A Scythian Suite, Op. 20 (1915) é basicamente Prokofiev a dizer ao mundo: “segurem-me a partitura que hoje vou assustar Paris”. É brutal, pagã, rítmica até aos ossos, cheia de arestas. Nada de conforto — aqui há terra, fogo, sacrifício e deuses antigos.
Em 1916 a 16 de Janeiro Sergei Prokofiev estreia a Scythian Suite op.20
Alguns pontos que a tornam tão especial:
Violência rítmica: marteladas orquestrais, acentos deslocados, uma energia quase primitiva. Dá para sentir o chão a tremer.
Harmonia agressiva: dissonâncias cruas, sem pedir desculpa. Não é “feia” — é intencionalmente áspera.
Orquestra monstruosa: metais em fúria, percussão tribal, cordas em tensão constante. Prokofiev explora o limite físico do som.
Atmosfera pagã: escrita a partir de um bailado sobre rituais citas — sacrifícios, deuses solares, forças arcaicas. Tudo muito pré-cristão, quase mítico.
Os andamentos são todos fortes, mas:
“A Adoração de Veles e Ala” já chega a esmagar.
“A Procissão do Sol” é hipnótica e ameaçadora.
“O Ídolo de Lolli e o Cortejo dos Sete Ídolos” fecha com uma fúria quase apocalíptica.
Curiosidade deliciosa: na estreia, muita gente ficou chocada. Era demais. Hoje soa visionária — um antepassado direto do Stravinsky mais brutal e até de certas linguagens do cinema épico moderno.
A Sinfonia nº 3 de Ralph Vaughan Williams, publicada como A Pastoral Symphony e só numerada mais tarde, foi concluída em 1922.
A inspiração inicial de Vaughan Williams para escrever esta sinfonia veio durante a Primeira Guerra Mundial, depois de ouvir um corneteiro praticando
A obra está entre as menos executadas das sinfonias de Vaughan Williams, mas ganhou a reputação de ser uma elegia sutilmente bela aos mortos da Primeira Guerra Mundial e uma meditação sobre os sons da paz.
Como muitas obras do compositor, a Sinfonia Pastoral não é programática, mas o seu espírito é evocativo. Nenhum dos movimentos é particularmente rápido ou otimista (o próprio compositor o descreveu como "quatro movimentos, todos lentos"), mas há seções extrovertidas isoladas.
Estrutura:
Molto moderato: Um movimento meditativo e calmo, com destaque para as linhas longas dos sopros e cordas.
Moderato: Levemente mais animado, mas ainda muito contido.
Moderato pesante: Um movimento mais sombrio, com sugestões de marcha fúnebre.
Lento: Final com voz solo — etéreo, como se a alma se despedisse do mundo físico.
A Pastoral é uma obra de luto silencioso e beleza contida, um dos melhores exemplos da capacidade de Vaughan Williams de capturar o tempo suspenso entre a memória e a perda. Não é uma pastoral de paz, mas uma de silêncio e saudade.
Foi apresentada pela primeira vez em Londres em 16 de janeiro de 1922, com Adrian Boult regendo.
Ralph Vaughan Williams conduz a primeira apresentação americana desta sua Sinfonia Pastoral em Norfolk a 7 de Junho de 1922
Em 1869 a 16 de janeiro Alexander Borodin estreia em St. Petersburgo a sua Sinfonia nº1 em mi bemol maior
A Sinfonia nº 1 em mi bemol maior de Alexander Borodin é uma obra notável que reflete o talento de um compositor autodidata e o espírito da música russa do século XIX.
Composta entre 1862 e 1867, a sinfonia marca a estreia de Borodin como compositor de música orquestral, equilibrando elementos da tradição sinfônica ocidental com traços distintivamente russos.
Características principais:
Influência Ocidental e Russa:
Embora Borodin tenha sido fortemente influenciado por compositores como Mendelssohn e Beethoven, o seu interesse pelas melodias folclóricas russas já se faz sentir.
O uso de escalas exóticas e modos típicos da música russa sugere o início de sua contribuição ao movimento nacionalista, liderado pelo grupo conhecido como Os Cinco.
Estrutura Clássica:
A sinfonia segue a forma tradicional em quatro movimentos:
Allegro vivo: Um primeiro movimento animado com temas vigorosos.
Andante: Lírica e introspectiva, com um caráter poético.
Scherzo (Presto): Vivaz e brilhante, com passagens que mostram o virtuosismo orquestral.
Finale (Allegro molto vivace): Energético e triunfante, sugerindo o otimismo da juventude de Borodin.
Harmonia e Orquestração:
Apesar de Borodin ainda não ter atingido a maturidade estilística de suas obras posteriores, como a Sinfonia nº 2 ou as Danças Polovetsianas da ópera Príncipe Igor, esta sinfonia já demonstra sua habilidade em orquestração e sua sensibilidade harmônica.
Recepção:
A sinfonia foi bem recebida em sua estreia em 1869 e é frequentemente vista como uma peça promissora de um compositor em desenvolvimento. O próprio Borodin era muito autocrítico e continuou revisando suas obras.
Curiosidade:
Borodin dividia seu tempo entre a composição e sua carreira como químico, o que torna ainda mais impressionante a qualidade e o impacto de sua produção musical.