segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Donizetti-Elixir do amor-Andina credimi

Entretanto aparece Giannetta e os soldados, que trazem uma mensagem para o sargento Belcore, que ele lê, constando que se tratava duma ordem e marcha, para o dia seguinte de manhã.

Perante a obrigação de mudança tão rápida, Belcore sugere a Adiana que antecipem o casamento para hoje o que deixa Nemorino em pânico o que não passa despercebido a Adina, que se mostra disposta a aceder.

Nemorino pede-lhe que espere pelo menos até amanhã, levando Belcore a perguntar-lhe o que lhe importa isso.

Começa então a intervenção de Nemorino com esta "Andina credimi", onde pede a Andina que não case com Belcore, que confie nele, apenas num breve dia e que se o fizer virá a arrepender-se .

Depois disso começa o concertante final do 1º acto, que além dos protagonistas acaba por envolver também o coro.

Belcore fazendo ameaças ao mesmo tempo que diz nem perceber a razão porque não desfaz aquele desgraçado.

Adina, pedindo a Belcore que não ligue é apenas um rapaz que meteu na cabeça que pelo facto de me amar eu tenho igualmente de o amar.

O Coro admirador do sargento, indigna-se pelo facto de um tolo daqueles pretender enganar um sargento.

O anúncio do banquete para que estão todos convidados, anima toda a gente, com excepção claro de Nemorino, que acaba lamentando-se

Despreza-me o sargento
burla-me a ingrata
sou o motivo do riso das pessoas
por culta da desapiedada
O meu oprimido coração já não tem esperança.
Doutor, doutor ! Socorro, piedade




sábado, 1 de novembro de 2008

Verdi

Giuseppe Fortunino Francesco Verdi nasceu em Roncole, a cinco quilômetros de Busseto (Parma), cidade próxima à Milão, a 10 de outubro de 1813. De família humilde, aprendeu a ler e escrever com um padre da cidade, quando tinha quase dez anos de idade. Seu pai, estalajadeiro de aldeia, percebendo a vocação musical de seu filho, mandou o menino estudar órgão, com o velho Pietro Baistrocchi, organista da igreja local. Mais tarde, com o intuito de aprimorar seus conhecimentos musicais, partiu para Busseto, onde tomou aulas com Provesi, maestro de capela do lugar.

Apaixonado por Margherita, a filha do comerciante A.Barezzi que possibilitou-lhe os estudos de música, Verdi foi para Milão apresentar-se no conservatório: queria impressionar a moça e conquistar uma vaga na escola de música. Seus conhecimentos foram considerados insuficientes e Verdi foi rejeitado. Embora decepcionado, continuou em Milão, trabalhando em V.Lavigna, um teórico e professor musical. Alguns anos depois, voltava a Busseto, convidado a ocupar o cargo de maestro da Filarmônica e organista de São Bartolomeu. Conquistou também o coração de Margherita, com quem se casou em 1836.

Três anos depois, com a ajuda da famosa soprano Giuseppina Strepponi, convenceu o empresário Mereli a montar sua primeira ópera, Oberto, conde de São Bonifácio, no Scala de Milão. O sucesso começou junto com a estréia do espetáculo, dia 17 de novembro de 1839. O empresário Morelli ficou tão entusiasmado com esse sucesso, que encomendou a Verdi uma série de óperas, que o compositor devia entregar de oito em oito meses. Mas o compositor passava por momentos difíceis em sua vida pessoal. Pouco antes, perdera seu primeiro filho. Dias depois da abertura da temporada, morrera seu segundo garoto e, por último, falecera Margherita, em 1840. A soprano Giuseppina, que o consolou nas desventuras, foi também a segunda esposa. Ela muito contribuiria para o sucesso de Verdi, inspirando e incentivando a compor.

Os maus momentos resultaram no fracasso em que se converteu a ópera-bufa ‘Un giorno di Regno’, escrita sob encomenda no ano em que ficou viúvo. Dois anos mais tarde, o mestre compõe Os lombardos na primeira Cruzada e Nabucco (1842) e a crítica atestou o seu renascimento.

Consagrado como um grande artista politizado e amado pelo seu povo, Verdi passou à outra etapa de sua de sua criação: elaborar personagens. Com base em textos de William Shakespeare, Victor Hugo e Alexandre Dumas e ajudado pelo roteirista Francesco Piave, Verdi passou a dedicar-se à dramaturgia. Estavam bem balanceados, no trabalho, a semântica sonora, a gesticulação cênica e a expressão facial dos atores. São desse período as três obras que lhe renderam fama mundial: Rigoletto (1851), O trovador (1853) e ‘La Traviata’ (1853).

Convidado a representar seu país na Grande Exposição Internacional de Londres, em 1862, o compositor deu asas à sua militância política. Escreveu uma cantata exaltando a fraternidade universal e demonstrando que só a união entre os países colocaria fim à opressão dos desprotegidos pelos poderes maiores. Aos sucessos internacionais correspondia a glória nacional; a música de Verdi acompanhou a transformação na península italiana em Estado independente, livre e unitário. Foi membro correspondente da Academia de Belas-Artes de Paris, deputado em 1861, e senador nomeado por Vítor Manuel, em 1874.

Da sua riquíssima obra, as três mais conhecidas representam exatamente o período final de sua talentosa trajetória. São elas: Aida, composta sob encomenda de Ismael Paxá, do governo egípcio, para a abertura do canal de Suez, Otello, uma tentativa bem sucedida de realizar Shakespeare na dramaturgia sonora e Falstaff, um texto deliciosamente cômico, baseado em As alegres comadres de Windsor, que Verdi reservou para tratar no fim da vida. Em 1895, recebeu do rei o título de Marquês de Busseto. No seu testamento, o octagenário deixou sua grande fortuna a uma fundação para ajudar jovens músicos pobres. Verdi morreu em Milão a 27 de janeiro de 1901.

Verdi também fez fama na política. Sempre foi um intelectual engajado, preocupava-se com os oprimidos e defendia a fraternidade universal. Essa faceta, várias vezes, apareceu em suas composições. Musicalmente, está próximo do Romantismo francês, de que adotou os fortes efeitos cênicos e deformações naturalísticas. Sua música caracteriza-se pela linha melódica harmoniosa e por uma suavidade que é bem um correspondente musical da própria língua italiana. Verdi buscou alcançar o sucesso por todos os meios: imitação de Bellini, argumentos fortemente dramáticos, exploração do patriotismo italiano, do qual era fervoroso adepto.

Primeira fase - Durante muitos anos, as primeiras óperas de Verdi só foram representadas da Itália. Mas por volta de 1920 surgiu, sobretudo na Alemanha, uma "Renascença de Verdi", que descobriu, naquelas obras, notáveis belezas musicais: Nabucco (1842), Ernani (1844), libreto tirado de Hernani, de Victor Hugo, Macbeth (1847), com libreto tirado de Shakespeare, Os bandoleiros (1847) e Luisa Miller, com libretos segundo dramas de Schiller. Nessas obras Verdi já é o maior representante italiano do Romantismo musical.

A ópera popular - Rigoletto (1851), O trovador (1853) e La Traviata (1853) foram os maiores sucessos de Verdi e são até hoje obras muito representadas no mundo inteiro, a verdadeira base do repertório. A crítica reagiu contra essa extraordinária popularidade, considerando as três obras como vulgares, inspiradas por falso romantismo.

A censura da vulgaridade não percebe a extraordinária riqueza e invenção melódica, e a censura do pseudo-romantismo não percebe os elementos realistas. No palco da ópera, até então povoado apenas por grandes figuras mitológicas e históricas, aparece em Rigoletto um corcunda e em La Traviata uma prostituta. No resto, o quarteto no último ato de Rigoletto e o prelúdio instrumental do último ato de La Traviata são trechos magistrais de música absoluta.

Mas antes de tudo, o romantismo das óperas de Verdi não é trivial. Os libretos, nos quais o compositor sempre colaborou, revelam até ao espectador menos musical os ideais de Verdi, não menos elevados que os de um Wagner: a fé na capacidade redentora do amor, a simpatia pelos humilhados e ofendidos, o protesto contra a injustiça do mundo. E é inegável a tragicidade dos grandes finais.

Transição - Essas qualidades todas também se encontram nas obras de transição para a última fase de Verdi: nas óperas fortemente melodramáticas Um baile à fantasia (1859) e A força do destino (1862), na sombria "grande ópera" histórica Don Carlo (1867) e sobretudo na grandiosa Aida (1871), que, por causa do seu acompanhamento orquestral mais elaborado, já começa a ser considerada como começo da última fase.

Última fase - Na verdade, a última fase, da velhice de Verdi, começa com o Requiem (1874), escrito para o primeiro aniversário da morte do grande romancista Manzoni. O Requiem foi, na época, criticado por ser mais música teatral, operística, do que música sacra. Hoje, ninguém contesta a essa música meio apaixonada e meio mística o lugar ao lado de Um requiem alemão, de Brahms.

Depois da longa pausa escreveu Verdi Otello (1887), a mais dramática e a mais trágica das suas óperas, e enfim deu o octogenário sua primeira ópera cómica, Falstaff (1893), cuja humorística fuga final é o resumo de sua grande sabedoria da arte e da vida. As últimas obras de Verdi são as quatro nobres peças sacras: Ave Maria (1889), Stabat Mater (1898), Laudi (1898) e Te Deum (1898).

A posteridade - O enorme sucesso popular que acompanhou toda a vida de Verdi persiste até hoje. Mas mudou a atitude, inicialmente hostil, da exigente crítica musical, graças sobretudo aos esforços de Toscanini, do musicólogo inglês Francis Toye e do romancista austríaco Franz Werfel.

Trovador-Amor sull le rose

Depois dum pequeno recitativo, onde Leonora diz que apesar de tudo está próxima do seu amado, enquanto lembra o seu amor, cantando uma das árias mais famosas desta ópera "D amor sull all rosee" onde diz

Sobre as asas rosadas do amor
vai, suspiro doloroso,
e do infeliz prisioneiro
conforta a tétrica mente
Como um vento de esperança
move-te pela sua cela
e desperta-lhe as recordações
dos nossos sonhos de amor !
Mas não lhe contes desprevenidamente
as penas do meu coração"

Continua a mesma cena, da entrada anterior, ouvindo-se um coro de monges implorando a remissão dos pecados do condenado prestes a morrer "Misere d un alma giá vicina", que fazem Leonora que tremer com este cânticos

"Estes sons, estas preces solenes e funestas
enchem este ar de um terror sombrio
A angustia que me assalta por completo
disputa a minha boca e respiração
e ao coração os batimentos"

mas tem a alegria de ouvir a voz de Manrico dentro do castelo despedir-se da vida e do seu amor implorando-lhe que não o esqueça.

Com o bom gosto bem verdiano, acontece uma passagem magnífica entre as vozes de Manrico, Leonora e os monges, onde se repetem as ideias já aqui descritas e que termina com mais uma caballetta de Leonora " Tu vedrai che amore in terra" onde diz

Verás que amor nesta terra
não existe mais forte que o meu
venceu os destinos em dura guerra
e vencerá a própria morte
Ou com o preço da minha vida
salvarei a tua
ou contigo para sempre unida
para o túmulo irei


sábado, 18 de outubro de 2008

Bruckner



Josef Anton Bruckner nasceu em Ansfelden (Alta Áustria) em 4 de setembro de 1824. Foi educado no convento de Sankt Florian e ficou marcado pela mais profunda devoção católica e pelo sumptuoso estilo barroco do mosteiro.

Durante longos anos de atividade como professor primário, fez sérios estudos de música, que continuou mesmo mais tarde, quando já reconhecido como compositor de grande talento.


Em 1856 foi nomeado organista da catedral em Linz, depois regente da capela imperial em Viena e professor de música na universidade da capital. Recebeu, nesses anos, a mais profunda influência de Wagner, modificando, então, totalmente o estilo das suas composições. Por isso, Bruckner teria tido pouco sucesso durante a vida, porque como wagneriano não podia enfrentar a ‘ditadura musical’ de Brahms, em Viena. Com isso, experimentou decepções com a execução de suas obras, devido à hostilidade dos anti-wagnerianos vienenses.

Bruckner morreu em Viena em 11 de outubro de 1896.
Mal conhecido em vida, Bruckner só se tornou realmente famoso depois da morte, mas quase exclusivamente na Áustria e na Alemanha.

Só a partir da década de 1920, Bruckner chegou a ser admirado e executado com freqüência na Inglaterra, França e Itália.
Bruckner foi um caso quase patológico de falta total de inteligência (com exceção da inteligência musical).

Admirador entusiasmado de Wagner, nunca chegou a entender as teorias de seu mestre, do qual também o separava a devoção católica.

Sua síntese, absolutamente sui generis, de catolicismo barroco e de estilo wagneriano, inspirou-lhe formas novas de missas e sinfonias.


Obras - Não quis publicar ou não conseguiu publicar a maior parte das suas obras da mocidade, de modo que a evolução da arte de Bruckner só incompletamente é conhecida.

Seu gênio musical já está perfeito na Missa em ré menor (1864), Missa em mi menor (1866) e Missa em fá menor (1868). São as maiores obras de música sacra do século XIX, mas pouco adaptadas às normas litúrgicas vigentes, pela suntuosidade barroca dos coros e pela riqueza do acompanhamento orquestral.
Bruckner é sobretudo conhecido como sinfonista, sendo suas maiores obras a relativamente fácil Sinfonia n.º 3 em ré menor (1873), a Sinfonia n.º 4 em si bemol maior - Romântica (1847) e principalmente as colossais Sinfonia n.º 5 em si maior (1876), Sinfonia n.º 7 em mi maior (1883) e Sinfonia n.º 8 em dó menor (1885). Não têm semelhança alguma com a sinfonia contemporânea de Brahms, antes se situam entre as obras sinfônicas de Beethoven e Mahler.

São inconfundíveis pela temática (em parte sacra, em parte popular) e pela justaposição desses temas em grande blocos. Ainda convém observar que, durante muitos anos, essas sinfonias só foram conhecidas em versões abreviadas e truncadas, de modo que apenas hoje se conhece realmente a arte sinfônica do compositor.


Alguns críticos preferem às suas obras orquestrais o grandioso e comovente Te Deum em dó maior para soprano, coro, orquestra e órgão. Composto em 1881, sua primeira apresentação em Viena, foi em 1885.

sábado, 11 de outubro de 2008

Beethoven-Sinfonia nº5 em dó menor op.67


Trata-se da primeira sinfonia do autor composta em tonalidade menor, o que só voltaria a acontecer em 1824 com a Sinfonia nº9 em Ré menor op.125. A Sinfonia nº5 em Dó menor ainda hoje é considerada como um "monumento" da criação artística.

Os quatro movimentos constituem a particularidade de uma homogeneidade orquestral, sendo que, ao mesmo tempo, um exemplo de alternância.

O primeiro andamento, revelando grande tensão, tensão essa denunciada pelas cordas, eleva um dramatismo extremo. O segundo andamento revela solenidade; uma marcha fúnebre que se eleva pela sua emoção e beleza. O terceiro andamento, uma crispação. O quarto andamento: magnificência.

Alguns pontos que a tornam tão poderosa:

  • O tom de dó menor: trágico, tenso, combativo. É o tom da luta.

  • A ideia obsessiva: aquele motivo inicial reaparece o tempo todo, transformado, insistente — como se a música não deixasse fugir o conflito.

  • A travessia: a sinfonia começa na sombra e termina em dó maior, luminosa, quase triunfal. É uma passagem da noite para a vitória, da angústia para a afirmação.

  • Contexto humano: Beethoven já lidava seriamente com a surdez. Não é exagero ouvir ali um homem a dizer: “o destino não me vence”.


A Quinta Sinfonia estreou em 22 Dezembro de 1808 num concerto gigantesco no Theater an der Wien , em Viena, que consistiu inteiramente num programa de estreias de Beethoven, e dirigido pelo próprio Beethoven. O concerto durou mais de quatro horas.