terça-feira, 24 de março de 2009

Sibelius-Sinfonia nº7 em dó maior op.105


  • No ano de 1924 a 24 de Março, Sibelius estreia em Estocolmo a sua Sinfonia Nº7 em dó maior op.105, com o próprio compositor na direcção da orquestra.Aqui a interpretação é da Wiener Philharmonia Orchestra dirigida por Leonard Bernestein

A Sinfonia nº 7 em dó maior, Op. 105 é uma daquelas obras que parece pequena no tempo… mas enorme por dentro.

O Jean Sibelius fez aqui algo quase radical: em vez das quatro partes tradicionais de uma sinfonia, ele condensou tudo num único movimento contínuo. E não é só uma “junção” — é como se o tempo respirasse de outra forma.

O que salta logo ao ouvido:

  • Forma fluida: não há cortes claros. A música evolui como paisagem — quase como nuvens a mudar de forma (bem ao gosto do teu imaginário poético, aliás).
  • Tema do trombone: aparece como uma espécie de chamado solene, quase mítico. Cada vez que regressa, parece que o mundo se reorganiza à volta dele.
  • Sensação orgânica: não há dramatismo excessivo nem virtuosismo exibicionista. Tudo cresce naturalmente, como se fosse inevitável.

Há aqui qualquer coisa de muito “nórdico” — amplo, silencioso por dentro, com uma força contida. Não é uma sinfonia de explosões; é de gravidade e destino.

Se quiseres um olhar mais sensorial:
é como estar num lago calmo ao entardecer, e de repente perceber que a água, o céu e o tempo são a mesma coisa.

Curiosidade bonita: esta foi a última sinfonia que Sibelius publicou. Depois disso, entrou num longo silêncio criativo — o que dá a esta obra um ar de despedida, mas sem amargura.

Sem comentários: