade.

     A composição foi estreada  juntamente com uma outra peça, a chamada Sinfonia de Batalha, ou a “Vitória de Wellington”.

     A Sétima foi muito bem recebida: seu segundo movimento, Allegretto, foi bisado. A apresentação foi um enorme sucesso – o que não surpreende, se levarmos em conta o que o povo vienense tinha passado nos últimos anos. 

    Napoleão tinha ocupado Viena duas vezes, em 1805 e em 1809. Agora, sua sorte tinha mudado, com sua recente derrota em duas batalhas importantes.

Estrutura e caráter dos movimentos

  1. Poco sostenuto – Vivace
    Começa com uma introdução lenta, majestosa, que prepara um Vivace de vigor rítmico contagiante. É como uma porta que se abre para uma celebração sonora.

  2. Allegretto
    O movimento mais famoso da sinfonia — um andamento quase fúnebre, mas com dignidade e movimento interno. A pulsação insistente cria um clima hipnótico. Muitas vezes é tocado isoladamente.

  3. Presto
    Ligeiro, folclórico, luminoso. Uma espécie de dança em espiral, com trio pastoral a contrastar.

  4. Allegro con brio
    Um final arrebatador, impetuoso, de energia quase selvagem. A música avança como se estivesse irrompendo para um clímax interminável.

Por que é tão especial?

  • É talvez a sinfonia mais ritmicamente marcada de Beethoven: pulsa, dança, acelera, respira.

  • Embora não tenha um programa narrativo, transmite uma sensação irresistível de vitalidade, movimento e libertação.

  • O Allegretto tornou-se um dos trechos mais reconhecidos da música clássica.

Em resumo

A Sétima é um monumento à força do ritmo, à vida em movimento — uma celebração pura da energia humana. Talvez por isso, muitos a consideram uma das obras mais “vivas” e contagiosas de todo o repertório sinfónico. 

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Rachmaninov-Cello Sonata op. 19

..A Sonata para Violoncelo e Piano em Sol menor, Op. 19, de Sergei Rachmaninov, é uma das obras-primas do repertório camerístico do período romântico tardio. Eis alguns pontos essenciais — talvez úteis para ouvires com mais profundidade:
Estreou em 1901 a 2 de dezembro Serge Rachmaninoff estreia em Moscovo o seu Cello Sonata, Op. 19. com Anatoly Brandukov no cello e o compositor ao piano.

Clima geral da obra

É uma peça marcada por lirismo intenso, grandes linhas melódicas e uma profunda relação entre o violoncelo e o piano. Diferentemente de muitas sonatas tradicionais, aqui o piano não acompanha: é um par igual, com escritura brilhante, densa e virtuosística (quase um concerto camuflado).

Estrutura (4 movimentos)

  1. Lento – Allegro moderato
    Inicia sombrio e meditativo; depois ganha impulso romântico típico de Rachmaninov, com contrastes dramáticos e temas largos.

  2. Allegro scherzando
    Impetuoso, rítmico, cheio de energia. O piano tem papel especialmente virtuosístico, quase tempestuoso.

  3. Andante
    O coração da obra. Uma das melodias mais belas que Rachmaninov escreveu — serena, íntima, com calor emocional profundo.

  4. Allegro mosso
    Final grandioso, cheio de brilho e vitalidade, onde o violoncelo canta com exuberância sobre uma escrita pianística ricamente bordada.

Por que é tão especial?

  • Une intimidade camerística com momentos quase sinfônicos.

  • É um dos poucos trabalhos de Rachmaninov para música de câmara.

  • Mostra o compositor no auge da sua fase melódica, antes de partir para os grandes concertos de piano.

  • O movimento lento (Andante) é frequentemente citado como uma das páginas mais sublimes do repertório para violoncelo.

Atmosfera expressiva

Como quase tudo em Rachmaninov, a obra mistura

nostalgia, ternura, melancolia luminosa e um romantismo que parece sobreviver ao século XIX dentro do século XX.