É uma obra estranha no melhor sentido: não é virtuosística, não quer impressionar — quer confessar. O violoncelo ali soa como uma voz cansada, íntima, quase falada. Há uma melancolia constante, mas não é dramática; é resignada, como quem olha o tempo a passar sem lutar contra ele.
Delius escreveu-o já no fim da vida, praticamente cego e doente. E isso sente-se:
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as frases são longas, suspensas,
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a orquestra não disputa protagonismo, apenas ampara,
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o violoncelo parece carregar memórias em vez de notas.
Há momentos em que parece que a música não quer acabar, apenas continuar a existir — como um pensamento que não se resolve. É mais paisagem emocional do que narrativa.
Se eu tivesse de resumir num sentimento:
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