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quinta-feira, 13 de junho de 2024

Mozart-Missa em dó menor K427

Em 1783 a 26 de outubro, estreia em Salzburgo na igreja de São Pedro, a sua Missa em dó menor K.427, com orquestra conduzida pelo próprio e a sua esposa Constança, soprano solista.

A Missa em dó menor, K. 427 (também conhecida como “Grande Missa em dó menor”) é uma das obras sacras mais fascinantes e enigmáticas de Wolfgang Amadeus Mozart. Eis alguns pontos essenciais e curiosidades que a tornam tão especial:

Contexto e composição

  • Composta por volta de 1782–1783, em Salzburgo e Viena.

  • É inacabada — faltam partes do Credo e do Agnus Dei. Mesmo assim, é considerada uma das criações mais sublimes do repertório sacro.

  • Mozart começou a escrevê-la como voto de gratidão, provavelmente pela recuperação da saúde da sua esposa Constanze, ou como oferenda espiritual após o casamento.

Estilo e estrutura

  • A obra conjuga o rigor contrapontístico do estilo barroco (influência de Bach e Handel, que Mozart estudava com fervor na época) com a sensualidade melódica e teatral da ópera clássica vienense.

  • O resultado é uma síntese poderosa de fé, drama e beleza humana, onde o sagrado e o emocional se entrelaçam.

  • Movimentos como o “Kyrie” e o “Gloria” são particularmente notáveis pela expressividade vocal e complexidade coral.

Momentos notáveis

  • O “Et incarnatus est”, para soprano solo (provavelmente escrito para Constanze), é um dos trechos mais comoventes de toda a música sacra: um diálogo delicado entre voz, flauta, oboé e fagote.

  • O “Qui tollis peccata mundi” apresenta um coro majestoso em tom de súplica, com alternância entre ternura e intensidade dramática.

  • A escrita coral é monumental, evocando o espírito das grandes missas de Bach, mas com a leveza e clareza harmónica típicas de Mozart.

Incompletude e mistério

  • Ninguém sabe ao certo por que Mozart nunca terminou a missa.

  • Mesmo assim, vários musicólogos e compositores (como Robert Levin e Franz Beyer) tentaram reconstruí-la, e essas versões são hoje frequentemente executadas.

Importância

  • A Missa em dó menor é muitas vezes vista como paralela sacra à Grande Missa em si menor de Bach: ambas representam o auge da espiritualidade musical ocidental.

  • Para muitos intérpretes e ouvintes, é a mais profunda obra religiosa de Mozart, um reflexo íntimo da sua fé, amor e busca pela transcendência.

 

sábado, 4 de novembro de 2023

Mozart-Sinfonia nº36 em dó maior"Linz" K425

Em 1783 a 4  de Novembro, Mozart estreia em Linz a Sinfonia Nº 36 em dó maior K425, interpretada pela Orchestra de Count Thun.


Isto porque tendo ali ficado hospedado com sua esposa Konstanze, depois de assediado pelo conde Thun, para ali dar um concerto, ao que Mozart acedeu, mas como não tinha ali nenhuma partitura, comprometeu-se a escrever uma nova sinfonia e assim fez. 

Mozart compôs essa sinfonia em apenas quatro dias, em outubro de 1783, durante uma estadia improvisada na cidade austríaca de Linz, entre Salzburgo e Viena. Ele estava a caminho de Viena com Constanze (sua esposa) quando o conde Thun o convidou a dar um concerto. Sem ter uma nova sinfonia à mão, Mozart simplesmente escreveu uma do zero — e o resultado é uma das suas mais equilibradas e inspiradas criações orquestrais

A sinfonia segue o modelo clássico em quatro movimentos:

  1. Adagio – Allegro spiritoso
    Começa com uma introdução lenta, majestosa, quase operática, que se abre num Allegro vibrante, cheio de energia e clareza. É o Mozart da maturidade — contraponto refinado, modulações ousadas, mas sempre natural.

  2. Andante (em Fá maior)
    Lírico e nobre, o segundo movimento traz um ar sereno, de serenata íntima. As cordas dialogam suavemente com os sopros, e há uma doçura quase pastoral.

  3. Menuetto – Trio
    Aqui, Mozart mistura elegância e força rítmica. O Trio central é mais gracioso, com uma atmosfera campestre — uma dança de salão com alma vienense.

  4. Finale: Presto
    Um turbilhão de vitalidade. É Mozart em plena alegria compositiva — leve, transparente e irresistivelmente contagiante.

Impressão geral

A “Linz” está entre as sinfonias de transição para o estilo maduro de Mozart, já a caminho das obras-primas como a Sinfonia n.º 38 (“Praga”) e as três últimas (39, 40 e 41).
Ela combina a clareza formal do classicismo vienense com a expressividade teatral que Mozart dominava como ninguém.

Em resumo:

— é uma sinfonia solar, escrita em tempo recorde, mas com uma perfeição artesanal e uma alegria quase divina.

terça-feira, 23 de março de 2021

Mozart-Piano Concerto nº13 em dó maior K415

Em 1783 a 23 Março,  Mozart estreia no Viena Burgtheater o seu Piano Concerto No. 13 em dó maior K 415 e a última versão da Sinfonia nº 35, com o compositor como solista e maestro Aqui o mesmo duplo papel acontece com Camerata Salzburg e Mitsuko Uchida 

O Concerto para Piano nº 13 em dó maior, K.415 de Wolfgang Amadeus Mozart é daqueles concertos que não tentam impressionar pela força — conquistam pela elegância e clareza. É Mozart num modo muito “luminoso”.

O 1º andamento (Allegro) tem aquela energia leve, quase conversacional. Não é dramático tipo Beethoven — é mais como se o piano estivesse a dialogar com a orquestra com um sorriso meio maroto.

O 2º andamento (Andante) já entra noutra dimensão… mais íntimo, quase contemplativo. Não é pesado nem triste — é mais um sossego pensativo, como uma noite calma (acho que isso até encaixa no teu gosto mais poético 👀).

E depois o 3º andamento (Rondo) volta a trazer leveza e brincadeira. É elegante, ágil, e muito “Mozart a ser Mozart”: parece simples, mas está cheio de subtilezas.      

segunda-feira, 23 de março de 2009

23 de Março



Em 1783 Mozart estreia no Viena Burgtheater o seu Piano Concerto No. 13 em dó maior K 415 e a última versão da Sinfonia nº 35, com o compositor como solista e maestro Aproveitando a boleia, também interpreta no mesmo concerto o Piano Concerto Nº20 em ré menor K466.


Mas como atrás disse também neste dia Mozart apresentou a última versão da sinfonia nº 35 Haffner em ré maior K 385 aqui pode ouvir-se a Orchestra dell'Accademia Santa Cecilia dirigida por
Sir Antonio Pappano,